Maigret | A cabeça de um homem

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Este é o sexto livro que leio sobre os casos de investigação do comissário da Polícia Judiciária de Paris Jules Maigret e, sem dúvida, é o melhor de todos até o momento. Desde a abertura, com um início definitivamente inusitado para os padrões que conheço de Maigret, até as decisões que o comissário foi capaz de tomar para provar o seu ponto de vista.

Em A cabeça de um homem, o comissário volta a uma investigação feita meses antes para rever pontos de um duplo assassinato e se vê na contingência de voltar atrás em sua decisão sobre o culpado. A partir daí, Maigret envolve-se em uma maratona contra o tempo, pois dispõe de apenas dez dias para provar ao juiz de instrução que o homem que está condenado à morte pelos crimes é inocente.

A meu ver, até a dinâmica dessa história é maior do que a das anteriores. E há um ponto muito positivo: o leitor passa desesperadamente a torcer pela sorte do condenado, desejando que a metodologia introspectiva e lenta de análise dos fatos do comissário da polícia judiciária esteja correta, porque disso também depende o seu cargo:

Aquilo durou três dias. Ele agitou o fantasma do erro judiciário e do escândalo que estouraria mais cedo ou mais tarde.
– Mas foi o senhor mesmo que o prendeu!
– Porque, como funcionário da polícia, sou obrigado a tirar as conclusões lógicas das provas materiais.
– E como homem?
– Fico à espera das provas morais…
– E então?
– Ele é louco, ou inocente…
– Por que ele não fala?
– A experiência que proponho nos dirá.
Houve telefonemas, reuniões.
– O senhor está pondo em risco sua carreira, comissário! Pense bem!
– Está pensado.” (pág. 33)

Minha admiração por Maigret cresceu consideravelmente depois desse caso. E minha admiração por Simenon também, pois o autor se mostrou muito hábil na condução de um enredo cuja estrutura não corresponde à dos primeiro livros e, mesmo diante de um panorama diferente, vendo-se em risco, mas contando com a colaboração de colegas de trabalho que se provaram leais à sua palavra, Maigret conseguiu se manter firme e usou sua experiência para obter clareza de raciocínio quando isso mais foi necessário.

A cabeça de um homem
Georges Simenon
Tradução de Eduardo Brandão
Companhia das Letras
2014 – 145 páginas

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