Projeto Hitchcock | Disque M para Matar (1954)

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A temática do crime cuidadosamente planejado é o mote deste, que é um dos filmes mais famosos (e possivelmente um dos melhores) do mestre Hitchcock. O ex-tenista Tony Wendice (o excelente Ray Milland) decide elaborar um plano para matar sua bela esposa Margot (Grace Kelly), ao perceber que ela está apaixonada pelo escritor de romances policiais Mark Halliday (Robert Cummings), com o qual já mantém um caso há cerca de um ano. Para tanto, Wendice chantageia o ex-colega de escola Charles Alexander Swann/Lesgate (Anthony Dawson) para pôr em prática sua estratégia praticamente perfeita.

Tudo parece sob controle. Com a morte de Margot, Wendice herdaria o dinheiro da esposa (de família abastada) e poderia manter seu elevado padrão de vida, além de se livrar da sombra do homem traído. Ray Milland é extremamente hábil na composição de um personagem racional, frio, mas ao mesmo tempo de sorriso amistoso, capaz de enganar, a princípio, não apenas a polícia, mas também o ingênuo escritor Halliday.

A belíssima Grace Kelly é o pivô do triângulo, com uma atuação eficiente e convincente acima de tudo. Margot é uma mulher que, apesar de desejar a felicidade ao lado de outro homem que não é o seu marido, não compõe a imagem da mulher vulgar e dissimulada. Desde muito cedo, o homem traído da história toma para si o papel de “vilão”, ao agir de forma fria e inescrupulosa, e é muito interessante a maneira pela qual Hitchcock mostra isso ao espectador, por meio de cortes e closes insinuantes (olhares, sorrisos), algumas propositais ausências de diálogos, cores e composição de figurino etc. Há certa simplicidade – o filme não tem mais do que dois ou três ambientes – na produção que contrasta com a alta elaboração da ideia do roteiro.

Dois fatos me fizeram associar Disque M para Matar a outros filmes de Hitchcock dos quais gostei muitíssimo: Suspeita (1941) e Pacto Sinistro (1951), resenhados aqui e aqui. Isso porque, em Disque M..., também há a figura do escritor de histórias policiais, a exemplo de Suspeita, e assim como acontece em seu predecessor, suas habilidades são requeridas – em Suspeita, um dos pontos altos do filme ocorre quando Johnny Aysgarth, personagem de Cary Grant, aterroriza ainda mais sua esposa, ao indagar, de forma inocente, uma conhecida escritora, durante um jantar entre amigos, sobre as formas perfeitas de cometer um assassinato. Já a temática do crime perfeito cometido por coação também se assemelha ao enredo do ótimo Pacto Sinistro.

Por fim, preciso destacar o papel de John Williams como inspetor-chefe Hubbard, com surpreendente reviravolta em seu papel de investigador, jogando habilmente com os suspeitos. E, sobre a questão do “M” do título, cito a explicação do excelente post do blog Cine Análise sobre o filme:

Outro exemplo é a belíssima imagem do dedo de Tony discando o telefone de sua casa, momentos antes do atentado à vida de Margot. O número começa com o número 6, que corresponde ao ‘M’ do telefone, em alusão à palavra ‘murder’, assassinato em inglês. Como era difícil conseguir um plano detalhe (onde só uma parte do corpo do personagem é enquadrada) com as duas câmeras necessárias para se filmar em três dimensões, Hitch mandou fazer um dedo e um telefone gigantes para conseguir o efeito desejado, que ficou muito bom, diga-se de passagem.”

Disque M para Matar
1949
Direção: Alfred Hitchcock Roteiro: Frederick Knott (baseado em peça de sua própria autoria) 105 minutos
Estados Unidos

*Este post faz parte de uma série despretensiosa de publicações neste blog sobre a filmografia de Alfred Hitchcock.

 

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