Irmãos Encrenca | O fantástico homem do metrô

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Curioso. Esta é a releitura de um livro do qual eu não tinha muito boas lembranças, mas, como estou revendo todas as aventuras dos Irmãos Encrenca, e esta é a quarta aventura do trio, embarquei nessa leitura e desfiz todas as impressões daquele meu primeiro contato com o livro.

O fantástico homem do metrô é uma história interessante, inteligente e, sem dúvida, acrescenta mais uma peça no quebra-cabeça da trajetória de Marco, Eloís e Isabel, pois, neste livro, a autora defende a causa ecológica, com uma trama que privilegia a preocupação com a natureza, em um enredo que mescla as intrigantes sociedades secretas, os lobbies governamentais, ficção científica e personalidades reais, como Marcos Rey, Ruth Rocha, Álvaro Alves de Faria e outros grandes nomes.

“– Já pensou se houver uma sindicância para apurar de onde vieram essas coisas?
– Ninguém pode nos culpar, Doutor Marmilho, pela invasão da cidade por um bicho que não existe – respondeu Silésio exasperado.
– É porque você não é político! Já pensou perder as eleições por causa de um fantasma e de um bando de monstrengos?
– De que eleições o senhor está falando, senhor diretor?
– Eu sou candidato à academia de candidatos a futuros candidatos e já estou praticamente eleito!
– Meus parabéns, Doutor Marmilho.” (p. 95)

Por esse trechinho já dá para perceber o tom irônico e bem-humorado que Stella Carr utiliza para conduzir a história.

Dois fatores me chamaram especialmente a atenção durante a leitura. O primeiro deles tem a ver com o recurso narrativo empregado pela autora. Além de mesclar personagens fictícios com pessoas reais, Stella Carr brinca com a metalinguagem, como no momento em que o ilustrador Jesus Dias é atacado pelas criaturas mutantes no momento em que trabalhava na produção das ilustrações para o livro – supostamente. Essa “jogada” da autora torna a narratividade da trama extremamente interessante, além de aproximar o leitor do processo de composição da obra.

O segundo ponto desafiador desse livro foi o momento no qual Eloís recusa o convite da Ordem da Chave e da Estrela – desculpem o spoiler. Ao dizer “não” para o sábio grão-mestre, a autora corre um alto risco e põe um de seus protagonistas em uma delicada situação, pois, em tese, ele perde uma chance direta de lutar pela preservação da natureza com o respaldo das ordens secretas. Contudo, o jovem, ao lado dos irmãos, opta por continuar oferecendo ajuda a causas justas “sem ser em segredo”. É muito interessante observar essa fuga da obviedade, afinal, depois de toda a investigação empreendida por Marco, Eloís e Isabel, poderia ser uma solução natural que um deles se tornasse um representante das novas gerações no Conselho dos Invisíveis.

No próximo post sobre os Irmãos Encrenca, o quinto livro da série: O caso do sabotador de Angra!

O fantástico homem do metrô
Stella Carr
Editora Moderna
111 páginas – 1992

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