Discworld | A cor da magia (1983)

Fiquei triste (bem triste!) pela morte de Terry Pratchett, em 12 de março deste ano, logo após eu ter finalizado a leitura de A cor da Magia, primeiro volume da série Discworld. Aliás, tão triste quanto isso foi eu ter demorado tanto para ter contato com a prosa brilhante de Pratchett.

Confesso que “patinei” na leitura das 30 primeiras páginas. Foi só neste momento que me dei conta de que fazia muito tempo que eu não me dedicava à leitura de um texto fantástico. Ou seja, eu já estava “enferrujada”.

Uma vez superado este primeiro obstáculo, só posso dizer que Discworld é maravilhoso. Entretanto, para tirar o melhora da criação de Pratchett, é preciso, mais do que nunca, pôr em prática o tão conhecido “pacto de leitura”. É preciso mergulhar inteiramente na fantasia, ainda que, a princípio, tudo pareça não ter pé nem cabeça. É justamente aí que reside a genialidade de Discworld.

Eu sei que tudo isso é muito abstrato para quem não teve contato com o livro. O caso é que só lendo mesmo para entendê-lo. Discworld é singular.

Acho que o meu primeiro choque foi com os nomes dos personagens. Levei um tempo para me adaptar ao intrépido e ingênuo turista “Duasflor” (two-flower, no original). Sua Bagagem animada é um caso à parte. O quase-mago Rincewind é um pouco mais clichê, mas seu sarcasmo compensa isso. Neste primeiro volume, eles são o núcleo da trama.

Também me peguei, em vários momentos, imaginando quão bonita deve ser a octarina:

“A rainha das cores, da qual todas as outras não passam de meros reflexos aguados e incompletos. A cor da magia – viva, reluzente e vibrante. Era o incontestável pigmento da imaginação, porque, onde quer que aparecesse, indicava que a simples matéria se limitaria a servir ao poder da mente mágica. Era o próprio encantamento.” (pág. 184)

A cor da magia, apesar de ser o volume 1 e, portanto, uma introdução ao universo do Discworld, não causa no leitor aquela sensação raivosa do inacabado. Entretanto, Terry Pratchett é engenhoso ao elaborar um gancho que cria aquele gosto positivo pela continuação.

Então, mesmo bombardeado por um turbilhão de acontecimentos e informações – não é fácil, em um primeiro momento, encarar o fato que o Discworld é um grande disco sustentado por 4 elefantes que se equilibram  sobre uma enorme tartaruga chamada “Grande A’Tuin” –, a prosa de Pratchett é conduzida de forma divertida e muito estimulante (já consegui o segundo volume para continuar a leitura!), sem aquele tom artificial das imensas sagas que não tem assunto, mas se desenrolam em muitos volumes. Discworld é espirituoso e, apesar de sua forte característica fantástica, conta com personagens muito factíveis, com personalidades bastante plausíveis.

Além disso, é admirável como o autor oscila sem perder a coerência do enredo: em um momento, seus protagonistas vão de uma batalha na montanha invertida dos dragões a um avião com terroristas portadores de uma bomba. Esta é a magia do Discworld.

A cor da magia
Terry Pratchett
Tradução de Márcio Grillo El-Jaick
Conrad Editora
231 páginas

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