Arquivo da categoria: Coleção Agatha Christie

Cinema | Assassinato no Expresso do Oriente

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Cartaz da versão de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente está entre os maiores romances de Agatha Christie. Vários fatores colaboram para isso: seu vínculo com um crime real; a brilhante mecânica do assassinato construído pela autora nas páginas do livro; e a genialidade de Hercule Poirot, em condições totalmente adversas, são alguns deles.

Em termos cinematográficos, também são bem-sucedidas as adaptações mais conhecidas desse livro: a de 1974, dirigida por Sidney Lumet e elenco estelar, com seis indicações ao Oscar (levando a estatueta de melhor atriz coadjuvante para Ingrid Bergman), e a de 2010, episódio especial da série da BBC para comemorar os 120 anos de nascimento de Agatha Christie, com o ótimo David Suchet no papel de Poirot.

2017: elenco e enredo

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Cartaz da versão de 1974

Este ano, mais uma versão chegou às telas do cinema para “engrossar o time”. O ator, diretor e dramaturgo inglês Kenneth Branagh assumiu o desafio de não apenas dirigir, mas também protagonizar Assassinato no Expresso do Oriente em sua mais recente releitura. Seu Hercule Poirot passa longe da tentativa de aproximação com as interpretações de seus antecessores e, seguindo a mesma linha, sua direção leva o enredo a novos caminhos, apresentando uma nova forma de contar a mesma história.

Ainda não temos o devido distanciamento histórico para avaliar o peso do elenco de 2017, mas não há dúvida de que Branagh escolheu um bom time para sua versão. A despeito da grande dificuldade de encarar a delicada tarefa de reinterpretar os papéis consagrados pelo elenco espetacular de 1974, uma análise preliminar já é suficiente para constatar que o time de 2017 consegue desempenhar bem o seu papel, justamente pelo fato de que as mudanças incluídas nesta nova versão criam certo grau de independência em relação às montagens anteriores.

Entre os personagens, algumas trocas, algumas adaptações. Em uma manobra ousada, a Greta Ohlsson de Ingrid Bergman (1974) dá lugar a uma tão religiosa quanto Pilar Estravados, interpretada por Penélope Cruz (2017). O Coronel Arbuthnot de Sean Connery, em 1974, transforma-se na pele do ator negro Leslie Odom Jr., dando ao diretor a oportunidade de tocar no delicado assunto do racismo, implacavelmente levado a cabo pelas falas do misterioso Hardman, interpretado por Willen Dafoe.

Ritmo

A versão de 2017 deixa muito clara a preocupação do diretor em relação ao ritmo da história. Apesar de funcionar muito bem em forma de livro, a restrição de ambientes em tom ligeiramente claustrofóbico de Assassinato no Expresso do Oriente poderia não cair muito bem nas telas do cinema. A versão de 1974, muito fiel ao livro, apresenta claramente esse obstáculo, com praticamente todas as cenas ocorrendo dentro do trem, a partir do momento em que esse luxuoso veículo deixa a estação.

Em 2017, Kenneth Branagh cria situações para dinamizar o enredo, levando algumas cenas para fora do trem, realizando perseguições ao longo dos vagões e reservando o momento da resolução do crime para o ambiente externo. Todas essas variações foram atitudes corajosas do diretor, pois claramente quebraram o ritmo original da história, conferindo à sua versão toques de ação no melhor estilo blockbuster hollywoodiano. Para o bem e para o mal, Branagh buscou adaptar uma história antiga para tempos modernos, tentando torná-la palatável ao gosto de uma nova geração de espectadores com dificuldade de concentração e, consequemente, grau de atenção frequentemente comprometido – durante a sessão, vi algumas pessoas deixando a sala do cinema bem antes do fim.

Mrs. Hubbard

Os holofotes privilegiaram bastante a personagem de Michelle Pfeiffer. Se, em 1974, Lauren Bacall já tinha imprimido charme e personalidade à sua Mrs. Hubbard, em 2017, Kenneth Branagh criou várias oportunidades para Michelle Pfeiffer brilhar com uma interpretação forte, em cenas de teor dramático bastante impressionantes. É de se ressaltar a forma como Pfeiffer abraçou a “causa” de sua personagem, abrindo mão da vaidade para dar mais veracidade à sua interpretação, especialmente em suas cenas finais. Não será uma surpresa se sua Mrs. Hubbard lhe render alguns prêmios.

Poirot

Infelizmente, Agatha Christie não pode nos fornecer sua avaliação sobre o trabalho de Kenneth Branagh – ela prestigiou a estreia da versão de 1974 e, apesar de ter aprovado o filme, não gostou da interpretação de Albert Finney como Hercule Poirot. Para mim, a melhor releitura de Poirot ainda é a de David Suchet, na série da BBC, muito embora Kenneth Branagh tenha me surpreendido com seu competente trabalho, não apenas como diretor, mas também como um Poirot atualizado dentro de sua proposta para a versão de 2017.

Ficha técnica
Assassinato no Expresso do Oriente
Direção: Kenneth Branagh
Ano: 2017
País: EUA
Gênero: Drama; Mistério; Suspense
Duração: 114 minutos
Elenco: Kenneth Branagh, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Derek Jacobi, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Daisy Ridley, Lucy Boynton, Sergei Polunin, Judi Dench, Olivia Colman, Leslie Odom Jr., Tom Bateman, Marwan Kenzari, Manuel Garcia-Rulfo

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Breves comentários – Agatha Christie: O mistério de Sittaford

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Esse livro chamou minha atenção desde que li a sinopse e soube que, desta vez, a Dama do Crime usaria de “expedientes esotéricos” em seu enredo.
O que a tradução chamou de “mesa girante”, mas que também encontra equivalentes na “brincadeira do copo” e na “tábua dos espíritos”, por exemplo, foi o ponto de partida para o assassinato a partir do qual se desenvolve toda a trama. Um chamariz até interessante, porém não mais do que isso.
Personagens muito interessantes, como a intrépida Emily Trefusis (que me lembrou a Budle de “O segredo de Chimneys” e “O mistério dos sete relógios”), a Sra. Percehouse e o ambicioso jornalista Charles Enderby contribuem para deixar a história mais dinâmica, muito embora a leitura tenha me deixado a impressão de que, neste livro, Agatha Christie só precisou rechear a história de informações e confundir o leitor para a ideia dar certo.
Dessa vez, a motivação me pareceu fraca, e a argumentação não sustentou muito bem a história. Na verdade, tive a impressão de que Emily Trefusis se tornou maior do que a trama em si (o inspetor Narracott desaparece completamente diante da astúcia da moça), o que talvez até justificasse o aproveitamento da personagem em outras histórias, assim como ocorreu com Budle. Infelizmente, parece que Agatha Christie não levou essa ideia adiante, e Emily ficou apenas nas páginas do enredo de Sittaford.

Breves comentários – Agatha Christie: Treze à mesa

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O enredo desse livro é bastante didático. Ao longo das páginas e no decorrer dos acontecimentos, Hercule Poirot vai organizando a solução do enigma em perguntas que precisam ser respondidas para a descoberta do assassino. E trata-se de um assassino bastante ousado, inescrupuloso e frio, com três vítimas no decorrer da história.

Quando o criminoso se dispõe a cometer um crime, a primeira coisa com que se preocupa é em ludibriar. Quem ele procura ludibriar? A imagem que tem na ideia é a do homem normal. No fundo, é provável que tal coisa não exista… que seja uma abstração matemática.” (pág. 128)

O mais interessante é que, mesmo sendo essa trama tão didática, eu não consegui desvendar o mistério, muito pelo contrário, tudo é bastante complexo; coerente, mas extremamente complexo. Há tantos indícios e tantos suspeitos! Esse livro é dos que mais exploram a questão de personalidade dos personagens, o psicológico envolvido na execução de crimes – aliás, a análise psicológica é o maior recurso da investigação de Poirot e, mais uma vez, isso se mostrou eficaz no esclarecimento dos fatos.

O título da história parte de uma estranha superstição, de que, quando estão 13 pessoas à mesa, a primeira delas a se levantar é a que vai morrer. Assim, desenvolve-se uma linha de raciocínio engenhosa, porém ilusória. Cabe a Poirot abrir os olhos de seu amigo, o Capitão Hastings (o narrador da história) e fazê-lo compreender a verdadeira trama, afastando os dados falsos dos dados verdadeiros. Sem dúvida, um bom livro, capaz de reviravoltas e com um fim surpreendente!

Breves comentários – Agatha Christie: Os quatro grandes

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Mas que livro singular! De fato, merece uma menção especial entre toda a produção da Dama do Crime. Os quatro grandes apresenta uma série de peculiaridades em sua trama, e isso torna seu enredo algo digno de nota. A narração da história é feita pelo Capitão Hastings (o melhor amigo de Poirot), o que já confere um tom no mínimo humorístico à trama. Sua ingenuidade estabelece um contraponto incrível à personalidade astuta de Poirot. Fiz uma breve pesquisa e lembrei que já li outros três livros contados pela ótica de Hastings: O misterioso caso de Styles, Assassinato no campo de golfe e Os crimes ABC.

Um ponto muito interessante dessa leitura foi que, pela primeira vez (que eu me recorde), vi Poirot ter sua vida diretamente ameaçada pelo inimigo. E, dessa vez, são quatro mentes criminosas as quais o pequeno e brilhante detetive belga precisa confrontar. Isso faz com que, em um determinado momento da história, um artifício realmente impressionante surja no livro: dois Poirots!!! Não vou dar mais spoilers aqui, mas foi simplesmente espetacular esse recurso e a forma como isso se desenvolveu no decorrer da trama – sem dúvida, constituiu um diferencial entre tantos livros escritos por Agatha Christie.

Por fim, outro ponto que merece bastante destaque é o fato de que esse livro é repleto de referências históricas, não apenas em relação a eventos como a Revolução Russa, por exemplo, como também a personalidades como Marie Curie. Também é válido enquanto curiosidade o fato de que esse livro foi escrito em 1927 e já cogita o perigo da energia atômica por meio das experiências de Madame Olivier, a qual ficticiamente, seria a sucessora de Marie Curie no mundo das ciências. A Dama do Crime, de fato, foi uma mulher à frente do seu tempo.

Breves comentários Agatha Christie – O segredo de Chimneys & O mistério dos sete relógios

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Eu fiz uma confusão geral com o livro que havia separado para a próxima leitura do Projeto Agatha Christie. Inicialmente, eu tinha escolhido O mistério dos sete relógios – achei o título instigante. Entretanto, no decorrer da leitura, fui percebendo uma série de referências a um livro anterior de Dame Agatha, chamado O segredo de Chimneys (o qual eu ainda não havia lido). Lá pelo capítulo 15 de O mistério dos sete relógios, eu já não aguentava mais as referências ao livro precedente e decidi interromper a leitura para pegar O segredo de Chimneys. Para mim, não há dúvida de que ler os livros na ordem correta funciona muito melhor para a compreensão das tramas – quando há interligações, é claro. Assim, parei tudo e fui para o livro anterior.

Em comum, as duas histórias têm não apenas o cenário (a imponente propriedade chamada de Chimneys, herança de uma família poderosa, de origens nobres e títulos hierárquicos) e vários personagens.

Se em O mistério dos sete relógios a ação demora um pouco para se desenrolar – começa como uma história mais descompromissada –, em O segredo de Chimneys os contornos de uma elaborada trama internacional envolvendo um país fictício e vários segredos de Estado já se desenham logo nas primeiras páginas, imprimindo um ritmo intenso ao enredo. Contribui para isso as características do protagonista deste livro, Anthony Cade, muito carismático e aventureiro, que impõe uma dinâmica imediata à história.

misterio_sete_relogio_9788525429292_9788525428325_mEm comum, as duas tramas têm a presença do Superintendente Battle, que conduz as investigações (não necessariamente da mesma forma) nos dois livros. Algo interessante que me ocorreu no decorrer dessas duas leituras foi a constatação da semelhança entre Battle e o Comissário Jules Maigret, famoso detetive criado pelo belga Georges Simenon. Como também estou lendo as aventuras de Maigret, rapidamente me chamou a atenção o traço calado, o porte avantajado e a forma de trabalho que aproximam Battle e Maigret. O curioso foi que, no ano passado, li Hora Zero (em minha opinião um dos melhores livros de Agatha Christie), também com a participação do Superintendente Battle, mas a sua semelhança com Maigret não me ocorreu – provavelmente porque, àquela altura, eu havia lido apenas um livro ou dois protagonizados pelo comissário francês. Fato é que Dame Agatha não pode ter “bebido na fonte” de Simenon, porque Battle foi criado antes de Maigret – o inverso, entretanto, é possível.

Outro ponto que me chamou a atenção na interligação de O segredo de Chimneys e O mistério dos sete relógios foi a participação comum de alguns personagens que não são os detetives conhecidos de Agatha Christie. Isto é, além do Superintendente Battle (que está em outros livros da autora), os seguintes personagens “civis” participam dos dois livros: Lady Eileen Brent (Bundle); Bill Eversleigh; Tredwell (mordomo dos Caterham); George Lomax; e Lorde Caterham. Francamente, eu não me lembro de se repetir em outros livros da Rainha do Crime essa participação de personagens “comuns”: geralmente, repetem-se as participações dos investigadores, como Poirot, Miss Marple, Ariadne Oliver, Superintende Battle, enfim. O interessante dessa ideia foi que ela funcionou, os dois livros são muito bons, e os personagens que se repetem são cativantes, ou seja, foi um acerto da autora retomá-los anos depois – O segredo de Chimneys é de 1925 e O mistério dos sete relógios é de 1929.

Mais adiante, pretendo escrever um post que será meio que um panorama das leituras que fiz até o momento neste Projeto Agatha Christie, mas adianto que estes dois livros, até o momento, merecem destaque entre as melhores obras da autora, tanto por suas peculiaridades como também por suas tramas inteligentes e surpreendentes.

Breves comentários – Agatha Christie: E não sobrou nenhum

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Creio que este livro tenha sido o último dos chamados “blockblusters” da produção literária de Dame Agatha que faltava entrar para a minha lista de “lidos”. Propositadamente, eu o deixei para o fim e intercalei vários outros “medianos” antes de chegar a esse título, justamente para tentar ser o mais imparcial possível com a leitura desse clássico que, antigamente, foi chamado de O Caso dos Dez Negrinhos. Entretanto, preciso dizer que esse livro não me arrebatou. Sim, foi uma leitura intensa, rápida, porque o ritmo do livro é assim e estimula o leitor, mas as soluções me pareceram um tanto esdrúxulas. A explicação para a morte de Vera Claythorne, definitivamente, não me convenceu e, para mim, pôs abaixo todo o esquema do assassino. Se, por um lado, é admirável a dinâmica que Agatha Christie consegue dar ao enredo, por outro, não posso deixar de pontuar que há várias arestas na trama de E não sobrou nenhum que acabam tirando um pouco do brilho do livro. Merece uma “menção honrosa”, mas não vale um lugar no Top 5.

Breves comentários – Agatha Christie: Cipreste triste

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Que surpresa foi a leitura deste livro! Acredito firmemente que “inesperado” seja a melhor palavra para definir esta obra de Dame Agatha. E isso não se deve à singularidade do crime, ou a alguma “inovação” no que se refere ao assassino, nada disso. O jogo de diálogos e a carga psicológica em Cipreste triste são simplesmente sensacionais. De que tenho lembrança, de todos os livros que li da Dama do Crime até o momento, o capítulo 18 deste aqui traz o melhor diálogo que já visto entre Poirot e um suspeito. As proposições são ótimas, o bate-pronto de pergunta respondida com outra pergunta, a perspicácia tanto de Elinor Carlisle (a suspeita) quanto de Poirot (que está fantástico neste livro, quebrando seus próprios paradigmas em alguns momentos!), tudo isso faz deste capítulo um dos melhores que já li de Agatha Christie.

No decorrer da leitura, “troquei de suspeito” três vezes, mas o que de fato me fascinou foi como a autora conseguiu justificar um assassinato aparentemente “simples” (porém de execução minuciosa) com uma motivação pra lá de elaborada. Como dizem os livros policiais, sem motivo, não há crime. E, em Cipreste Triste, o mistério da motivação dá todo o respaldo de que o livro precisa para estar, em minha opinião, entre os melhores da Dama do Crime.

Breves comentários – Agatha Christie: A casa torta

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A primeira coisa que me ocorre sobre este livro é o fato de ele ter me perturbado bastante. Quando finalizei a leitura, fiquei com uma sensação pesada, fiquei impressionada, na verdade. A natureza criminosa abordada em A casa torta foi novidade para mim. Diferente de todos os outros livros da Dama do Crime que li até o momento. Também preciso destacar que me desagradou bastante a ingenuidade (e até falta de inteligência, pode-se dizer) do personagem narrador, que, apesar de bem intencionado, não conseguiu cumprir com aquilo que eu esperava dele para a resolução dos crimes. Entretanto, a leitura vale a pena, principalmente pela engenhosidade de Agatha Christie na escolha do criminoso. Está longe de ser o meu livro favorito, mas, sem dúvida, tem o seu valor por suas peculiaridades.

Breves comentários – Agatha Christie: Seguindo a correnteza

A principal lembrança que a leitura deste livro me deixou foi a de, pela primeira vez, ter visto alguém passar a perna no brilhante Hercule Poirot. Sério mesmo! Esse episódio provocou, inclusive, altas risadas durante a leitura, o que acabou trazendo certa dinâmica ao desenvolvimento do enredo, porque a história desse livro demora um tanto para deslanchar. Confesso que eu fiquei um pouco ansiosa para que tudo começasse a se desenrolar. Por outro lado, o nível de suspense que Agatha Christie consegue criar nesse enredo é muito interessante, intriga o leitor. Fora isso, vale destacar que, depois de ter pisado na casca de banana, Poirot recupera-se e soluciona brilhantemente o enigma. Não é a melhor criação da Dama do Crime, mas se destaca por essa falha de seu melhor detetive.

Breves comentários – Agatha Christie: O Natal de Poirot

Fiquei um tanto decepcionada com este livro, porque o fato, em si, de o crime ocorrer muito próximo da festa natalina praticamente não tem relevância para o andamento da história. As referências natalinas são citadas de forma bem tímida no andamento do enredo, que, inclusive, à primeira vista, parece bastante simples: o patriarca da família decide escrever para todos os filhos, pedindo-lhes para que venham celebrar o Natal com ele. Neste contexto, o Natal acaba funcionando como pano de fundo para o assassinato, mas não vai muito além. Poirot não é muito fã dessa data comemorativa, mas eu me lembro de que, em A aventura do pudim de Natal, Agatha Christie lança mão de mais tradições dessa época do ano e usa, nessa trama (também protagonizada por Poirot), artifícios diretamente ligados às comemorações natalinas na Inglaterra.

Registrado esse ponto, vamos a outras observações sobre o enredo de O Natal de Poirot: trata-se de uma trama recheada de personagens, um crime, muitos suspeitos, poucos álibis convincentes, mas muitas pistas. Uma coisa que não se pode negar é isso: no decorrer da narrativa, Dame Agatha oferece muitas dicas ao leitor. Eu não sei como demorei tanto para descobrir o assassino (isso só aconteceu nas páginas finais, pouco antes de Poirot reunir todos os envolvidos na sala para começar a sua explanação). A trama é muito bem feita, é consistente, e não posso deixar de dizer que fiquei muito satisfeita por também ter solucionado o crime, mesmo que tardiamente 🙂