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Cinema | Mulher-Maravilha

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Eu cresci lendo gibis e revistas sobre histórias em quadrinhos. Era muito comum – e desestimulante também – ler reportagens que faziam previsões muito pessimistas sobre a possibilidade de levar para os cinemas especificamente dois personagens: Wolverine e Mulher-Maravilha. Foi, portanto, muito bacana ver os anos passando e constatar que as previsões – nos dois casos – estavam erradas.

No caso da Mulher-Maravilha, foram mais de 70 anos até que a indústria cinematográfica fosse capaz de fazer jus à personagem feminina mais icônica do mundo dos super-heróis. Criada por William Moulton Marston em 1941, Diana de Themyscira, princesa, amazona, semideusa, foi, durante muito tempo, o único contraponto feminino em um mundo dominado por homens, por heróis. Por isso mesmo, em muitos momentos, foi motivo até mesmo de piadas, embora, mesmo secretamente, nas mentes de muitas meninas, ela alimentasse a emancipação feminina. O seu “sacrifício” foi reconhecido: Mulher-Maravilha é embaixadora honorária da Organização das Nações Unidas (ONU), tem o seu dia – 21 de outubro é o Dia Internacional da Mulher-Maravilha – e é, até hoje, uma das maiores representações femininas da cultura pop mundial.

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Tudo isso constitui motivo mais do que suficiente para alimentar muita expectativa em torno do filme da princesa amazona. E a produção dirigida por Patty Jenkins não decepcionou os fãs. Da série de TV protagonizada pela bela Linda Carter nos últimos anos da década de 1970, até a aventura estrelada pela atriz e modelo israelense Gal Gadot, Mulher-Maravilha cresceu em conteúdo, ganhou conotação social importante, e alcançou papel de destaque nos debates em torno do empoderamento feminino.

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Linda Carter, a Mulher-Maravilha na TV

Em termos cinematográficos, o filme tem se mostrado uma experiência bem-sucedida (mais de 500 milhões de dólares arrecadados em bilheteria até o momento) também por seus méritos técnicos, bem como aqueles diretamente relacionados ao processo de transposição positiva de um personagem das histórias em quadrinhos para a sétima arte. Gal Gadot ressignifica o conceito de Mulher-Maravilha, atualiza sua feminilidade, para isso em muito auxiliada por uma equipe eficiente, que soube aproveitar as referências da personagem original e trabalhar em cima de uma matéria-prima que já era muito boa.

Ganha força no filme o misto de inocência e força concentrada na Mulher-Maravilha personificada por Gal. Ela não esmaga o Steve Trevor interpretado por Chris Pine, porém envolve toda a estrutura do filme de forma muito marcante, sem medo de imprimir o seu toque à personagem.

Todas as mulheres do filme se unem na missão de dar poder ao sexo feminino. Seja pela habilidade marcial de Hipólita (Connie Nielsen) e Antiope (a excelente Robin Wright, da série House of Cards, é uma atração à parte nas batalhas da ilha de Themyscira), seja na tímida participação da secretária Etta (Lucy Davis), ao mesmo tempo cômica, mas esforçada em seu ofício. O antagonismo da Dra. Maru, na pele de Elena Anaya, constitui a primeira barreira, mesmo que indiretamente, no caminho de Diana.

O mal em toda parte

Sem dúvida, é um ponto forte do filme a maneira pela qual o mal disseminado na humanidade é retratado. Ao contrário da ideia ingênua de Diana, Ares, o deus da guerra e a personificação do mal, não está apenas encarnado no militar alemão Ludendorff, mas está presente em cada ser humano, o que confere força ao verdadeiro Ares, capciosamente oculto sob outra identidade. A complexidade demonstrada pelo enredo, ao fazer a heroína perceber que não é possível, literalmente, exterminar o mal pela raiz é uma das grandezas do filme, o que o faz ultrapassar o maniqueísmo simples.

Ao confronto entre bem e mal, contrapõem-se as cenas de humor e de romantismo discreto protagonizadas por uma princesa Diana que é livre para viver suas emoções (não apenas as suas lutas) – mais um passo na direção de um exercício de feminilidade que deve ser a inspiração de toda mulher.

Ficha técnica
Mulher Maravilha
Direção: Patty Jenkins
Ano: 2017
País: EUA
Gênero: Aventura
Duração: 2h21min
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Elena Anaya, Lucy Davis

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TV – Especial | A autorreferência em Supernatural

Dean e Sam em meio às garotas: elenco do episódio FanFiction, número 200 da série

Eu tinha começado a escrever este post há pelo menos um ano e larguei o arquivo inacabado. Coisa feia. O grande gancho para eu retomá-lo foi, mais uma vez, a brincadeira autorreferente que constituiu o grande mote do episódio ducentésimo de Supernatural, intitulado FanFiction, que foi ao ar nos Estados Unidos na semana passada. E, mais uma vez, a ousadia criativa da equipe de roteiristas resultou em algo extremamente interessante.

Tornou-se muito comum o uso da metalinguagem como recurso diferencial em filmes e livros. Entretanto, em Supernatural, algo ainda mais peculiar vem ocorrendo: a autorreferência na história (perdoem a redundância, mas ela é necessária!). Bem, antes de entrar em detalhes, vamos a algumas definições:

Metalinguagem
“Metalinguagem é a propriedade que tem a língua de voltar-se para si mesma, é a forma de expressão dos dicionários e das gramáticas. O significado do termo, entretanto, ampliou-se e hoje o encontramos associado aos vários tipos de linguagem. […] O discurso metalinguístico tem sido largamente usado nos quadrinhos e na publicidade em busca ora de uma organização lúdica do pensamento ora de um trocadilho bem-humorado, capaz de capturar a atenção de um eventual consumidor.” (Thaís Nicoleti, consultora de Língua Portuguesa)

Autorreferência
“Autorreferência é um fenômeno em língua natural ou linguagem formal que consiste de uma oração ou fórmula que refere-se a si mesma diretamente ou através de alguma oração ou fórmula intermediária, ou por meio de alguma codificação. […] A autorreferência também ocorre na literatura quando um autor refere-se a sua obra no contexto do próprio trabalho. Exemplos famosos incluem Don Quixote de Cervantes, Jacques le fataliste et son maître de Denis Diderot, Se una notte d’inverno un viaggiatore de Italo Calvino, muitas histórias de Nikolai Gogol, Lost in the Funhouse de John Barth e Sei Personaggi in Cerca d’Autore de Luigi Pirandello.” (Wikipédia)

Ou seja, quando saímos daquele universo da atriz da novela das 9 que diz “ah, fulana, mas isso é coisa de novela, agora é só aguardar as cenas do próximo capítulo”, ou seja, metalinguagem (exemplo bobo e simples, eu sei, mas com ele fica facinho de entender a ideia) e entramos no mundo que cita a si mesmo dentro de seu próprio contexto, chegamos à autorreferência, cujo exemplo mais do que eficiente existe aos montes em Supernatural.

Pelas minhas contas – sou um pouco esquecida, mas creio que seja mais ou menos isso –, na terceira temporada da série, surgiu um personagem-chave nesse negócio da autorreferência: trata-se de Chuck Shurley, o profeta do Apocalipse. Chuck – que fez, inclusive, participação especial no episódio 200 – tem visões e as registra. O caso é que, sob o pseudônimo de Carver Edlund, ele ganha dinheiro com uma série de livros que tem como enredo… as aventuras dos irmãos Winchester, ou seja, os protagonistas da série. Isso mesmo, Supernatural existe dentro da série – com este nome, inclusive – numa série de livros muito bem vendida entre os nerds aficionados por histórias de terror, graças às narrativas de Chuck, que correspondem ao que acontece nas vidas de Sam e Dean (que também têm esses nomes nos livros).

O personagem Chuck transforma a vida dos irmãos Winchesters em livro

Resumindo: na série, Sam e Dean são, ao mesmo tempo, personagens fictícios para a instância dos espectadores, e “fictícios-fictícios” na instância dos personagens da própria série, pois os irmãos veem a si mesmos como ícones da literatura geek em livros populares no mundo retratado na série. Será que consegui me fazer entender?

Capa de um dos volumes escritos por Chuck sob o pseudônimo de Caver Edlund

O interessante é observar o impacto estrondoso que a descoberta de que suas vidas são o enredo de uma série de livros tem nos protagonistas. É como se Sam e Dean se sentissem “invadidos” por terem episódios de suas vidas narrados para toda uma comunidade de fãs que não só os “acompanham” ao longo de vários volumes escritos e publicados por Chuck, como também aguardam ansiosamente pelo próximo livro. E isso acontece paralelamente à espera que nós, espectadores, temos em relação aos personagens. É a ficção da ficção, pode-se dizer.

Só que nada disso é tão incrível ou novo. Por exemplo, quem lê os livros de Arthur Conan Doyle sobre Sherlock Holmes sabe que seu fiel amigo John Watson costuma registrar de forma escrita as aventuras do famoso detetive. Contudo, o efeito é diferente em relação a Supernatural, porque Holmes não se vê como um personagem nas mãos de quem lê as narrativas de Watson, coisa que acontece com os Winchesters. Ou seja, a dimensão da autorreferência na série tem uma profundidade muito maior e arriscada, porque, apesar da complexidade de tudo isso, o espectador não se confunde.

O caso é que não posso deixar de notar a extrema habilidade que a equipe de roteiristas de Supernatural tem por conseguir montar uma “história dentro da outra”, ou seja, uma que dialoga com o espectador e outra que dialoga com os próprios “espectadores ficcionais”, personagens da própria série criados para ser fãs do Dean e do Sam dos livros.

Um reflexo disso fica muito claro no episódio “Time for wedding!”, da sétima temporada, quando Becky Rosen, uma fã incondicional da série de livros de Chuck apaixonada por Sam, sequestra o caçula dos Winchesters e se casa com ele, fazendo uso de uma poção para dominá-lo. Além de hilário, esse episódio é bastante elucidativo em relação às diferentes dimensões da autorreferência, pois Becky demora para entender que o Sam personagem dos livros, pelo qual ela criou uma paixão idealizada, não poderia correspondê-la na esfera da “vida de verdade”.

Eu acho tudo isso muito curioso, criativo e inteligente. Um artifício e tanto dos roteiristas. No último volume de Supernatural que Chuck publicou (isso até o momento), percebemos que ele registrou a trajetória de Sam e Dean apenas até o momento em que o irmão mais velho vai parar no inferno, ou seja, o equivalente ao fim da terceira temporada. No entanto, agora, no aniversário da série, os roteiristas prepararam uma nova “armadilha” para os espectadores, fazendo com que um grupo de garotas de um colégio apenas para meninas transformassem a trajetória dos Winchesters em uma peça teatral. FanFiction gira em torno da subversão do gênero dos protagonistas, que são encenados pelas alunas, da forma como elas interpretam aquilo que leram ao longo dos livros publicados por Chuck e, é claro, de um “monstro” que precisa ser combatido para que a peça possa ser encenada.

Dean e Sam com as alunas que os interpretam na peça escolar de FanFiction

O episódio ducentésimo da série é especial por vários motivos. Pela ousadia de fazê-lo protagonizado por meninas, algo que não é usual no universo de Supernatural; pela sensibilidade que não se transforma em pieguice na história; e pela reconciliação tão inusitada e tão necessária para os Winchesters – ninguém percebeu que eu gostei do episódio, né? Chega de spoilers! Paro por aqui 🙂

TV | Observações sobre “Sherlock” (BBC) e “Elementary”

 

Eu esperava ter mais informações sobre os episódios finais da primeira temporada de Elementary – releitura em forma de série norte-americana sobre Sherlock Holmes atualmente em exibição na TV a cabo – para escrever sobre esse assunto, mas, após 12 episódios assistidos, creio já ter uma pequena base para me manifestar.

De início, é muito interessante pensar que essas diversas interpretações sobre o detetive mais famoso da literatura não deixam de ser um estímulo para aqueles que nunca leram suas histórias – acho muito válido quando as releituras feitas para o cinema ou a TV fazem esse papel e esse é o caso dos dois seriados em questão, principalmente se confrontados um com o outro.

Passando essa fase, a observação de alguns detalhes muito fortes tanto no Sherlock britânico (protagonizado por Benedict Cumberbatch) quanto no norte-americano (protagonizado por Jonny Lee Miller) podem revelar traços muito interessantes sobre o que as respectivas audiências pensam sobre o Sherlock literário, ou seja, original – principalmente porque ambas se dedicam a reinterpretá-lo nos dias de hoje.

Para mim, o ponto forte da versão britânica é a forma brilhante pela qual eles conseguiram inserir no universo sherlockiano a questão tecnológica. Um viva para a equipe, que conseguiu aliar um ritmo aceleradíssimo com tramas dominadas pelos recursos atuais. Esse cuidado especial na hora de conceitualizar a maneira como o detetive interagiria com o celular, o computador, os avanços da ciência, parece mostrar que os ingleses temiam o anacronismo do raciocínio maquinal que Sherlock sempre demonstrou nos livros. E eles se saíram bem.

Em relação à versão norte-americana, não posso deixar de admirar a coragem demonstrada pela sua equipe, ao tomar a difícil decisão de transformar John Watson em Joan Watson (Lucy Liu). Entretanto, a admiração inicial se transformou em preocupação quando parei para pensar que isso nada mais poderia ser do que uma atitude para afastar a hipótese da homossexualidade de Holmes, assunto tão discutido pela crítica e por muitos leitores de suas histórias originais. Essa possível homofobia velada me deixou bem preocupada. Especialmente pelo fato de que, em vários episódios, os roteiristas deixam pistas muito claras da masculinidade do detetive, ainda que suas “necessidades sexuais” sejam saciadas apenas para o seu bem-estar fisiológico, como ele mesmo chega a comentar.

Não me parece que o objetivo de “Elementary” seja focar um bizarro romance entre Holmes e Watson, mas transformar o melhor amigo do detetive em melhor amiga revela uma inquietude dos norte-americanos em relação à figura de um herói que eles mesmos poderiam considerar menor ou não tão valioso, se ele não fosse heterossexual. Um capricho com o qual os ingleses não perderam seu tempo, ainda bem.

Quanto às fraquezas de Holmes – como a droga, por exemplo –, a versão americana tomou uma postura muito mais aberta, mesmo porque a inserção de Joan Watson na história como uma “ex-médica acompanhante de pessoas em processo de reabilitação” dependia disso. Nesse contexto, Watson entra na trama como uma peça fundamental, sem a qual Holmes não pode realizar o seu trabalho na polícia, ou mesmo viver fora da clínica. Já os ingleses limitaram o seu Sherlock ao uso de adesivos para deixar de fumar e a outros cuidados mais independentes e politicamente corretos, porque, provavelmente, seria incoerente que uma mente tão poderosa não conseguisse controlar seus próprios instintos destrutivos. No cenário da série britânica, John Watson (o ótimo Martin Freeman) também é uma figura fundamental, porém, por razões diferentes (ele é praticamente o único amigo de Holmes, por ser praticamente o único a conseguir, de alguma forma, aproximar-se dele), e aproxima-se mais do personagem original dos livros, equilibrando os episódios com a humanidade que muitas vezes falta ao seu melhor amigo.

Em relação aos enredos, as diferenças se refletem nas escolhas dos roteiristas. Os ingleses conseguiram, com bastante cuidado e inteligência, valorizar mais as tramas de Conan Doyle, transpondo as histórias dos livros para episódios de 90 minutos cheios de atualidade, recursos de direção de arte e edição elogiáveis. Todos os três episódios da primeira temporada são ótimos exemplos de quão difícil foi alcançar o alto nível exigido pela emissora britânica – algo apenas atingido nos três capítulos da segunda temporada, todos superiores em qualidade técnica e em enredo em relação aos da primeira.

Os norte-americanos, por sua vez, optaram por não seguir as histórias originais e não conseguiram ser tão felizes até o momento. Dos 12 episódios aos quais assisti, quase a metade foi previsível e os demais se mostraram muito mais CSI do que Sherlock Holmes (será que eles não veem a diferença?).

Quanto aos protagonistas… é difícil dizer qualquer coisa, quando Benedict Cumberbatch personifica de maneira fantástica um Holmes ao mesmo tempo inteligente, introspectivo e sarcástico – algumas das principais qualidades do personagem original. Jonny Lee Miller, no entanto, deixou-se dominar por uma máscara caricata, que predispõe o gênio ao necessariamente maluco, incapaz de impor respeito – e essa é a fraqueza de seu Sherlock.

Como fã que sou, para mim, é impossível não acompanhar os dois seriados. Fico intrigada com as soluções que as duas equipes de roteiristas terão de tomar em relação a personagens tão importantes no universo de Holmes, como Prof. Moriarty, Irene Adler e Mycroft Holmes, seu irmão mais velho. Na série britânica, todos eles já apareceram em algum momento da trama (na série norte-americana, nem todos), mas não de forma a se esgotarem na história. Como há a expectativa de que ambas sejam renovadas, as próximas temporadas tanto de “Sherlock” quanto de “Elementary” ainda devem revelar muitas surpresas. Resta saber se elas serão boas ou más.

TV | Supernatural: mistério, suspense e… humor (Parte II)

Rufus, Sam, Dean e Bobby no episódio em homenagem a Agatha Christie
Rufus, Sam, Dean e Bobby no episódio em homenagem a Agatha Christie

Na sexta temporada, os irmãos Dean e Sam Winchester, acompanhados dos caçadores veteranos Bobby e Rufus, envolveram-se em uma ótima trama de suspense em uma fábrica de conservas com a incumbência de investigar uma série de mortes envolvendo funcionários do local. O nome do episódio já entrega a homenagem: “… And then there were none”. A Rainha do Crime Agatha Christie – por meio do título de sua obra mais famosa – foi lembrada no mais célebre “estilo Winchester”, com tomadas rápidas, cenas bem cortadas, assassinatos e sumiço de personagens, além de humor na dose certa, é claro.

Ainda nesta mesma temporada, Castiel personifica o homem que queria ser rei, de Rudyard Kipling, só que o reino em questão não é um pedaço de terra perdido no Oriente Médio, como na história original, mas o céu (The Man Who Would Be a King – s.6ep.20). Através de alianças escusas, o anjo que antes era o mais obediente soldado de Deus, tenta pegar as almas presas no purgatório para aumentar o seu exército e garantir sua supremacia, vencendo a guerra em curso no céu desde o “sumiço” de Deus. Assim como na literatura, Castiel é movido pela ambição do comando e a sede de unificar sob a sua liderança o que um dia já foi bom e pacífico.

Já em Let it Bleed (s.6ep.21), penúltimo episódio da sexta temporada, o argumento de Supernatural ganha um reforço e tanto: HP Lovecraft, famoso escritor norte-americano de narrativas góticas e de terror.  Os roteiristas da série pegaram carona no dia 10 de março de 1937, data na qual o escritor de fato se internou em um hospital psiquiátrico onde morreu cinco dias depois, para ficcionalizar uma “festa-culto de magia negra” em sua casa, ocasião na qual um portal para outra dimensão teria sido aberto em decorrência desse ritual. O choque teria sido tão grande, e a visão oferecida tão aterradora, que este teria sido o motivo pelo qual Lovecraft teria se refugiado em um hospital psiquiátrico. A ideia bem amarrada, misturando informações reais e fantasiosas, deu um toque cult à série, vinculando-a a esses nomes tão respeitados da literatura.

Nesta sétima temporada, os irmãos Winchester depararam-se com criaturas aparentemente indestrutíveis: os leviatãs. Referências sobre esse tipo de monstro mitológico podem ser encontradas desde a Bíblia, no Livro de Jó, até nos escritos do filósofo político Thomas Hobbes. Como esses primeiros episódios da temporada ainda estão fazendo certo mistério em torno dos leviatãs, só se sabe que são seres muito antigos, criados por Deus antes do homem e confinados no purgatório, de onde teriam escapado com a abertura do portal na temporada anterior. Resta saber qual será o papel exato dos leviatãs na trama de Supernatural daqui para frente e se Dean e Sam conseguirão sobreviver a eles.

TV | Supernatural: mistério, suspense e… humor (Parte I)

Os Winchesters como peritos em Falling Idols, quinta temporada
Os Winchesters como peritos em Falling Idols, quinta temporada

A fórmula bem-sucedida para se fazer um seriado de suspense/terror com boas doses de bom humor parece ter sido alcançada pela produção de Supernatural. Com a sétima temporada no ar em um prestigiado canal de TV e índices respeitáveis de audiência, a boa aceitação da série deve-se às sacadas de um time de argumentistas que bebe nas fontes das lendas urbanas, da mitologia antiga e que, agora, faz também um equilibrado “mix” cujos ingredientes principais são histórias bíblicas e protagonistas masculinos que se questionam constantemente sobre as suas fragilidades – tudo isso em formato de um bem montado pastiche, uma verdadeira colagem de referências do melhor da literatura de mistério e suspense.

Talvez o sucesso de Supernatural resida no fato de que sua equipe não se mate para parecer original, nem tenha pretensões de elaborar um novo padrão para séries do gênero, muito pelo contrário: seus argumentistas fazem questão de mostrar as cartas que têm na manga e creditam suas referências, oferecendo homenagens não apenas aos experts desse estilo, mas pegando carona em músicas famosas (My Heart Will Go On – Ep. s6ep17; Like a Virgin – s6ep12; Simpathy for the Devil – s5ep01) e também em referências as mais aleatórias, com paródias de filmes como as feitas nos episódios All the Dogs go to Heaven (s6ep08), Fallen Idols (s5ep05), entre outras (muitas outras!) referências.

As menções a antigas e novas séries sucesso na TV americana buscam não apenas amenizar o ritmo muitas vezes frenético imposto aos irmãos Winchester, como também estabelecer identificações inteligentes com produções de outros gêneros. Podem figurar em paralelos singelos, como em Two and a Half Man (s6ep2), ou aparecerem em forma de espirituosas paródias, como no ótimo episódio Changing Channels (s5ep08).

Filmes blockbusters também não escapam dos argumentistas de Supernatural. As boas misturas do denso suspense com o bom humor fizeram os roteiristas transformarem Dean em Benjamin Button no episódio The Curious Case of Dean Winchester. Os irmãos também tiveram de se esforçar para mostrar que eram verdadeiros caça-fantasmas em The Real Ghostbusters, estes dois episódios na quinta temporada.

 Talvez eu faça uma estrapolação aqui quando penso em Dean e Sam como caras no melhor estilo Peter Parker. Isso porque são os problemas e as falhas dos protagonistas que dão gás à argumentação da série (assim como ocorre nas HQs do Homem-Aranha), mas seria muito monótono centrar toda a trama no fator humano dos Winchesters. Assim, resta a essa habilidosa equipe de roteiristas e produtores dar o tom dos episódios com pitadas de humor e de “bons empréstimos”, ou seja, boas referências do que já foi feito e que foi sucesso.

No início deste post, eu falei em protagonistas masculinos que questionam constantemente suas fragilidades. Este é fato muito curioso em Supernatural. A humanidade e todos os defeitos e qualidades a ela inerentes são os elementos que equilibram e desequilibram a balança o tempo todo nas trajetórias de Sam e Dean. E é muito interessante como o fato de estar o tempo todo no limite não os transforma exatamente em heróis (embora esta seja a ideia!), muito pelo contrário, expõe os irmãos a uma realidade que evidencia quão humanos eles são. Se antes aquele velho maniqueísmo de sempre rondava os Winchester, principalmente na quarta temporada, quando o anjo Castiel passa a marcar definitivamente na trama a presença de uma batalha em curso entre o Bem e o Mal, na fase atual da série, esse maniqueísmo parece diluído na figura de personagens que nem tanto uma coisa, nem tanto outra, buscam apenas a manutenção da sua zona de conforto, como é o caso dos bruxos Don e Maggie Stark no episódio Shut up, Mr. Phil, na sétima temporada.  

Na próxima parte deste post, algumas paródias literárias em Supernatural!

Supernatural – Quinta temporada

Voltei a acompanhar as aventuras de Dean (Jensen Ackles) e Sam Winchester (Jared Paladecki) em Supernatural, o meu seriado predileto. O mais engraçado é que ele já estava sendo regularmente exibido na TV a cabo há várias semanas e eu é que não sabia. Monga!

A quinta temporada (que eu achava que já tinha terminado!) continua com a corda toda. Os episódios estão bem roteirizados (costumo dizer que a equipe tem um poder de síntese invejável, haja vista que consegue elaborar capítulos com estruturas complexas, mas com diálogos bem desenvolvidos) e brincando constantemente com a metalinguagem e o maniqueísmo.

Acho que o ponto alto do seriado é ter como centro – pela segunda temporada consecutiva – a batalha entre o bem e o mal sem ser piegas e sem descaracterizar os personagens. Não é porque Dean é o escolhido de Miguel que o cara deixou de ser descolado e boca suja. Aliás, por esse ângulo, temos um Sam muito mais polido, bem educado e sensível, que é, todavia, o receptáculo de Lúcifer. É, nem sempre as coisas são o que parecem ser…

Em minha opinião, o personagem do profeta Chuck é uma boa tirada. Para quem não acompanha a série, Chuck é um escritor falido, beberrão, sem sorte com as mulheres e que, depois de um aviso dos anjos, começa a escrever o “Evangelho de Dean e Sam”, relatando os eventos do Apocalipse e o destino dos irmãos. Chuck é protegido por um arcanjo e, no decorrer desta quinta temporada, começa a “se arrumar na vida”, ganhando uma namorada no episódio 9, “The real ghostbusters”, após uma demonstração de coragem que aumentou bastante sua autoestima.

Essa coisa toda de Dean e Sam se verem como personagens de uma saga registrada por Chuck é uma forma muito legal de tratar a questão da metalinguagem. Ao terem contato com os “fãs” dos livros de Chuck, que acreditam que os irmãos Winchester não passam de ficção, Dean e Sam têm a oportunidade de perceber a recepção de seus “personagens” perante pessoas de carne e osso que admiram sua luta contra o Apocalipse, mas que conhecem muito bem tanto suas qualidades quanto seus defeitos, oferecendo-lhes um “novo ângulo” de si mesmos.

A mudança de Castiel (Misha Collins), que se rebela diante da “passividade” de Deus durante o Apocalipse e passa a representar um exemplo a não ser seguido para os demais de sua espécie, também deu maior substância à trama da série. Castiel passa a usar o seu poder de “ex-anjo” de maneira mais efetiva para ajudar os irmãos na busca por Lúcifer e na eliminação de “obstáculos” em forma de anjos e demônios no caminho dos Winchester.

Para finalizar este post, uma última boa ideia dos roteiristas de Supernatural: a webssérie Ghostfacers. Gente, que cômico! Ghostfacers são uma equipe de patéticos combatentes de ameaças sobrenaturais que, grosso modo, posicionam-se como “concorrentes” de Dean e Sam. A única diferença entre o grupo e os irmãos é que estes últimos lidam com “a coisa grossa mesmo”, enquanto o grupo inclusive que grava suas aventuras para disseminá-las na internet e aumentar sua popularidade, não passa de um bando de caça-fantasmas de araque. O legal é que eles ajudam a equilibrar o humor da série, não deixando a coisa ficar pesada demais.

Mais adiante, escreverei sobre Miguel, Lúcifer e os Cavaleiros do Apocalipse.

Supernatural
Warner Channel (Brasil) / The CW (EUA)
Quintas, 22h (Brasil)
Site oficial: http://www.cwtv.com/shows/supernatural/

O Reino Proibido

Assisti, no último fim de semana, ao encontro de Jackie Chan e Jet Li nas telas: O Reino Proibido. Confesso que, desde que a Karina me falou desse filme, eu havia ficado bem curiosa, porque gosto de ambos (mais do Chan, na verdade) e também porque gosto de filmes de ação e luta.

 Primeiro, vale ressaltar o valor estético do filme. A la Zhang Yimou e Ang Lee, com chineses voando, roupas coloridas e esvoaçantes, O Reino Proibido emprega a mesma fórmula, que agrada aos olhos, mas, além disso, não acrescenta muita coisa, infelizmente.

Acho que a equipe técnica ficou tão preocupada em não ofender os egos envolvidos, que esqueceu de caprichar mais no enredo.  Se Jet Li interpreta o Rei Macaco, Jackie Chan não pode ficar atrás e encarna um monge imortal. Aliás, o combate de Chan e Li é, logicamente, um dos pontos mais altos do filme. Mas essa questão de ego é de fato engraçada, pois até o “J” que forma o nome de ambos é compartilhado nos créditos, de forma que os nomes dos dois astros aparecem juntos na tela e nos pôsteres.

Em linhas gerais, a trama é batida. Há um vilão que deseja a vida eterna (buscada em peregrinação pelo Rei Macaco já na famosa lenda chinesa) e, para fazer o gancho com os dias atuais, um rapazinho americano no estilo das produções americanas dos anos 80/90 (Goonies, Os Garotos Perdidos, etc.) apaixonado por kung fu, vidrado em filmes do gênero e saco de pancadas da gangue do bairro. Quando o menino viaja no tempo e vai parar na China antiga, há o encontro dos personagens, que precisam devolver o bastão perdido do Rei Macaco para restabelecer o equilíbrio de forças no reino, dominado pelo déspota Guerreiro de Jade, o cara que quer viver eternamente.

Há a mocinha para completar o grupo e, uma vez reunido todo o grupo, a coisa fica batida, infelizmente. Mas o filme é legal, despretensioso e divertido – com Jackie Chan, não poderia ser diferente. Uma coisa boa é que O Reino Proibido traz à tona (mesmo que de forma torta, mas fazer o quê?) um pouco da história da China lendária por meio do Rei Macaco, que inspirou, inclusive, o livro Jornada ao Oeste, já publicado no Brasil. Vale a pesquisa sobre o assunto.

Serviço
O Reino Proibido
Gênero: Aventura
Duração: 1h53
Lançamento: 2008
Direção: Rob Minkoff

Para saber mais sobre a lenda do Rei Macaco, clique aqui.

Para ler sobre Jornada ao Oeste, clique aqui.

Cinema | Pequena Miss Sunshine

Há tempos eu estava pensando em escrever sobre esse filme, mas o tempo é curto e minha organização não é lá essas coisas. Consegui assistir a esse longa há apenas algumas semanas e confesso que achei a trama interessante. Fazia tempo que um filme americano não me sensibilizava como ocorreu com Pequena Miss Sunshine.

Minha ideia aqui não é fazer resenha, não. Quero apenas registrar algumas impressões sobre uma das produções mais criativas e realistas do cinema americano dos últimos tempos.

Eu ri e quase chorei durante o filme. Obviamente, Abigail Breslin (Olive, a menina-protagonista) é uma figura carismática e talentosa, uma excelente escolha dos produtores. Ela é espontânea, gordinha, e porta-se como uma criança normal para sua idade. Um produto bem real da desordem que é a sua família, composta por um avô viciado em heroína, um irmão introspectivo aficionado por Nietzche, uma mãe preocupada e estressada, um pai que tenta mascarar seu fracasso profissional com uma lunática fórmula de sucesso por ele mesmo desenvolvida, e um tio com tendências suicidas.

Aliás, o tio, a meu ver, é um capítulo à parte: Steve Carell (Agente 86, A Volta do Todo-poderoso) interpreta Frank, um personagem difícil, denso, um homossexual cuja vida afetiva desmoronou de tal maneira que destruiu sua brilhante carreira acadêmica – na história, Frank é o maior especialista em Marcel Proust dentre os acadêmicos dos Estados Unidos – e facilitou o caminho para sua atitude extremada. Entretanto, acostumado a papéis cômicos, Carell surpreende e se supera na composição de Frank, que, para mim, é um dos pontos altos do filme.

A desestruturação da família vem à tona de uma das maneiras mais inocentes que se pode imaginar: pelo desejo de Olive de vencer um concurso de miss. A empreitada envolve todos os parentes viajando para levar Olive para o concurso a bordo de uma velha kombi branca e amarela. No caminho, conflitos e descobertas, inclusive a do daltonismo do irmão de Olive, que sonhava em ser piloto de avião. É incrível pensar que os pais não tenham percebido a deficiência do rapaz, que já está na adolescência. É por intermédio de Olive, em plena kombi na estrada, que isso acontece.

A crítica sagaz aos concursos de beleza não pode ser esquecida. Como que para coroar o enredo, é já no fim do filme que Olive realiza parte de seu desejo: o de desfilar como uma miss durante o concurso, sem deixar de lado toda a sua autenticidade e a sua infantilidade em um impagável número na prova do concurso de talentos. Ao lado de meninas de aparência totalmente fabricada por suas mães, a presença natural de Olive salta aos olhos dos espectadores.

E a menina não sai com a faixa e o título do concurso por ser, é claro, totalmente fora dos parâmetros de uma miss – e muito criança para ganhar um concurso “infantil”.

Céu e Inferno em guerra na TV

 

Há coisa de umas três semanas, fui direto assistir à estréia da nova temporada da série Supernatural. Não sou daquelas que fica o tempo todo grudada na TV, mas, nesse caso, especificamente, era imperdível. O gancho da última temporada, com Dean Winchester sendo devorado por um cão do inferno, foi demais da conta. Aquilo não poderia ficar daquele jeito.

Se você não tá entendendo nada, voltamos ao começo. Supernatural é uma série exibida pela Warner na TV fechada e pelo SBT no canal aberto. Acompanho a trama desde o início. Acho que o nome me chamou a atenção e os atores também, é claro, porque já conhecia os dois protagonistas – os irmãos Winchester –, interpretados por um ator ex-Gilmore Girls e outro ex-Dark Angel/Smallville.

O enredo é bom, pelo menos pra mim. Em linhas gerais, trata-se de um cara cuja “ocupação” era caçar demônios. Ele era casado e tinha dois filhos (os rapazes protagonistas). Certo dia, quando o mais novo ainda era bebê, um demônio matou a mulher dele e a levou para o inferno. Pelo menos em tese. Depois disso, o cara meio que despirocou, mergulhou no “trabalho” e deixava o bebê para o filho mais velho, que devia ter uns 6, 7 anos cuidar.

Ok, o tempo passou, o mais velho ficou tosco, porque não levou adiante os estudos, porém se aprimorou “seguindo a carreira do pai”, que continuava na ativa. O mais novo cresceu e entrou na universidade. Até que, um belo dia, a namorada desse filho mais novo é morta exatamente da maneira como morreu a mãe deles.

Ótimo retorno!
Ótimo retorno!

Simultaneamente a isso, o irmão mais velho vai atrás do mais novo, por causa do desaparecimento do pai. Juntos, eles vão tentar encontrá-lo, até que, acho que na segunda ou terceira temporada, eles o encontram, mas, por causa de uma confusão-mor, o pai vai parar no inferno também. Daí, a luta dos dois é pra tirá-los de lá, enquanto continuam matando e exorcisando demos, até o dia em que se enroscam, o mais novo deles morre e o outro precisa fazer um acordo com um demo pra trazê-lo de volta. A moeda de troca do acordo é a vida do mais velho pela do mais novo no prazo de um ano. A terceira temporada terminou justamente assim, com o prazo de um ano terminando e o mais novo não podendo fazer nada para impedir que o irmão mais velho vá fazer companhia pro papai e pra mamãe.

Só que… quando tudo parecia perdido (porque a família toda praticamente já tava junta no inferno), Deus decide dar o ar da graça e envia um anjo para resgatar o irmão mais velho do inferno. Ou seja, agora a coisa ficará melhor ainda, porque, com a chegada dos anjos, a luta ficará mais equilibrada. E a entrada do enviado do Todo-poderoso (Castiel é o nome do anjo) não foi nada piegas, o que eu achei excelente, pois não quebrou a dinâmica da série.

Ufa, é isso. Pelas minhas contas, eu resumi uma temporada por parágrafo!

Então, eu sabia que, assim como o lado mau tava botando pra quebrar, uma hora o lado bom teria de dar as caras, porque a trama tava ficando muito desequilibrada. A minha preocupação era exatamente como isso seria feito sem ficar piegas, porque Supernatural conseguiu, a meu ver, uma boa fórmula para tratar desse maniqueísmo óbvio do qual a série necessita. O jeito que a equipe produtora trata o bem e o mal é bacana. Cumpre as funções, passa a mensagem e fica legal, mesmo porque eles também usam e abusam de efeitos especiais e de uma linguagem de mistério/terror que ativa a adrenalina.

Mas o que me deixou satisfeita foi que eles conseguiram fazer a inserção do bem na história com êxito. Casou com a dinâmica da série. Isso sem deixar de utilizar conceitos cristãos que são válidos. Meu conhecimento bíblico capenga, mas quebra-galho, identificou o quê de “divino/bíblico” bem próximo do autêntico na fala do anjo, o que “aumenta a credibilidade” sem deixar idiota. E a reação do Dean (o irmão mais velho) ao se defrontar com o anjo, marcou muito a figura “homem” nessa história. Essa temporada abre definitivamente a trilogia “Deus-demônio-homem” e a cena do encontro Dean–Castiel foi muito bem pensada.

Enfim, sou suspeita pra falar, mas gostei mesmo. Usaram bem os recursos, esperaram a hora certa pra fazer com que o bem intercedesse na história e, agora, estou ansiosa pra saber se os roteiristas e produtores vão conseguir segurar a peteca!