Projeto Hitchcock | Notorious (1946)

notorious_1946

Depois que assisti a esse filme, a primeira coisa que fiz foi uma pesquisa na internet para tentar descobrir por que “Notorious” virou “Interlúdio” em sua tradução em português. Não consegui encontrar a resposta. Por isso, quem tiver alguma pista a respeito, por favor, deixe um comentário neste post para esta humilde fã de Hitchcock…

Passado esse primeiro incômodo, fiquei satisfeita com mais essa produção da filmografia do mestre. Notorious é um filme intrigante, tem a sua dose de curiosidade – sua trama é ambientada no Brasil, embora seja perceptível que as cenas não tenham sido filmadas aqui –, e, apesar de alguns detalhes que vou observar brevemente a seguir, tem um enredo interessante e, possivelmente, o casal protagonista mais bonito que Hitchcock conseguiu reunir em um filme seu: Ingrid Bergman e Cary Grant.

Continuo considerando Suspeita (resenhado aqui) o melhor trabalho de Cary Grant com Hitchcock. E isso não se deve ao fato de ele ter uma fraca atuação em Notorious, mas sim à questão de que, neste enredo, ele assume um papel muito mais coadjuvante de Ingrid Bergman. É nas mãos dela que residem os momentos cruciais da trama. Certamente, essa é a chave do filme. A falta de experiência e também a fragilidade de Alicia (personagem de Ingrid) conferem a Notorious o grau de suspense que o filme precisa para instalar na cabeça do espectador a dúvida sobre o sucesso da missão à qual ela e Devlin (Cary Grant) precisam executar.

Gostei do ambiente preto e branco do filme, gostei dos ambientes – embora tenha me incomodado muito os personagens vestidos até o pescoço, ou mesmo de preto dos pés à cabeça em pleno Rio de Janeiro! –, mas me desagradou ligeiramente o ritmo do filme. Notorious demora para engrenar, seu “tempo de introdução” é, além de “paradão”, maior do que o esperado. Talvez isso se relacione diretamente ao processo de aceitação de Alicia, que, sendo filha de um homem condenado por deserção, cabe a ela “redimir a honra da família” colaborando para destruir uma operação nazista no período Pós-Segunda Guerra Mundial. Para tanto, o experiente agente Devlin deve acompanhá-la até certo ponto do processo, porém todo o sucesso da operação está nas mãos de Alicia.

Um fator envolvente desse filme, no entanto, é que o clichê de um enredo simples e de maniqueísmo bastante acentuado contrapõe-se a uma construção/desconstrução do relacionamento amoroso que se estabelece entre Alicia e Devlin. Os personagens apaixonam-se e envolvem-se logo de cara, para, uma vez determinada a missão de ambos, distanciarem-se, pois o desempenho de Alicia depende do seu envolvimento com um dos mais influentes homens nazistas daquela época – o qual, inclusive, foi “amigo” de seu pai e já nutria interesse por ela.

Ao deixar no ar a dúvida – não se sabe se o ciúme e o amor de Devlin por Alicia vão permiti-lo socorrê-la em seu momento de maior necessidade – que põe em risco a missão, Hitchcock consegue armar sequências cinematográficas muitíssimo interessantes, com sucessões de cenas mudas que não apenas externam o medo e o desespero de Alicia, como também arrancam do espectador reações que apenas um bom filme consegue arrancar. Ponto para o mestre do suspense!

Notorious (Interlúdio)
1946
Produção: Alfred Hitchcock e Barbara Keon Roteiro: Ben Hecht, Alfred Hitchcock, Clifford Odets
102 minutos
Estados Unidos

*Este post faz parte de uma série despretensiosa de publicações neste blog sobre a filmografia de Alfred Hitchcock.

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