Leitura | Sinuca embaixo d’água

12837_g* Informação prévia: este livro foi contemplado com a Bolsa Funarte de estímulo à criação literária.

Nossa, eu pensei tantas coisas enquanto lia essa história… E muito provavelmente por isso eu tenha gostado tanto dessa leitura. Carol Bensimon é jovem e talentosa. Muito bom saber que Literatura Brasileira esteja tão bem amparada por essa nova geração. Carol, Daniel Galera, Daniel Pellizzari, Bernardo Carvalho e outros que estão renovando o fazer literário no Brasil – ufa! Nem tudo está perdido.

Sinuca embaixo d’água é um romance muito bem construído sobre o inacabado. Sobre tudo aquilo que a morte não consegue encerrar. O enredo de Carol Bensimon deixa muito claro que a morte não traz, não põe, um ponto-final em uma série de coisas. Curioso pensar isso. Ela pode interromper, mas não terminar. Ponto.

No decorrer da leitura, eu me lembrei de Bolor, brilhante livro do português Augusto Abelaira, e também de “Dentro do bosque”, conto do fantástico japonês Ruysuke Akutagawa. Ambos os textos compõem uma história a partir dos diferentes olhares de seus personagens. E Carol Bensimon também faz isso em seu livro.

Bernardo, Camilo, Polaco, Helena, Gustavo, Lucas e Santiago são personagens (todos narradores) que “gravitam” em torno de Antônia, uma jovem e magnetizante personagem. Ela é o fio condutor da narrativa de todos eles. A história que começa a ser contada depois de sua morte tem nela o seu centro. Antônia morreu, mas isso não põe um ponto-final em sua existência para nenhum dos personagens. Todos eles têm algo a contar sobre ela, por causa dela e pensando nela.

Prós e contras

Talvez o fato que mais tenha me chamado a atenção no livro seja o dado comum de os personagens elaborarem, o tempo todo, raciocínios bastante complexos, sembre com uma profusão de sentimentos, lembranças e referências culturais de músicas, livros etc.

Todo mundo conta tudo de forma muito complexa, mas, na verdade, nem todo mundo tem o seu discurso bem marcado. Em alguns momentos, as falas tornam-se bastante parecidas – o desafio de misturar várias pessoas na narração, ainda que marcando cada uma delas a cada início de capítulo, exige uma técnica literária muito grande.

Contudo, o texto de Carol Bensimon tem um lirismo muito bonito e um quê de contemporaneidade e de jogo de palavras que o impedem de cair na pieguice. Há frases, construções, que, ao serem lidas, causam uma inevitável sensação de admiração e isso, além de já valer a leitura, parece-me ser o seu ponto mais forte.

Sinuca embaixo d’água
Carol Bensimon
Companhia das Letras
2009
137 páginas

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