Série Vaga-lume | Um rosto no computador

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Esta é a quarta é última aventura do trio de detetives Léo, Ângela e Gino, criado por Marcos Rey no início dos anos 80. Um rosto no computador traz um enredo com os protagonistas já mais velhos, com Léo promovido em seu emprego no Emperor Park Hotel, Gino empolgado com a aquisição de um computador – a era tecnológica e sua presença cada vez maior no dia a dia marcam presença nesta última aventura –, bem como Ângela, agora namorada de Léo e continuando seus estudos.

Nessa história, Marcos Rey não perde a oportunidade de fazer críticas sociais, alertar para a importância e o valor do trabalho e do estudo – o tempo todo, Léo é provocado pelo jovenzinho rico, hóspede do famoso quarto 222 (uma referência direta ao Mistério do Cinco Estrelas, a primeira aventura do trio), sobre a sua condição de mero funcionário do hotel, ao que o protagonista responde com uma conduta correta e íntegra durante todo o livro, preocupado em resolver o enigma do desaparecimento da vencedora do concurso de modelos ocorrido no hotel onde trabalha.

Dinâmica e amadurecimento

O ritmo do enredo é bastante dinâmico e mantém o bom nível do livro anterior, Um cadáver ouve rádio. Há, no entanto, o amadurecimento de alguns aspectos, como a natural e platônica paixão de Gino por Ângela, bem como a estabilidade financeira da mãe de Gino, Dona Zula, que se torna sócia da cantina do Bexiga onde trabalhou anos e anos como talentosa cozinheira.

O interesse de Gino por tecnologia também funciona como um marcador de tempo para o leitor, pois a história se passa no início da década de 90. Gino usa as economias de seu trabalho como tradutor para comprar um computador, que também se torna o grande parceiro de seus jogos de xadrez. No decorrer das investigações, o computador torna-se um aliado de Gino, que o utiliza para catalogar as informações sobre os suspeitos. Ao mesmo tempo, vencer Richard no xadrez (Gino passa a chamar o computador dessa forma) constitui um desafio paralelo à captura do criminoso.

O plano para a captura do sequestrador da modelo Lia Magno, vencedora do concurso de fotogenia realizado no Emperor, acaba sendo bastante primário, mas condizente com a conduta do criminoso, que, inclusive, não se vê como tal. A obsessão pela moça sequestrada é vista por ele como uma manifestação de seu ímpeto pelo colecionismo. Aliás, é interessante o artifício usado pelo autor para “explicar a situação”: o sequestrador exibe um filme para que a sequestrada entenda a sua situação no cativeiro. O filme em questão chama-se O colecionador e seu efeito sobre a moça é devastador.

Posso dizer que Marcos Rey encerra de forma muito bem-sucedida as aventuras de seu trio de detetives. E aqui também encerro esta primeira etapa do projeto infantojuvenil do blog, mas continuarei a comentar aqui outros sucessos da Série Vaga-Lume.

Um rosto no computador
Marcos Rey
Editora Ática
1992 – 120 páginas

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