Breves comentários Agatha Christie: Um destino ignorado

Pegar, na sequência do “Projeto Agatha Christie”, dois livros assim, com formatos tão diferentes da linha de raciocínio usual da Dama do Crime parece-me algo como tirar na loteria. Um destino ignorado é quase tão singular quanto Sócios no crime, já comentado aqui. Não conta com nenhum dos personagens detetives já conhecidos do universo de Agatha, apresenta um enredo fortemente calcado em temas de interesse científico e, como se não bastasse tudo isso, expõe logo de cara um enigma baseado em um desaparecimento, o que, em si, não é propriamente um crime.

Só por esses fatores, já dá para perceber que o livro é interessante – instigante, na verdade. A entrada da personagem Hillary Craven e a forma como ela passa a interferir nas investigações do desaparecimento de Thommas Betterton proporciona uma reviravolta no enredo até então um tanto maçante (ainda bem que isso acontece antes da metade da história!) e confere ao enredo uma dose mais do que necessária de novidade e de suspense. Penso que Um destino ignorado foi um exercício para Agatha Christie que consistiu, basicamente, em como recuperar uma ideia aparentemente chata e transformá-la em um livro diferente e bem-sucedido.

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