Série Vaga-Lume | O mistério do cinco estrelas

No ano passado, tive a chance de reler um dos clássicos da Coleção Vaga-Lume: Enigma na televisão, do brilhante e já falecido Marcos Rey (1925-1999).

Sensação da minha adolescência, a Coleção Vaga-Lume pertencia à Editora Ática (creio que ainda pertença, mas vários de seus títulos foram vendidos a outras editoras) e contava com ótimos livros de autores brasileiros muito talentosos, como Marcos Rey, Lúcia Machado de Almeida, Silva Cintra Franco, Sersi Bardari, Orígenes Lessa, entre tantos outros. Fazia muito sucesso entre os estudantes, muito antes de serem lançados, ou de chegar até o Brasil, títulos como Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Percy Jackson e os Olimpianos, a Saga Crepúsculo e o boom da internet e dos smartphones.

Voltando aos livros, fiquei muito contente com a releitura de O mistério do cinco estrelas, porque, ao contrário de Enigma na televisão, não me decepcionei com a história desse livro vinte anos depois.

Um dos aspectos que mais me chamou a atenção nessa releitura foi como Marcos Rey conseguiu estruturar um enredo infantojuvenil tão bem elaborado, em um ritmo tão bom e com tão poucas páginas (apenas 128).

Lançado em 1981, O mistério do cinco estrelas é a primeira aventura dos detetives amadores Léo, Gino e Ângela, personagens que, a pedidos de muitos leitores, Marcos Rey ainda traria de volta em outros livros, como O rapto do garoto de ouro (1982), Um cadáver ouve rádio (1983) e Um rosto no computador (1993).

O enredo desta primeira aventura do trio gira em torno de um assassinato ocorrido no quarto do famoso benemérito Oto Barcelos, hóspede do luxuoso Emperor Park Hotel, onde Léo trabalha como “bellboy”. Com a ajuda de seu primo Gino, um excelente enxadrista limitado por uma cadeira de rodas, e da bela Ângela, garota rica moradora do bairro do Morro dos Ingleses, Léo mergulha de cabeça na aventura de desmascarar o “barão”, apelido pelo qual Oto Barcelos é popularmente conhecido.

Hoje, continuo considerando esse livro bem escrito, inteligente, com personagens cativantes – a família de Léo, italiana do bairro do Bexiga, é um exemplo disso –, e capaz de promover entre os estudantes do Ensino Fundamental importantes discussões sobre temas transversais, como a diferença entre classes sociais (Léo – Ângela), a difícil acessibilidade para cadeirantes (Gino), a importância de valores como a honestidade (Léo) e assim por diante. Tudo isso, em meio a uma agradável “atmosfera retrô” da década de 1980. Leitura recomendada!

O mistério do cinco estrelas
Marcos Rey
Editora Ática
128 páginas – 1981

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