Tag Livros | O Seminarista

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No mês de janeiro, a Tag Experiências Literárias enviou aos seus assinantes o livro O Seminarista, de Rubem Fonseca. Deste mesmo autor, eu só havia lido Agosto, quando estava às voltas com as minhas pesquisas sobre Getúlio Vargas – livro, aliás, do qual eu gostei bastante. A leitura que o autor fez dos acontecimentos que antecederam o suicídio de Vargas foi bem interessante.

Muito bem, anos mais tarde, achei curioso me deparar novamente com a prosa cortante de Fonseca. O Seminarista pareceu-me um livro que, a despeito de suas características marcantes de agilidade, crueza e humor negro, é um exercício sobre o óbvio.

O enredo baseia-se nas aventuras de um matador de aluguel conhecido em seu meio como “o especialista”. Seu nome é José e, quebrando qualquer possível estereótipo, ele é baixinho, fracote e feioso. Isto é, alguém que nunca inspiraria a suspeita de ser um matador a sangue frio – pelo menos neste ponto, saímos do óbvio.

Aliás, esse detalhe da descrição de José me lembrou uma situação semelhante de uma assassina (desculpem algum eventual spoiler) do livro Um Capricho dos Deuses, de Sidney Sheldon. Também naquele contexto a personagem leva vantagem por não refletir aquilo que sempre se “espera” de um assassino.

Voltando ao Zé, como ele é chamado por seus poucos conhecidos, muito embora exista essa quebra de estereótipo em relação à aparência do personagem, todo o restante é bastante evidente.

O romance vivido pelo protagonista tem um início muito artificial (há uma explicação plausível para isso); o desfecho desse romance é bem previsível; muito cedo na leitura já é possível descobrir quem é o inimigo do Zé, enfim, as pistas são todas muito claras. E, mesmo assim, a leitura é deliciosa, fluida, ritmada. Qual é a chave da contradição?

A meu ver, Rubem Fonseca joga com o leitor, na medida em que Zé é um anti-herói o qual, desde o início, o leitor se vê na contingência de apoiar. E, no decorrer da trama, perde a importância descobrir quem conspira contra ele (até porque isso já se desenha prematuramente), mas cresce e ganha corpo a questão que consiste em saber qual será a reação do protagonista, quando ele finalmente reconhecer quem é o seu inimigo. O principal ponto que intriga na leitura é o embate de Zé com a realidade que ele não quer enxergar.

Em tempo: a razão de ser do título não é uma ponta solta. Há uma explicação convincente e simples para ele, estruturada ao longo de todo o livro, com as várias citações de latim que são um traço marcante do discurso do protagonista. No fim, o saldo é positivo.

O Seminarista
Rubem Fonseca
Agir
2009
180 páginas

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2 comentários sobre “Tag Livros | O Seminarista

  1. Olá, nos vemos mais no instagram do que no mundo do Blog. As vezes sou meio relapso com os blogs a minha volta. Mas estou melhorando isso.

    Gosto do estilo dos livros que vc apresenta aqui, mas confesso que faz um tempo que eu não visito o gênero. Adoraria voltar, esse ano tem bienal do livro e esse do Rubem Fonseca me chamou muita atenção…coloquei na lista!

  2. Oi, amigo! Verdade, o tempo é curto, quase não nos falamos via blog, não é mesmo? Fico feliz em poder contribuir com alguma indicação de leitura para você. Também pego várias indicações de filmes no seu blog 🙂

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