Galeria | O Homem Amarelo

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‘Paranóia ou Mistificação?’, de Monteiro Lobato, é um dos mais célebres – e infelizes – artigos já publicados pela imprensa brasileira. Escrito em 1917, por ocasião de uma mostra de quadros de Anita Malfatti, o texto faz veementes ataques à pintora, que se deixava seduzir pelas ‘extravagâncias de Picasso e Cia.’. Anita Malfatti viria a ser reconhecida como uma das mais importantes artistas brasileiras do século 20, e o artigo de Lobato passou para a história como um célebre caso de estreiteza crítica.”

Este é o parágrafo inicial do ótimo livro Crítica Cultural – Teoria e Prática, do jornalista da Folha de S.Paulo Marcelo Coelho. Nada mais ilustrativo para começar estes pequenos apontamentos sobre um dos mais famosos quadros de Anita, pintora que foi um dos pilares do movimento Modernista brasileiro nas artes plásticas.

Um dado muito interessante sobre o quadro é que essa polêmica acerca da obra de Anita Malfatti acabou se sobrepondo à produção da artista. O Homem Amarelo é, certamente, um de seus trabalhos mais reconhecidos; entretanto, quase sempre é associado (assim como suas outras criações) ao embate modernista do qual Anita se tornou símbolo maior por força da circunstância das críticas de Monteiro Lobato.

A título de curiosidade, em seu livro A arte brasileira em 25 quadros [1790-1930], o historiador de arte Rafael Cardoso explica:

Pintado em Nova York – segundo relatos, a partir de um modelo italiano –, essa obra possui uma primeira versão mais comportada, em carvão e pastel, que se aproxima bem mais dos requisitos tradicionais do retrato. Na segunda versão […] o personagem foge de qualquer compromisso com a retratística e assume uma dimensão mais ampla e genérica, como figura alegórica.” (p. 178)

Particularmente, esse quadro me chama a atenção pelo aspecto intrigante e, ao mesmo tempo galante do homem pintado por Anita. Seu olhar para fora da tela deixa em aberto o mistério de seu foco de atenção. Sua gravata torta subentende um movimento brusco, o que aumenta o interesse pela incógnita que constitui o alvo do seu olhar. O forte contraste das cores e os traços marcados do rosto tornam o conjunto da composição uma combinação peculiar de informações. E, na arte, a estranheza sem dúvida torna tudo mais interessante.

O Homem Amarelo
Artista: Anita Malfatti
Localização: Coleção Mário de Andrade, Instituto de Estudos Brasileiros da USP-SP
Ano: 1915-1916

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