Breves comentários – Agatha Christie: Testemunha de Acusação & outras peças

 

Este pequeno volume da Editora L&PM é composto por quatro ótimas peças de Dame Agatha: Testemunha de Acusação – que dá título ao livro, encenada pela primeira vez em 1953 e que, em 1957, foi brilhantemente adaptada para o cinema sob direção de Billy Wilder, tendo os excelentes Tyrone Power e Marlene Dietrich nos papéis principais –; A Hora H, versão condensada do ótimo romance Hora Zero publicado em 1944 e comentado aqui; Veredicto, que, ao que me parece, não chegou a ser encenada; e Retorno ao Assassinato, apresentada pela primeira vez em 1960.

Gostei das quatro peças, mas destaco claramente a primeira e a última. Testemunha de Acusação, pela forte sensação de perplexidade que toma conta de mim toda vez que tenho contato com essa obra (já assisti ao filme duas vezes anos atrás e quero vê-lo de novo assim que puder). Trata-se de um texto excelente, inteligente, repleto de reviravoltas, enfim, muito bem planejado. Uma obra-prima realmente.

Retorno ao Assassinato, como o próprio nome indica, chama a atenção por evocar um crime cometido há muito tempo e aparentemente solucionado. Apresenta uma trama perfeita, que põe todos os personagens sob suspeita, embora pareça impossível solucioná-la. O fato é que a forma do enredo me chamou a atenção, é inovadora (pelo menos para mim) e, para ser uma peça, ou seja, ter as limitações de tempo e de espaço, pareceu-me mais espetacular ainda. Li esta peça imaginando, pelas marcações de cena, quão brilhante seria assisti-la de fato. Brilhante!

A Hora H, por sua vez, é uma versão condensada de um livro realmente muito bom, talvez por isso eu tenha ficado de certa forma decepcionada. Afinal, para o teatro, foi necessário empreender uma série de adaptações que, a meu ver, empobreceram a trama. Infelizmente.

Veredicto, embora mais fraca que as duas primeiras que destaquei, tem o mérito de trabalhar de forma notável com a dimensão psicológica das pessoas, de mostrar como efetivamente as aparências enganam, em contraponto com situações nas quais tudo é tão evidente, que parece improvável.

Este livro teve a tradução da grande Barbara Heliodora – mais um motivo para recomendar a sua leitura – e é uma excelente amostra dos talentos de Agatha Christie em produções para o teatro.

 

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