Maigret | O cachorro amarelo

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Tenho de admitir: estou me afeiçoando ao Maigret. E O cachorro amarelo foi a sua melhor aventura até o momento! À altura desta quarta aventura do comissário da polícia judiciária francesa, já consigo entender melhor a sua linha de pensamento e o seu silêncio cheio de significado. Sem dúvida, é uma forma diferente de conduzir investigações no universo da literatura policial, mas estou me acostumando.

No decorrer da leitura, eu me peguei fazendo várias reflexões e concluindo que, ao contrário do que acontece, por exemplo, com as aventuras de Hercule Poirot, ou de Miss Marple (até mesmo de Sherlock Holmes, por intermédio do seu tão humano John Watson), no universo de Maigret parece existir uma distância entre os personagens da trama e o leitor. No meu entender, é mais frio o contato com os protagonistas de O cachorro amarelo. Talvez por causa da forma como Maigret os enxerga, ainda não sei até onde isso pode ser um fator de influência. No meu caso, quem mais me tocou foi, de fato, o próprio cachorro.

Apesar de não se tratar de um caso com 100% de final feliz, o fato de Maigret conseguir solucionar o enigma com a prisão do culpado e ainda ajudar alguns personagens me fez encarar O cachorro amarelo como um livro verdadeiramente bem-sucedido. Aliás, ao longo destes quatro primeiros livros do personagem mais famoso de George Simenon (1903-1989), notei um amadurecimento na forma como Maigret conduz os casos. Ou talvez isso se deva meramente ao aumento da minha familiaridade em relação ao personagem, porque, em sua primeira aventura, em Pietr, o letão (comentado aqui), Maigret já se apresenta como um profissional bastante experimentado.

Desta vez, o enredo me pareceu mais complexo, levando em consideração não apenas fatores humanos, como também questões econômicas e suas consequências em relação às atitudes das pessoas. Simenon consegue construir uma combinação curiosa, porque, apesar de Maigret parecer um “peso pesado” em termos físicos, esconde-se sobre essa aparência um olhar que consegue ter sensibilidade em relação aos dramas humanos e isso é bastante interessante.

O fato de, a cada livro lido o parceiro de investigação de Maigret ser um inspetor diferente confere ao comissário uma aura de solidão muito forte. Talvez isso se intensifique pelo jeito caladão de Maigret. Ainda estou me acostumando com isso.

Bem, reflexões à parte, gostei bastante de O cachorro amarelo. Tornou-se o meu favorito até o momento. A história é intrigante, tem um ritmo mais intenso do que as outras e uma dinâmica que me prendeu durante a leitura. Em todo o processo, tive a confiança de Maigret sempre esteve um passo à frente, embora parecesse exatamente o contrário. O fim foi muito bem justificado e, apesar da grande quantidade de informações (talvez a história não pudesse, de fato, ter se constituído de outra maneira), foi coerente. Recomendo a leitura!

O cachorro amarelo
Georges Simenon
Tradução de Eduardo Brandão
Companhia das Letras
2014 – 135 páginas

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