Projeto Discworld | O aprendiz de Morte (1987)

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Depois da leitura deste quarto volume da série, posso dizer que acho que estou começando a me acostumar com a linha de raciocínio de Terry Pratchett. A cada livro, uma faceta desse rico universo é abordada, como peças de um quebra-cabeça o qual me parece que só fará sentido lá adiante. Por enquanto, o autor vai munindo o leitor com as informações que ele considera necessárias para a compreensão do Discworld em si.

Neste livro, o autor aprofunda-se mais no núcleo de um dos personagens mais interessantes que eu pude conhecer até o momento: Morte. Morte aparece desde o primeiro volume da série, sempre com participações que variam entre doses de humor e espiritualidade a um mistério digno de nota. Agora, é o momento de ter mais contato com esse personagem/essa entidade. E o resultado, mais uma vez é excelente.

Por ser uma série constituída de muitos volumes, Discworld sempre põe à prova a teoria da manutenção da qualidade e do alto nível da escrita e da criatividade de Terry Pratchett a cada livro. A meu ver, parece que o autor encarou todo esse processo com extremo bom humor, isso definitivamente não parece um peso para ele.

Morte é um personagem muito rico em termos de construção, de qualidades e de perfil. A vida em seus domínios é extremamente peculiar, o tempo não passa, as sensações são diferentes e é tudo isso o que Mortimer, seu aprendiz, contratado em uma feira de artesanatos onde jovens aproveitam para procurar emprego, vai experimentar ao longo da história.

O autor consegue manter o ritmo da ação – mais uma vez, o ápice da história se dá no terço final do livro e de forma eletrizante –, e as consequências deste arco da saga relativo ao Morte refletirão, penso eu, em várias esferas do Disco. Como o próprio nome sugere, Morte representa um equilíbrio importante na ordem das coisas e tudo o que lhe diz respeito tem o poder de afetar a vida de praticamente todos os outros habitantes desse mundo.

Um ponto que torna muito agradável a leitura é a espiritualidade de Morte – por mais contraditório que isso possa parecer e que, fica claro, é um jogo de qualidades muito proposital construído pelo autor. As passagens engraçadas são várias e o conflito entre a mortalidade e a imortalidade é o combustível dessa leitura, representadas, respectivamente, por Mortimer, o jovem aprendiz curioso e impetuoso também, e por Morte, um ser extremamente agradável e polido. Mais uma vez, ponto para Terry Pratchett!

O aprendiz de Morte
Terry Pratchett
Tradução de Roberto DeNice
Conrad Editora
253 páginas

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