Projeto Hitchcock | Sob o Signo de Capricórnio (1949)

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Eu não estou seguindo uma “metodologia” específica para assistir à filmografia de Hitchcock, mas achei bastante curioso eu, sem saber, ter seguido a sequência de produção Festim DiabólicoSob o Signo de Capricórnio. Depois desta primeira surpresa, uma segunda: a produção da vez é um filme de época! Quando eu iria imaginar Hitchcock filmando uma história ambientada no século XIX? Pois bem.

A primeira metade do filme, definitivamente, não é empolgante. Além de estranha, porque não lembrava, até então, nada do que eu já havia visto com a “assinatura” do mestre. Enfim, prossegui para ter a grata surpresa de, à medida que a trama avançava, perceber mais e mais a semelhança entre Sob o Signo de Capricórnio e Othelo, de Shakespeare. O drama do casal que vive à sombra da traição, sendo sistematicamente envenenado por um personagem sagaz e ardiloso ficava cada vez mais claro, aproximando as duas obras. Esse foi um fator instigante e que me fez seguir adiante já um pouco mais empolgada.

Em termos cinematográficos, notei a persistência dos planos-sequência de Festim Diabólico e dos longos diálogos, calcados principalmente nos conflitos sentimentais do triângulo entre Henrietta Flusky (Ingrid Bergman), Sam Flusky (Joseph Cotten) e o “intruso” Charles (Michael Wilding). São fortes e bastante convincentes as atuações do trio, mas é impossível não destacar também o belo trabalho de Margareth Leighton como a governanta Milly – o “Iago” do enredo de Hitchcock.

O que me chamou a atenção positivamente no desenvolvimento do filme foi o caráter de imprevisibilidade da história. É muito comum ouvirmos que o sol dos trópicos é capaz de tirar qualquer criatura do sério – argumento muito empregado pelos colonizadores para justificar os maus atos de “homens de bem” em cenários coloniais; neste caso, na Austrália do Trópico de Capricórnio – e esse pretexto, aliado ao fato de que o tom de tragédia shakespeariana é constante durante o filme, faz o espectador pensar que tudo de fato irá sucumbir à ardilosa trama de Milly.

Se, por um lado, Milly prepara tudo e consegue manipular Henrietta para alcançar seus objetivos, a imprevisibilidade de Charles põe tudo a perder para a governanta – desculpem o spoiler, mas Charles é, sem dúvida, o personagem mais interessante desse filme, em minha opinião. Um bon vivant que arrisca a sólida carreira de seu primo, o governador da colônia interpretado por Cecil Parker, para viver sem pensar no amanhã. E sua afeição pela personagem da bela Ingrid Bergman é a chave para a solução de toda a trama. Não é o grande acerto de Hitchcock, mas também não deixa de ser um bom filme.

Sob o Signo de Capricórnio
1949
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Hume Cronyn / James Bridie
119 minutos
Estados Unidos

*Este post faz parte de uma série despretensiosa de publicações neste blog sobre a filmografia de Alfred Hitchcock.

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