Série | Luke Cage

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“Antes de ser à prova de balas, ele é negro.” Esta foi uma das frases emblemáticas que, em mais de uma ocasião, marcou a trajetória do herói da Marvel Luke Cage, que ganhou a primeira temporada de sua série pela Netflix, rede de produção/distribuição de conteúdo de filmes e séries via streaming para assinantes.

As críticas à série foram muitas. Contrariamente às suas predecessoras, Demolidor e Jessica Jones, o ritmo da trama de Luke Cage começa de forma bastante morosa. O elenco é predominantemente negro, e os episódios são premiados com uma trilha sonora realmente muito boa. Tudo bastante coerente dentro da proposta oferecida pela série.

Confesso que assisti aos primeiros três episódios apenas impulsionada pela necessidade de conhecer melhor o personagem – que, aliás, combinou bastante com Mike Colter, que já o tinha apresentado em alguns episódios de Jessica Jones –, mas, de um dado momento em diante, eu me lamentei não ter tido a chance de ler HQs de Luke Cage antes ver o seriado.

Viés social

Como um diferencial em relação às produções individuais de Demolidor e Jessica Jones – os quais, ao lado de Cage e de Punho de Ferro, vão compor a série derivada Defensores (com estreia prevista para o segundo semestre deste ano) –, Luke Cage apresenta um acentuado teor sociopolítico. As constantes referências a personagens históricas da luta pela emancipação e igualdade racial, como Malcolm X e Martin Luther King, por exemplo, atribuem peso ao conteúdo dos episódios. Palmas para o roteiro bem estruturado e destemido, no que se refere a tocar em assuntos delicados, como raça, religião, criminalidade e política. Cage é um herói que carrega o peso de suas origens no Harlem, conhecido reduto sociocultural negro norte-americano, e de sua raça, fatores ainda vistos como socialmente agravantes.

A consistente personagem interpretada por Rosario Dawson, a enfermeira Claire Temple, mais uma vez atua como elo entre as séries, acumulando participações em Demolidor, em Jessica Jones e, agora, em Luke Cage. Se no seriado de Jessica a participação de Claire teve um gancho bastante artificial, em Luke Cage ela se revela crucial para o percurso do herói, atuando em 9 dos 13 episódios da temporada, superando de longe a participação da detetive Misty Knight, interpretada por Simone Missick, a qual eu espero que seja melhor aproveitada na segunda temporada, bem como em Defensores.

Apesar de ser uma criação da Marvel e de vir do mundo das histórias em quadrinhos, Luke Cage mantém fortemente os pés no chão, em uma realidade dominada por preconceitos tão mundialmente conhecidos ao longo de décadas, e suas pitadas de fantasia são diluídas em um drama interno extremamente humano. Seu heroísmo esbarra antes em suas deficiências como ser humano, para depois alcançar sua dimensão como super-humano. Que venha a segunda temporada.

Luke Cage
Criação: Cheo Hodari Coker
Ano: 2016
País: EUA
Gênero: Ação/Crime/Drama
Duração – Temporada 1: 13 episódios (cada um com 1 hora em média)

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