Projeto Hitchcock | Intriga Internacional (1959)

Neste último trabalho de Cary Grant com Alfred Hitchcock – o qual, em minha opinião, não supera a excelente sua atuação em Suspeita (1941) – o ator dá vida a Roger Thornhill, um publicitário executivo de Manhattan que é confundido com o Sr. Kaplan, um espião do governo. A partir daí, perseguido pela gangue de Phillip Vandamm (James Mason), Thornhill presencia um assassinato na ONU, envolve-se amorosamente com a contraespiã Eve Kendall (Eva Marie Saint) e acaba de fato bancando o agente secreto e colaborando com o governo, tendo o seu ápice em uma fantástica sequência de ação filmada no Monte Rushmore, aquele com os rostos de quatro presidentes dos Estados Unidos: George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln.

Intriga Internacional é um filme muito bem feito, em alguns momentos efetivamente eletrizante, mas me deixou com algumas dúvidas. Depois de assisti-lo, fiquei, por exemplo, pensando que me parece uma ponta solta o envolvimento de Thornhill em toda a conspiração, uma vez que fica muito claro que ninguém até então tinha visto o tal Sr. Kaplan e, ao investigar o quarto de hotel onde o suposto espião estava hospedado, Thornhill experimenta o terno recém-chegado da lavanderia do hotel e constata que a roupa é bem menor do que ele. Seu perseguidor, inclusive, ao vê-lo, surpreende-se com sua altura. Enfim, não encontrei uma ligação plausível para justificar o envolvimento do protagonista na tal “intriga internacional”.

A charmosa e sedutora Eve Kendall perde um pouco de seu mistério pelo fato de muito cedo já ter ficado claro para o espectador a existência de um membro infiltrado na quadrilha de Vandamm.

A meu ver, a tão famosa sequência na qual Roger Thornhill foge dos sucessivos ataques de um avião num campo de plantação de cana no meio do nada no interior, rumo a Chicago, se não me engano, foi totalmente incoerente. Primeiro, porque é óbvio que existe a possibilidade de matarem o protagonista, muito embora toda a encenação seja apenas para dar um susto no personagem de Cary Grant, que se refugia na plantação e conta com a ajuda de um caminhão para se livrar de seu perseguidor aéreo. Para mim, foi meio sem propósito tudo isso, pois acabou não contribuindo decisivamente para o filme. O valor da sequência é estético, cinematográfico, com tomadas sem trilha sonora (apenas o barulho do motor do avião se aproximando e se distanciando) que chegam a causar certa angústia, mas não tem peso no enredo.

Já a parte final, com a perseguição no Monte Rushmore, é o ponto alto do filme. Muito bem feita para os padrões da época, trata-se de um momento no qual Intriga Internacional realmente mexe com o espectador e oferece um “perigo real” a Thornhill e Eve – algo bem coerente com o ambiente de espionagem que se espera do filme.

Em última análise, essa produção do Mestre Hitchcock é tecnicamente muito boa, bem executada, mas apresenta enredo frágil, com “pontas soltas”, infelizmente. Vale pela ação e pelo ritmo bastante dinâmico da trama.

Intriga Internacional
1959
Roteiro: Ernest Lehman
136 minutos
Estados Unidos

*Este post faz parte de uma série despretensiosa de publicações neste blog sobre a filmografia de Alfred Hitchcock.

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