Discworld | Estranhas irmãs (1988)

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Este volume traz o retorno de Vovó Cera do Tempo – protagonista do terceiro livro da série (e um dos melhores até aqui), Direitos iguais, rituais iguais –, com o acréscimo da participação de Tia Ogg e a jovem Margrete Alho. Juntas, elas dão o título ao livro, são as “estranhas irmãs” bruxas de Lancre, pequeno reinado do planeta Disco.

Identifiquei nesse livro mais referências intertextuais do que nos outros até então lidos do universo Discworld. Acredito que isso se deva, muito provavelmente, ao caráter “encantado” da história. Terry Pratchett não perdoa as fadas dos contos famosos, como a Fada Madrinha da Cinderela (conhecida no Disco pelo nome de Negra Alisse), a bruxa de João & Maria (que, no fundo, é a forma envelhecida de Negra Alisse) e nem mesmo Shakespeare fica de fora. Isso porque Tomjon, o bebê salvo no dia do assassinato do rei de Lancre, torna-se um ator convicto, capaz de convencer qualquer pessoa a fazer qualquer coisa, graças aos seus dons dramáticos. O nascimento de Tomjon é uma releitura do nascimento de Aurora, a Bela Adormecida, com direito aos dons das fadas (nesse caso, das bruxas), feitiço do tempo e tudo mais.

Trajetória

O tempo todo, os famosos contos de fadas servem de base para a trama de Terry Pratchett. Estabelece-se uma relação íntima entre teatro e contos de fadas. Quando a trupe do teatro decide se fixar em um local e construir o seu próprio teatro, nomeando-o como Disco, a referência é clara ao teatro Globo de Shakespeare. Os atos dramáticos das peças do grupo, protagonizadas pelo talentoso Tomjon, são uma homenagem às famosas obras do Bardo.

A evolução do grupo teatral caminha lado a lado com a sofisticação da feitiçaria das bruxas. Ao longo da história, Vovó, Tia Ogg e Margrete precisam se esmerar em suas técnicas para garantir o cumprimento da profecia do reino de Lancre. O desafio das bruxas é combater as artimanhas do Duque Felmet e de sua pérfida esposa (assassinos do Rei Verence de Lancre) para que o reino tenha em seu trono alguém que, de fato, ame suas terras – literalmente.

E, no meio do caminho…

Tinha um bobo da corte não tão bobo assim e um anão dramaturgo. Um prato cheio para a história do fantasma rei Verence (pai de Tomjon), que mais parece uma tragédia shakespeariana. Como se não bastassem as três espirituosas bruxas, o leitor ainda tem a seu dispor vários outros personagens peculiares, com hábitos ainda mais peculiares.

Hwel, o anão-escritor, é o personagem por meio do qual Pratchett brinca com a metalinguagem, com a história do livro se reescrevendo no meio do caminho e encenada no palco do teatro, com direito à presença do Morte (um dos meus personagens favoritos) no elenco!

Tia Ogg

Não posso deixar de destacar a entrada de Tia Ogg na trama. Uma bruxa extremamente carismática, bem-humorada e experiente. O maior ativo adicionado no enredo por Terry Pratchett neste ponto do Discworld, sem dúvida, foi Tia Ogg. Com seu rosto enrugado, seus 15 filhos e seus não-sei-quantos netos e bisnetos, a melhor amiga de Vovó Cera do Tempo (até as melhores amigas quebram o pau de vez em quando…) protagoniza os melhores diálogos e passagens da história! Elas são o oposto uma da outra e isso faz toda a diferença – duas personagens excelentes, as quais eu espero que não demorem tanto para retornar às páginas das histórias de Discworld…

Estranhas irmãs
Terry Pratchett
Tradução de Roberto DeNice
Conrad Editora
275 páginas

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