Cinema | Batman x Super-homem: a origem da justiça

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Somente várias semanas após a estreia eu tive a oportunidade de assistir a essa grande investida da DC Comics para o cinema, depois do estrondoso sucesso – plenamente justificável – da trilogia de Batman dirigida por Christopher Nolan. Preciso admitir que fui ao cinema extremamente desconfiada e com vários “poréns” em razão de motivos da seguinte natureza: não sou fã do Superman; não gostei da escolha de Ben Affleck para Batman. Entretanto, volto atrás: o filme é muito bom e creio que, a partir desta produção, que já reúne alguns dos mais importantes heróis do universo DC, a Marvel pode começar a se preocupar.

Apesar de o filme demorar para “acontecer” – inicialmente, o ritmo é lento, nos primeiros três quartos do enredo, o espectador preocupa-se com o processamento do grande volume de informações relativas a estes três grandes núcleos: Batman, Super-homem e Mulher-Maravilha. É digno de nota, no entanto, a discussão criada em torno do conceito de justiça proposto pelo título do filme. Os vários pontos de vista gerados pelos polêmicos comportamentos tanto do Batman quanto do Super-homem abrem brecha para uma reflexão que problematiza a responsabilidade do herói enquanto guardião de valores, e não propagador da violência.

Particularmente, fica muito clara a estratégia de fazer da participação de Diana Prince apenas uma ponta de luxo. Mas suas aparições são um diferencial; Diana rouba a cena, mesmo quando não está com o traje de heroína. Foi muito inteligente da parte da produção não resgatar 100% das características da Mulher-Maravilha televisiva interpretada pela belíssima Linda Carter. Isso não foi necessário, porque Gal Gadot, a seu modo, cria uma releitura bastante interessante da personagem, sem tentar uma aproximação com a lendária Mulher-Maravilha da TV dos anos 80. Na batalha final, ela se mostra relevante e dá a medida exata do seu poder, com todas as pistas e expectativas de que seu filme, um dos próximos na fila da DC, será promissor.

Voltando a Batman x Super-homem, a DC demonstra ainda precisar de um amadurecimento no que se refere à parte técnica. Se os efeitos visuais não são, em si, decepcionantes (aliás, me pareceram muito bons), a falta de astúcia para os cortes e as panorâmicas demonstra ser exatamente isso. Há um abuso de tomadas nas quais o Super-homem surge voando, não apenas para consolidar a superioridade a ele conferida por seus poderes, mas também para disfarçar a sua estatura, menor do que a de Ben Affleck.

A trilha sonora chega a ser piegas em determinados momentos, bastante forçada. Isso aumenta a responsabilidade de Bruce Wayne e Diana Prince equilibrarem o jogo com suas participações no enredo, pois acho que não conheço um herói mais bobo do que Clark Kent. A Louis Lane interpretada por Amy Adams ganha em importância a cada minuto de exibição, pois sua esperteza ultrapassa em muito o intelecto de Kent. Cheguei a pensar que o título do filme pudesse ser: “Batman x Louis Lane: a origem da justiça”. Fica evidente a necessidade de mostrar que o Super-homem é a potência de Krypton subordinada ao sentimento que mais poderia aproximá-lo da humanidade: o amor de Louis e de sua mãe, Martha. Aliás, muito feliz a coincidência de Martha ser o nome não apenas da mãe de criação de Clark, como também da mãe morta de Bruce Wayne. Ponto para os roteiristas.

Sobre Ben Affleck: muito embora eu não seja fã desse ator e acredite, que, particularmente, ele tenha dado uma contribuição bastante negativa para o Demolidor nos cinemas, devo dizer que ele merece todo o mérito de ter interpretado um Batman que constitui um dos pontos altos desse filme. É sóbrio, é sério e charmoso (com um belo guarda-roupa Gucci). Um contraponto perfeito à beleza estonteante de Henry Cavill, porém, afetada pela babaquice típica de Super-homem.

Jesse Eisenberg é um caso à parte. Seu Lex Luthor Jr. esbanja em caricaturice, mas os créditos de usa interpretação são inegáveis. Trata-se de um ator muito talentoso, uma excelente escolha da produção para interpretar um vilão que precisava ter um traço muito marcante: não ter, à primeira vista, panca de vilão. O Lex Jr. de Eisenberg engana, ludibria e é bom nisso. Quando decide se tornar letal, é por meio de suas artimanhas, das armadilhas que é capaz de fazer, e não propriamente por sua figura.

Contudo, eu não poderia encerrar esses comentários sem mencionar a falta de Lucius Fox e a presença de um Alfred não apenas mordomo nota 10, mas também um especialista em tecnologia. Isso me fez pensar que a crise se abateu sobre o estúdio e foi necessário cortar gastos – nessa, cortaram o coitado do Fox. Apesar considerar o Alfred de Jeremy Irons um espetáculo (esse ator é um espetáculo), vê-lo como um expert nas mais complexas máquinas e engenhocas Wayne foi um choque para mim.

No mais, o saldo é positivo. Um belo incentivo para a DC investir não apenas no longa-metragem da Mulher-Maravilha, como também se empenhar para reunir a lendária Liga da Justiça. Seria um belo presente para nós, fãs de histórias em quadrinhos, e um pesadelo e tanto para a Marvel e seus ótimos Vingadores. Nessa batalha pela qualidade, sem dúvida, ganha o público.

Ficha técnica
Batman x Superman: a origem da justiça
Direção: Zack Snyder
Ano: 2016
País: EUA
Gênero: Aventura
Duração: 2h33min
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Gal Gadot

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Um comentário sobre “Cinema | Batman x Super-homem: a origem da justiça

  1. Seus comentários sobre o Super Homem são hilários.

    Gostei da mudança do centro Gravitacional…do Lucious Fox pro Alfred, nos quadrinhos era assim. Eu acho bem mais legal.

    A Mulher Maravilha é um Show a parte…adorei a Gal Gadot no papel, caiu bem, ela é bonita e forte. Quero muito ver o filme dela.

    Não curti o Lex…mas ta tudo bem.

    Beijos

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