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Série | Stranger Things 2

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O grande desafio que os Duffer Brothers tinham para esta segunda temporada de Stranger Things, a meu ver, era determinar de que forma a história continuaria a ser contada. Sim, porque os ganchos mudaram. Agora, já não havia a problemática de uma criança desaparecida. E, querendo ou não, os riscos em relação ao ritmo dos episódios eram bem grandes – como, aliás, provou-se no decorrer da temporada.

Os contras e os prós

Apesar das emoções, dos novos personagens e da “repaginação” de outros, Stranger Things 2 sofreu principalmente com as oscilações no ritmo da história. Enquanto tivemos episódios frenéticos do início ao fim, outros simplesmente se arrastaram. Isso colocou em xeque a força do enredo nessa continuação da série, uma vez que muito cedo ficou claro que o grande trunfo da temporada seria o reencontro de Eleven (Millie Bobby Brown) com seus amigos, principalmente Mike (Finn Wolfhard) – algo que, claramente, foi postergado ao máximo pelos roteiristas.

A parte interessante foi a consolidação da própria Eleven como grande ponto focal de Stranger Things 2. Foi bastante esclarecedora a pausa feita para recuperar o passado da garota, muito embora a abertura da segunda temporada com uma baita sequência de ação protagonizada por sua “irmã” Khali deixou um grande fio solto que só foi recuperado na segunda metade da temporada, como parte do processo de autoconhecimento de Eleven (sua preparação na tradicional jornada da heroína para enfrentar o grande desafio de fechar o portal localizado no Laboratório de Hawkins no grande desfecho da temporada).

Parcerias

A série se consolida, nesta segunda temporada, por seus talentos infantojuvenis (incríveis as interpretações de Noah Schnapp e de Finn Wolfhard como Will e Mike, respectivamente), apoiados por atores experientes, como Winona Ryder e David Harbour. Max (Sadie Sink), a garota ruiva que chega para dividir com Eleven a parcela feminina no grupo de Mike e Cia., torna-se a namorada de Lucas (Caleb McLaughlin), enquanto Steve (Joe Keery) – o inicialmente desajustado namorado de Nancy (Natalia Dyer), a irmã mais velha de Mike – passa a desempenhar a função de irmão mais velho de Dustin (Gatten Matarazzo), estabelecendo uma dupla fartamente elogiada pelos fãs de Stranger Things.

De Eleven para Jane

Um dos ganhos que a série trouxe nestes novos episódios foi a possibilidade de um recomeço para Eleven. Depois dos traumáticos anos presa no Laboratório de Hawkins, recuperar o seu passado, descobrir o seu verdadeiro nome e ser adotada foram fatos que abriram a perspectiva de uma vida cada vez mais próxima do normal para a adolescente – aliás, abrir espaço para o baile da escola depois de tantas bizarrices (a cena da morte de Bob foi digna dos filmes de monstros da década de 1980) foi uma maneira que os irmãos Duffer encontraram para “firmar um pé” da série na realidade adolescente da cidade de Hawkins. Resta saber como isso será administrado na terceira temporada, já confirmada com oito episódios e estreia prevista para 2019.

Stranger Things 2
Criação: The Duffer Brothers
Ano: 2017
País: EUA
Gênero: Aventura/Ficção
Duração – Temporada 2: 9 episódios (cada um com 55 minutos em média)

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Série | Dark

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Ultimamente eu tenho observado bastante um aspecto de filmes, livros, animês e por aí vai: como as histórias são contadas. Muitas vezes, a magia de alguma obra está muito mais na maneira como ela é apresentada do que propriamente concentrada em um enredo espetacular, inovador. Por isso, achei muito interessante a proposta dessa série alemã, produção original Netflix.

Em dez episódios, Dark é capaz de “fundir os miolos” do espectador, propondo uma trama composta de fios temporais que apresentam suas personagens e respectivos núcleos familiares em diferentes épocas de suas vidas. Entretanto, não é exatamente esse enredo mirabolante o principal atrativo da série. Há, digamos assim, uma atmosfera diferente no ar, nos recursos utilizados para contar a história, que tem como fio condutor um suspense muito bem feito.

Ponto de partida

Nada brilhante o início de Dark: o desaparecimento do garoto Mikkel Nielsen (Daan Lennard Liebrenz), em 2019. Contudo, logo nos primeiros episódios o espectador já entende que esse evento é o ponto em torno do qual orbita toda a trama da série. A partir daí, idas e vindas tornam-se constantes: 1956, 1986 e 2019, ou seja, pulando a cada 33 anos, temos um grupo de pessoas em uma cidade cujas atitudes influenciam eventos passados, presentes e, conforme probabilidades em relação à segunda temporada, futuros.

Se o sumiço de Mikkel marca um dos momentos importantes de Dark, é a trajetória turbulenta e perturbada de Jonas Kahnwald (Louis Hofmann) que vai fornecendo ao público as pistas para compreender como diferentes momentos temporais refletem acontecimentos que se repetem. Seria a pequena cidade alemã de Winden um ponto especial, capaz de conectar diferentes faixas temporais com momentos replicantes? Ficção científica, energia nuclear, mistério e suspense fazem parte da resposta em doses na medida certa.

Sem medo de entregar as ideias

Um ponto bastante positivo de Dark é a dinâmica da série. Nota-se claramente que os roteiristas não ficam “segurando” a ocorrência de momentos-chave do enredo para o fim da temporada. Muito pelo contrário, à medida que avançamos pelos episódios, é possível já ir montando o quebra-cabeça dessa trama complexa. E isso só vai intrigando ainda mais o público, em vez de decepcioná-lo.

O que parece é que toda a equipe de Dark confia bastante no potencial da série, a ponto de não tentar “facilitar” as coisas para o espectador, no intuito de tornar a produção popular – muito embora o recurso de dividir a tela ao meio para mostrar um mesmo personagem nas fases jovem e madura seja bastante esclarecedor para a identificação e o conhecimento de todo o elenco.

No fim dos dez episódios, o que fica é a sensação de que a série agrada porque instiga. Não propõe questões de respostas fáceis e inova justamente por não buscar a fórmula politicamente correta em tempos nos quais o bullying domina todas as instâncias sociais. Há cenas fortes – difícil de esquecer o choque de Ulrich (Oliver Masucci) matando o jovem Helge (Tom Phillipp) a pedradas – e uma forma seca e áspera de mostrar a face oculta do ser humano em suas mais diferentes idades, tempos e sexos. Faz pensar – e isso é um grande mérito.

Dark
Criação: Baran bo Odar, Jantje Friese
Ano: 2017
País: Alemanha
Gênero: Ficção científica/drama/suspense
Duração – Temporada 1: 10 episódios (cada um com 1 hora em média)

Retrospectiva | 2017

Neste primeiro post de 2018, é hora de rever o que consegui ler e assistir em 2017. Sem dúvida, foi um ano um pouco atribulado para mim, o que resultou em um número menor de leituras – pouco mais de 30 livros, sem contar as HQs – e também em um menor número de filmes/séries vistos ao longo dos últimos 12 meses. Isso se deveu não apenas a motivos particulares (várias cirurgias na família e períodos de corre-corre em visitas e hospitais), como também ao maior período que passei durante o ano estudando idiomas.

Diversidade

Um fato que me deixou bastante contente foi a diversidade de leituras que consegui realizar no último ano. Além de conseguir contemplar alguns títulos pendentes de 2016, foi muito bom voltar a ler gêneros aos quais há muito tempo eu não me dedicava, como o livro-reportagem, por exemplo. O ano de 2017 também foi momento de leituras de teores bem diferentes, como livros infantis, clássicos distópicos, releituras e também de várias revistas.

psicose_1373943361bSe comprovadamente eu li menos em 2017, posso me considerar muito feliz pela qualidade dos livros lidos. Nos últimos 12 meses, tive o privilégio de ler livros brilhantes, como Psicose (Robert Bloch), Fahrenheit 451 (Ray Bradbury), A vida imortal de Henrietta Lacks (Rebecca Skott), Quem matou Roland Barthes? (Laurent Binnet) e A revolução dos bichos (George Orwell).

No âmbito da literatura nacional, não posso deixar de destacar minha volta aos clássicos: em 2017, li um ótimo livro de crônicas de João do Rio, Histórias da gente alegre (pretendo fazer um post sobre João do Rio mais adiante); li o primeiro romance de Lima Barreto, Recordações do Escrivão Isaías Caminha; e também Diva, romance de José de Alencar.

Revistas e HQs

Foi muito bem-vinda a chegada da Revista Quatro Cinco Um, no mês de maio. Ao longo dos últimos meses, tenho acompanhado essa publicação, repleta de textos interessantíssimos para leitores inveterados. Também li vários especiais das Revistas Superinteressante e Mundo Estranho em 2017.

Não li tantas HQs quanto eu queria, mas posso destacar a graphic novel Corpos, da Vertigo, e o livro O fantasma de Anya, de Vera Brosgol.

Para fechar a parte das leituras, em 2017 também encontrei um tempinho para me dedicar mais aos estudos da Língua Portuguesa e também da Língua Inglesa, já que prestei o TOEIC no mês de agosto. Por isso, fiz algumas leituras originais em inglês (algo do que já estou me orgulhando) e li alguns livros teóricos de português.

Filmes, séries e documentários

Fui ao cinema algumas vezes em 2017 para acompanhar produções derivadas dos quadrinhos, como Mulher-Maravilha e Liga da Justiça – ambos comentados neste blog. Em setembro, ainda consegui assistir no cinema ao filme João, baseado na história do maestro João Carlos Martins – que belo filme!

0424359Também foi um ano em que consegui ver dois documentários que me interessaram bastante: Foucault contra si mesmo e Lygia, uma escritora brasileira. Recomendadíssimos!

Fiz alguns posts sobre séries aqui no blog ao longo deste ano. Tenho acompanhado as produções que a Netflix vem fazendo sobre o universo Marvel e destaquei também a primeira temporada da bela e sensível Tokyo diner, midnight stories e também da espirituosa The good place – ambas também comentadas aqui.

Para 2018, tenho vários planos, mas resolvi não fazer listas, nem estipular metas, pois ainda tenho títulos pendentes da lista que fiz para 2016! Portanto, para não sabotar meu próprio planejamento, irei aos poucos seguindo com os projetos de leitura que já estão em andamento (os quais continuaram em 2017, embora em ritmo mais lento) e, na medida do possível, acrescentarei novidades!

Feliz ano-novo!

 

 

Série | The Good Place

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Preciso fazer um rápido comentário sobre a primeira temporada dessa série produzida originalmente pela Netflix e exibida pela emissora norte-americana NBC.

Trama surpreendente, episódios breves, pitadas de humor inteligente e situações criativas, protagonizadas por personagens bem construídos. Essa é a fórmula bem-sucedida de The Good Place, cujo enredo gira em torno de Eleanor Shellstrop (Kristen Bell, de Veronica Mars), uma “fraude”, um “erro de cálculo” na classificação das almas boas que, após a morte, são levadas a habitar o lugar bom, uma versão do paraíso montada pelo “arquiteto” Michael (o ótimo Ted Danson, da franquia Três Solteirões e um Bebê).

Personagens 

As aventuras de Eleanor são compartilhadas por sua “alma gêmea”, Chidi Anagonye (William Jackson Harper), o que torna tudo muito interessante, porque, se Eleanor foi, em vida, a espertinha sem muitas noções de honestidade, seu contraponto é uma alma gêmea que, em vida, era um professor de filosofia moral. O contraste entre ambos é um dos maiores acertos da série, com Chidi e sua importante missão de tentar “recuperar moralmente” a alma de Eleanor.

O núcleo de protagonistas é ainda integrado pela ex-filantropa Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil) e o monge Jianyiu (Manny Jacinto), outro inusitado casal de almas gêmeas. Ou seja, Eleanor é a estranha no ninho. O ápice dessa diferença se dá com a descoberta de uma outra Eleanor, exemplo de boa conduta em vida, mas que, depois de morta, foi levada por engano ao “lugar ruim”. Uma troca infeliz, que, aparentemente, custaria um alto preço para os dois lados.

O roteiro muito bem elaborado e cheio de referências (sem dúvida, Chidi bancando o Cyrano de Bergerac com Tahani é um dos momentos mais bacanas da série) consegue estabelecer uma trama mais promissora a cada episódio, culminando com um final de temporada digno de uma série já consolidada por público e crítica. Fiquei com uma ótima impressão de The Good Place e bastante curiosa para ver como a equipe da série pretende manter o ótimo nível desta primeira temporada.

The Good Place – Primeira temporada
Criação: Michael Schur
Ano: 2016
País: EUA
Gênero: Ação/Crime/Drama
Duração: 13 episódios (cada um com média de 22 minutos de duração)

Série | Os Defensores

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Terminei de assistir ao último capítulo da primeira temporada de Os Defensores com certo alívio. A meu ver, a proposta inicial da série (um tanto ousada, inclusive) foi cumprida: juntar quatro heróis que já haviam aparecido em séries individuais em uma mesma trama com coerência. Sim, houve alguns problemas no processo, mas creio que todo o público que, anteriormente, já havia acompanhado as duas primeiras temporadas de Demolidor (Charlie Cox), e as primeiras temporadas de Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Punho de Ferro (Finn Jones) já esperavam por isso.

Enredo

Uma das coisas que fizeram com que a série de fato conseguisse entregar o que seus produtores haviam prometido foi um enredo coerente, nem que para isso fosse necessário criar “subnúcleos” entre os protagonistas. Aproveitando o gancho dos Heróis de Aluguel dos quadrinhos, Luke e Punho de Ferro rapidamente se ajustaram, mas foi a interação totalmente apoiada no contraponto entre Demolidor e Jessica Jones o elemento que garantiu a dinâmica de alguns episódios.

Há vários pontos interessantes a serem pensados em relação ao enredo. A ideia básica é muito boa, é coerente a forma como os quatro protagonistas se veem em “uma mesma encrenca”, mas é inevitável não pensar que o pequeno número de episódios (apenas oito) é insuficiente para estruturar satisfatoriamente uma trama com vários heróis que vinham de atuações protagonistas. Alguma coisa seria sacrificada. Ou algumas.

Infelizmente, houve o subaproveitamento de personagens coadjuvantes muito bons, como Karen Page (Deborah Ann Woll), do “núcleo Demolidor”. Ficou uma coisa bastante artificial ela protagonizar diálogos um tanto óbvios (o que não é aceitável, dado que se trata de uma mulher bastante astuta e inteligente), chegando até a bancar a inconveniente em várias situações.

Outro ponto bastante estranho foi a trajetória do Tentáculo, grande vilão da trama. Composto por quatro “pilares” (isso não é mera coincidência – quatro vilões, quatro heróis), eu comecei a desenvolver o raciocínio um tanto óbvio (estou usando muito essa palavra neste texto, eu sei) de que cada herói seria confrontado por um dos vilões do Tentáculo, então ver Colleen Wing (Jessica Henwick) fazer o que fez (estou tentando não dar spoilers) no último episódio me deixou, de certa forma, chocada, porque Bakuto (Ramón Rodríguez) tinha sido superior ao Punho de Ferro (Finn Jones) em vários combates anteriores – ou seja, onde está a lógica? Colleen conseguiu fazer o que o Punho não conseguiu?

Ponta de luxo

Sigourney Weaver como Alexandra, coração do Tentáculo, também teve uma participação competente, porém encerrada prematuramente, a meu ver. Os roteiristas poderiam ter se valido mais da boa interpretação da atriz para conferir mais força à trama, mas, em vez disso, preferiram destacar a presença de Elektra (Élodie Yung) – que já está merecendo sua própria série, diga-se de passagem. Afinal, são muitas contradições dentro de uma mesma personagem, então, penso que seria o caso de desenvolver uma série individual para o “amor assassino” do Demolidor.

Enfim, nada é perfeito. A iniciativa é válida, e eu gostaria que Os Defensores continuasse em outras temporadas, mas com maior número de episódios – a despeito das agendas individuais das outras séries (talvez isso possa ser administrado de forma competente pela Netflix, não sei).

Os Defensores
Criação: Douglas Petrie
Ano: 2017
País: EUA
Gênero: Ação/Crime/Drama
Duração – Temporada 1: 8 episódios (cada um com 1 hora em média)

 

Série | Punho de Ferro

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Este post entra aqui com bastante tempo de atraso, porém ainda antes do mês de agosto, quando a Netflix disponibilizará a primeira temporada de Defensores, o projeto que reunirá Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro em uma mesma série.

Impressões 

Não tenho background dos quadrinhos para falar sobre Punho de Ferro, infelizmente, portanto registro aqui apenas minhas impressões em relação à série em si.

Danny Rand (Finn Jones) é o alter-ego do herói protagonista da série, um jovem que, por ter passado muitos anos isolado em uma cidadela do Himalaia, volta aos EUA para retomar seu lugar e descobrir a verdade sobre a morte de seus pais.

Algumas coisas me chamaram a atenção ao longo dos 13 episódios da primeira temporada da série. A inocência de Rand me pareceu verídica em relação à trajetória do personagem e achei especialmente interessante o modo como essa inocência se encaixa com a insegurança do personagem para afetar a estabilidade de seus poderes.

Da mesma forma, o núcleo dos Meachum, ex-sócios dos pais de Danny Rand nas empresas, contribui positivamente para uma releitura da vilania da série, uma vez que o antagonismo vai migrando entre personagens da família Meachum ao longo dos capítulos.

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Por último, as participações de Colleen Wing (Jessica Henwick), como uma misteriosa companheira para Danny; da enfermeira Claire Temple (a ótima Rosario Dawson); e da advogada Jeri Hogarth (Carrie-Ann Moss), estas últimas “alinhavando” a relação entre as séries dos personagens que vão se reunir em Defensores foram, definitivamente, boas cartadas da Netflix, produtora e emissora de todo esse núcleo da Marvel.

Chuva de críticas

Pelo que notei, entre esses personagens do núcleo Marvel/Netflix, Punho de Ferro foi o aquele cuja série mais sofreu críticas por parte do público especializado. Observações negativas foram desde a interpretação de Finn Jones como protagonista, até mesmo aos efeitos especiais da série. Parece-me, entretanto, que o maior problema de Punho de Ferro foi chegar ao fim de sua primeira temporada sem se firmar em seu próprio universo. Foi o último personagem a chegar, mas ainda está repleto de arestas a serem aparadas (alguns desses problemas constituem conflitos pessoais do herói que até são coerentes), reparos estes que não vão acontecer antes da estreia de Defensores no mês de agosto.

Punho de Ferro
Criação: Scott Buck
Ano: 2017
País: EUA
Gênero: Ação/Crime
Duração – Temporada 1: 13 episódios (cada um com 52 minutos em média)

Cinema | Mulher-Maravilha

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Eu cresci lendo gibis e revistas sobre histórias em quadrinhos. Era muito comum – e desestimulante também – ler reportagens que faziam previsões muito pessimistas sobre a possibilidade de levar para os cinemas especificamente dois personagens: Wolverine e Mulher-Maravilha. Foi, portanto, muito bacana ver os anos passando e constatar que as previsões – nos dois casos – estavam erradas.

No caso da Mulher-Maravilha, foram mais de 70 anos até que a indústria cinematográfica fosse capaz de fazer jus à personagem feminina mais icônica do mundo dos super-heróis. Criada por William Moulton Marston em 1941, Diana de Themyscira, princesa, amazona, semideusa, foi, durante muito tempo, o único contraponto feminino em um mundo dominado por homens, por heróis. Por isso mesmo, em muitos momentos, foi motivo até mesmo de piadas, embora, mesmo secretamente, nas mentes de muitas meninas, ela alimentasse a emancipação feminina. O seu “sacrifício” foi reconhecido: Mulher-Maravilha é embaixadora honorária da Organização das Nações Unidas (ONU), tem o seu dia – 21 de outubro é o Dia Internacional da Mulher-Maravilha – e é, até hoje, uma das maiores representações femininas da cultura pop mundial.

Cinema

Tudo isso constitui motivo mais do que suficiente para alimentar muita expectativa em torno do filme da princesa amazona. E a produção dirigida por Patty Jenkins não decepcionou os fãs. Da série de TV protagonizada pela bela Linda Carter nos últimos anos da década de 1970, até a aventura estrelada pela atriz e modelo israelense Gal Gadot, Mulher-Maravilha cresceu em conteúdo, ganhou conotação social importante, e alcançou papel de destaque nos debates em torno do empoderamento feminino.

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Linda Carter, a Mulher-Maravilha na TV

Em termos cinematográficos, o filme tem se mostrado uma experiência bem-sucedida (mais de 500 milhões de dólares arrecadados em bilheteria até o momento) também por seus méritos técnicos, bem como aqueles diretamente relacionados ao processo de transposição positiva de um personagem das histórias em quadrinhos para a sétima arte. Gal Gadot ressignifica o conceito de Mulher-Maravilha, atualiza sua feminilidade, para isso em muito auxiliada por uma equipe eficiente, que soube aproveitar as referências da personagem original e trabalhar em cima de uma matéria-prima que já era muito boa.

Ganha força no filme o misto de inocência e força concentrada na Mulher-Maravilha personificada por Gal. Ela não esmaga o Steve Trevor interpretado por Chris Pine, porém envolve toda a estrutura do filme de forma muito marcante, sem medo de imprimir o seu toque à personagem.

Todas as mulheres do filme se unem na missão de dar poder ao sexo feminino. Seja pela habilidade marcial de Hipólita (Connie Nielsen) e Antiope (a excelente Robin Wright, da série House of Cards, é uma atração à parte nas batalhas da ilha de Themyscira), seja na tímida participação da secretária Etta (Lucy Davis), ao mesmo tempo cômica, mas esforçada em seu ofício. O antagonismo da Dra. Maru, na pele de Elena Anaya, constitui a primeira barreira, mesmo que indiretamente, no caminho de Diana.

O mal em toda parte

Sem dúvida, é um ponto forte do filme a maneira pela qual o mal disseminado na humanidade é retratado. Ao contrário da ideia ingênua de Diana, Ares, o deus da guerra e a personificação do mal, não está apenas encarnado no militar alemão Ludendorff, mas está presente em cada ser humano, o que confere força ao verdadeiro Ares, capciosamente oculto sob outra identidade. A complexidade demonstrada pelo enredo, ao fazer a heroína perceber que não é possível, literalmente, exterminar o mal pela raiz é uma das grandezas do filme, o que o faz ultrapassar o maniqueísmo simples.

Ao confronto entre bem e mal, contrapõem-se as cenas de humor e de romantismo discreto protagonizadas por uma princesa Diana que é livre para viver suas emoções (não apenas as suas lutas) – mais um passo na direção de um exercício de feminilidade que deve ser a inspiração de toda mulher.

Ficha técnica
Mulher Maravilha
Direção: Patty Jenkins
Ano: 2017
País: EUA
Gênero: Aventura
Duração: 2h21min
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Elena Anaya, Lucy Davis

Série | Tokyo Diner, Midnight Stories

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Uma pequena nota sobre esse seriado tão singelo. A concepção de Tokyo Stories… me lembrou demais a ideia do mangá Gourmet (já resenhado aqui), de Jiro Taniguchi & Masayuki Qusumi. E me trouxe ainda mais lembranças dos anos em que trabalhei em um jornal para a comunidade japonesa no Brasil. Toda semana, publicávamos uma receita de culinária asiática no suplemento de variedades (no qual eu trabalhava). Ou seja, muita memória afetiva e profissional envolvida.

A ideia dos episódios é simples: o pequeno restaurante do “Mestre” – forma pela qual o protagonista é referido pelos frequentadores – é o ponto de partida para as mais diversas histórias que, em episódios de menos de 30 minutos cada, contam um pouco da vida de seus clientes. O Tokyo Dinner funciona da meia-noite às 6 da manhã e, apesar de ser um estabelecimento trivial para os padrões da culinária japonesa, tem público fiel.

O segredo da série, aliás, está na simplicidade, nas histórias do dia a dia de uma sociedade asiática tipicamente moderna, com suas peculiaridades e seu interessante hábito de relacionar o ritual da alimentação do prato favorito a um grupo de memórias afetivas que confere à série um grupo de episódios com histórias bastante interessantes. A comida favorita é o fio condutor de capítulos importantes de cada personagem que dá o tom de cada episódio de Tokyo Diner – Midnight Stories.

Relação dos episódios:

lamen;
corn dog;
tonteki;
omuraisu;
tamago;
umeboshi e vinho de ameixa;
fondue chinês;
– batata-doce refogada;
– presunto empanado;
– macarrão de ano-novo.

Para quem quiser entender mais sobre no que consiste cada prato listado acima, recomendo pesquisa no site do jornal ontem eu trabalhei, o Nippobrasil, que conta com uma seção bem legal sobre culinária oriental.

Trata-se de uma ótima série para encerrar um dia atribulado, com uma pegada sensível e que cria com o espectador uma relação que o faz aguardar, com o grau ideal de ansiedade e espera, as próximas temporadas.

Tokyo Diner, Midnight Stories/Shinya Shokudo
Criação: Yaroo Abe
Ano: 2009
País: Japão/EUA
Gênero: Drama
Duração – Temporada 1: 10 episódios (cada um com duração de 25 minutos em média)

Série | Luke Cage

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“Antes de ser à prova de balas, ele é negro.” Esta foi uma das frases emblemáticas que, em mais de uma ocasião, marcou a trajetória do herói da Marvel Luke Cage, que ganhou a primeira temporada de sua série pela Netflix, rede de produção/distribuição de conteúdo de filmes e séries via streaming para assinantes.

As críticas à série foram muitas. Contrariamente às suas predecessoras, Demolidor e Jessica Jones, o ritmo da trama de Luke Cage começa de forma bastante morosa. O elenco é predominantemente negro, e os episódios são premiados com uma trilha sonora realmente muito boa. Tudo bastante coerente dentro da proposta oferecida pela série.

Confesso que assisti aos primeiros três episódios apenas impulsionada pela necessidade de conhecer melhor o personagem – que, aliás, combinou bastante com Mike Colter, que já o tinha apresentado em alguns episódios de Jessica Jones –, mas, de um dado momento em diante, eu me lamentei não ter tido a chance de ler HQs de Luke Cage antes ver o seriado.

Viés social

Como um diferencial em relação às produções individuais de Demolidor e Jessica Jones – os quais, ao lado de Cage e de Punho de Ferro, vão compor a série derivada Defensores (com estreia prevista para o segundo semestre deste ano) –, Luke Cage apresenta um acentuado teor sociopolítico. As constantes referências a personagens históricas da luta pela emancipação e igualdade racial, como Malcolm X e Martin Luther King, por exemplo, atribuem peso ao conteúdo dos episódios. Palmas para o roteiro bem estruturado e destemido, no que se refere a tocar em assuntos delicados, como raça, religião, criminalidade e política. Cage é um herói que carrega o peso de suas origens no Harlem, conhecido reduto sociocultural negro norte-americano, e de sua raça, fatores ainda vistos como socialmente agravantes.

A consistente personagem interpretada por Rosario Dawson, a enfermeira Claire Temple, mais uma vez atua como elo entre as séries, acumulando participações em Demolidor, em Jessica Jones e, agora, em Luke Cage. Se no seriado de Jessica a participação de Claire teve um gancho bastante artificial, em Luke Cage ela se revela crucial para o percurso do herói, atuando em 9 dos 13 episódios da temporada, superando de longe a participação da detetive Misty Knight, interpretada por Simone Missick, a qual eu espero que seja melhor aproveitada na segunda temporada, bem como em Defensores.

Apesar de ser uma criação da Marvel e de vir do mundo das histórias em quadrinhos, Luke Cage mantém fortemente os pés no chão, em uma realidade dominada por preconceitos tão mundialmente conhecidos ao longo de décadas, e suas pitadas de fantasia são diluídas em um drama interno extremamente humano. Seu heroísmo esbarra antes em suas deficiências como ser humano, para depois alcançar sua dimensão como super-humano. Que venha a segunda temporada.

Luke Cage
Criação: Cheo Hodari Coker
Ano: 2016
País: EUA
Gênero: Ação/Crime/Drama
Duração – Temporada 1: 13 episódios (cada um com 1 hora em média)

Série | Stranger Things

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A fórmula tinha tudo para dar certo: visual retrô da década de 1980, com um grupo de crianças nerds como protagonistas, um enredo cheio de elementos de ficção científica, temperado com a trilha sonora de nomes como The Clash, David Bowie, The Smiths e outros astros. Deu certo.

Com apenas oito episódios, os Duffer Brothers (os gêmeos Matt e Ross, roteiristas e diretores) emplacaram a nova sensação do momento no concorrido mundo dos seriados: Stranger Things – um título bem sugestivo para um argumento que gira em torno de experimentos de laboratório, teorias científicas de mundos alternativos e criaturas melequentas como aliens, tudo isso alinhavado por um grupo de crianças carismáticas que tentam, com toda a inocência da idade, resolver um mistério proposto já em seu primeiro capítulo: o desaparecimento do garoto Will Byers (Noah Schnapp).

Para completar a fórmula de sucesso da série, mais dois elementos foram fundamentais: a aposta de trazer de volta ao show business grandes atores surgidos nos anos 80 e que praticamente desapareceram de forma tão retumbante quanto se consolidaram como promessas: Winona Ryder, que interpreta de forma brilhante Joyce Byers, a mãe desesperada do garoto desaparecido, e Matthew Modine, muito eficiente no papel do “vilão” Dr. Martin Brenner.

Tudo foi pensado de maneira bastante coerente para que Stranger Things se tornasse um sucesso de forma tão rápida. Os episódios trazem a dinâmica dos saudosos filmes da melhor fase da Sessão da Tarde e do Supercine, como Os Goonies, Os Garotos Perdidos, ET e até mesmo Curtindo a Vida Adoidado, entre outros. Há uma problemática envolvendo protagonistas que cativam o espectador – no caso da série, adoráveis garotos nerds auxiliados por uma menina que é praticamente uma X-Man (telepata e telecinética); bem como um mistério alimentado a cada novo capítulo, com ganchos criados cuidadosamente para incitar cada vez mais a curiosidade do público.

Fontes

Stranger Things bebe principalmente nas fontes de Steven Spielberg, Stephen King, John Carpenter e Joel Schumacher e pulveriza em seu enredo referências de grandes clássicos, como ET, Rambo, Alien e jogos de RPG – a referência clara a Dungeons Dragons logo no primeiro capítulo é bastante destacada. São constantes também as menções a super-heróis de histórias em quadrinhos, ficção científica e alienígenas, elementos que constituem o grande interesse dos amigos Will, Lucas (Caleb MacLaughlin), Mike (Finn Wolfhard) e Dustin (Gaten Matarazzo), os quatro garotos escolhidos a dedo para segurar a atenção do público, com a ajuda da estranha “El”, ou Eleven, a garota-superpoderosa (Millie Bobby Brown) – sem dúvida, as crianças são a grande sacada da produção.

A série, como um todo, é muito bem ambientada – a trama, oficialmente, ocorre em 1983, na cidade norte-americana de Indiana. Para dificultar a solução do enigma e dar mais emoção ao processo de desenvolvimento do enredo, David Harbour interpreta o intrigante delegado Jim Hopper, afetado pela perda prematura de sua única filha, vítima de um câncer, e entregue ao álcool depois da dissolução de seu casamento – elementos que tendem a atrapalhar a realização de seu trabalho como policial.

Mais uma vez, a Netflix – rede distribuidora de Stranger Things – acerta ao incluir a criação dos Duffer Brothers em seu catálogo. A recepção da série foi extremamente positiva, e uma nova temporada já foi confirmada, com previsão de lançamento para daqui a dois anos. Contudo, com um elenco fortemente baseado em crianças, não se sabe como isso será resolvido em uma nova temporada, dado o rápido crescimento dos jovens atores. Mais um mistério para aumentar a expectativa pelo retorno da série.

Stranger Things
Criação: The Duffer Brothers
Ano: 2016
País: EUA
Gênero: Aventura/Ficção
Duração – Temporada 1: 8 episódios (cada um com 50 minutos em média)