Série Vaga-lume | Spharion

spharion

Muitos anos depois do primeiro contato que tive com este livro – na estante de casa, depois que meus irmãos o leram para a escola –, eu o retomo para uma releitura que foi, em certa medida, um processo revelador.

Não lembrava que a autora, a ótima Lúcia Machado de Almeida, usava o mesmo Inspetor Pimentel de O Escaravelho do Diabo para investigar os casos ocorridos em Diamantina, nesta aventura que leva como título o nome do vilão, e não o do mocinho. Spharion é um homem com poderes mentais sobrenaturais, potencializados com o uso de aparatos científicos, e que utiliza suas habilidades com objetivos megalomaníacos. Só o fato de o livro, voltado ao público infantojuvenil, levar o nome do vilão já me parece um tanto “subversivo” para a época em que ele foi lançado – fim da década de 1970. E, sem dúvida, isso torna tudo muito mais interessante.

A autora promove uma espécie de embate entre a ciência e o inexplicado, ao criar um protagonista com dons paranormais, chamado Dico Saburó. Ao rapaz cabe a missão de encontrar Spharion e parar seus planos. Há uma forte atmosfera de mistério no enredo, e as ações do antagonista são executadas de forma que ele se mostra cada vez mais sombrio. Esse é um ponto positivo do livro e que contribui para “fisgar” o leitor.

No entanto, o que me decepcionou nesta releitura foi o fato de que a rica pesquisa empreendida pela autora, com conceitos físicos e também de mineralogia, foi frustrada por um fim bem singelo. O confronto entre Dico e Spharion é antecedido por um capítulo no qual várias páginas do diário do criminoso são reveladas e, dessa forma, explica-se ao leitor as motivações, os planos e a forma como vilão pôs em prática seus objetivos. Entretanto, o confronto entre Dico e Spharion é muito rápido, sem diálogos – pressupõe-se que ambos estão duelando em nível mental, então suas falas também devem obedecer a esse nível – e funciona como uma espécie de anticlímax, porque abrevia uma luta esperada pelo leitor durante todo o decorrer da história e que poderia ter sido mais bem elaborada. A sensação de aguardo por um combate “de verdade” entre o bem e o mal fica no ar e é inevitável. Infelizmente.

Mesmo assim, com este livro, a autora ganhou o Prêmio Brasília de Literatura, em 1980. E, em 2013, essa obra foi relançada, junto a outros nove títulos, com o novo projeto gráfico que a Editora Ática preparou para comemorar os 40 anos da Série Vaga-Lume, bem como as versões dos livros em formato digital.

Spharion
Lúcia Machado de Almeida
Editora Ática
1979 – 126 páginas

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