HQ | O chinês americano

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Para apresentar O chinês americano, posso começar dizendo o que todos os textos de divulgação dessa obra ressaltam: trata-se do primeiro álbum de quadrinhos a ser indicado ao National Book Award, um dos mais prestigiosos prêmios literários do mundo. E não é para menos: a graphic novel de Gene Luen Yang ultrapassa os limites tradicionais de uma HQ e brinca com conceitos literários de narratividade, ao contar três histórias que elaboradamente vão se entrelaçando para criar um fim brilhante.

Acredito que o principal mérito desse trabalho seja justamente esse: criar uma obra híbrida, que mescla de maneira muito bem-sucedida os traços das histórias em quadrinhos com os conceitos da literatura, caprichando na arte de desenvolver uma trama com três protagonistas, à primeira vista, bastante diferentes: Jin Wang, um jovem estudante chinês filho de imigrantes; Danny, um garoto bem popular em sua escola, mas que, todos os anos, sofre de vergonha com a visita de seu primo chinês Chin-Kee; e, finalmente, o Rei Macaco, lendária criatura da mitologia do Oriente.

O autor ressignifica a lenda do Rei Macaco de maneira impressionante, modernizando-a e aproximando-a dos dramas da sociedade moderna. A forma de contar as três histórias, inicialmente separadas e, depois, juntas, é algo de muito interessante, um recurso que demonstra o alto grau de domínio técnico do autor, não apenas do recurso da imagem como texto visual, mas também da estrutura de uma “graphic novel 3 em 1”, ou seja, diferenciada já em sua concepção.

Também considero importante destacar a forma inteligente e bem-humorada com a qual o autor trata de um assunto extremamente delicado: o preconceito de raça – algo que hoje se estende a praticamente todas as esferas do convívio humano (infelizmente). Há uma seriedade que confere a O chinês americano um argumento denso, realmente substancioso, e é fantástico que esse tipo de conteúdo seja abordado em uma graphic novel de traço lúdico, divertido, colorido e dinâmico.

O chinês americano
Gene Luen Yang
Tradução de Beth Vieira
Cores de Lark Pien
Companhia das Letras
239 páginas
2006

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