Projeto Discworld | Direitos iguais, rituais iguais (1987)

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Este terceiro volume da saga criada por Terry Pratchett é sobre magia, bruxas, magos, mulheres e homens. Aliás, a visão de Pratchett poderia render um bom e interessante capítulo na história da teoria dos gêneros. A começar pelo título, um claro exemplo da preocupação do autor sobre esse assunto. Neste livro, é constante a discussão sobre os valores e as diferenças entre homens e mulheres.

… cabeçologia. Como a mente funciona. A mente dos homens funciona de modo diferente, entendeu? A magia deles são só números, ângulos, limites e o que as estrelas estão fazendo, como se isso fosse importante. É só poder. É só – Vovó se deteve, à procura de sua palavra preferida para descrever tudo que mais desprezava na magia dos magos – jometria. (pág. 67)

Aliás, todo esse volume 3 se resume na personagem – até o momento – mais interessante de todo o Discworld: Vovó Cera do Tempo. Essa personagem resume em si mesma toda a originalidade, criatividade e singularidade do universo criado por Terry Pratchett.

Vovó protagoniza os diálogos mais cômicos da história. Preciso confessar que passei mais da metade do livro tendo-a como charlatona, até que ela mostrou toda a sua força e personalidade ao invadir o salão de refeições dos magos na Universidade Invisível.

Na verdade, parece-me que, por meio de mais uma batalha eletrizante nos capítulos finais do livro, o autor conseguiu tocar em um assunto bastante delicado: o preconceito em suas mais variadas formas:

– homem x mulher = mago x bruxa = Cortângulo x Vovó Cera do Tempo
(discussões sobre o uso da magia e sua autoridade)

– direito x talento =  Simon x Eskarina, ou seja, o rapaz que, por ser rapaz poderia estudar na Universidade dos Magos , ao passo que a garota não.

– a Magia da Ciência x a Magia da Natureza
(Por que necessariamente os conhecimentos científicos têm de estar relacionados aos homens e os da natureza ligados às mulheres? A personagem Eskarina Smith, menina curiosa e corajosa, parece ter como função justamente quebrar esse estereótipo.)

Este arco da história, independente dos dois primeiros volumes (comentados aqui e aqui), os quais são mais ligados entre si, para mim foi o melhor até o momento, pelo fato de conseguir usar de forma bastante criativa os seus personagens centrais para personificar questões-chave que transcendem a magia de Discworld. Nem preciso comentar que estou ansiosa pelas próximas participações de Vovó Cera do Tempo na saga.

Direitos iguais, rituais iguais
Terry Pratchett
Tradução de Roberto DeNice
Conrad Editora
221 páginas

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