Leitura | A trilogia de Nova York

Capa maravilhosa de Art Spiegelman (o mesmo de Maus)

Quando tirei esse livro da estante, estava em busca de um bom livro policial. Fazia já um tempinho que não lia nada desse gênero, então me pareceu uma boa oportunidade. Lógico que me enganei. O que Paul Auster faz em A trilogia de Nova York é algo muito mais elaborado do que uma simples trama policial. Para mim, é um complexo e muito bem feito suspense psicológico.

Uma estrutura aparentemente simples

De início, encarei as três histórias como independentes entre si. “Cidade de vidro”, “Fantasmas” e “O quarto fechado” foram originalmente publicadas em separado, pelo que soube, e só mais tarde os editores tiveram a ideia de reunir tudo em um só volume.

A grata surpresa é – alerta para spoiler! – entender no fim da leitura que as três partes se completam e formam um todo de sofisticada constituição. Há personagens que se relacionam entre as histórias, há fatos que se interligam, e na verdade tudo é muito mais complicado – e bem montado – do que se pode imaginar.

Depois de cair da cadeira ao me deparar com o próprio autor como personagem da primeira trama do livro, admito que senti certo incômodo durante a leitura. Achei brilhante a sacada, e o autor deixa pontos que ficam martelando no decorrer das páginas. Auster é maravilhoso por conseguir provocar o leitor, fazê-lo brigar com os personagens, discutir com eles e depois ficar estarrecido com a derrocada final. Também fiquei impressionada com a quantidade de referências que aparecem no decorrer do enredo. De fato, é enriquecedor o texto de Auster não só por sua qualidade literária, mas também pelo repositório de informações de cultura geral que ele oferece. Anotei uma porção de coisas e fui pesquisar depois só para ficar boquiaberta. Auster, sou amadora e quero ser como você quando eu crescer J

BBC World Book Club

Pra complementar a leitura, segui a indicação de um rapaz no Skoob que me enviou um comentário sugerindo o episódio do podcast BBC World Book Club no qual Paul Auster é entrevistado justamente para falar sobre A trilogia de Nova York. Fazer isso serviu pra duas coisas: treinar o inglês e me tornar ainda mais fã desse cara.

Auster respondeu educadamente a muitas perguntas de leitores de várias partes do mundo e mostrou não ser afetado. Pelo contrário, é um sujeito simples, que não enfeita as coisas, explica tudo de forma clara e, quando não há algo a ser dito, não tem medo de esclarecer isso. Afinal, no processo de criação, algumas coisas são como são e pronto.

Suas principais referências até hoje são Shakespeare, Dickens e Montaigne, os quais lê de tempos em tempos. Fora isso, explicou que coisas do cotidiano servem como ponto de partida para seus textos e, em alguns casos, até adapta determinados acontecimentos para suas tramas. Em resumo, Paul Auster faz parecer simples algo extremamente bem construído e talentosamente escrito. Achei genial.

A trilogia de Nova York
Paul Auster
Tradução de Rubens Figueiredo
Companhia das Letras
1999
338 páginas

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