Cinema | Êxodo: deuses e reis

A história de Moisés sempre foi uma das minhas favoritas da Bíblia. E, invariavelmente, eu assistia, todos os anos, àquela versão clássica em filme que passava na televisão perto do Natal e que terminava com Deus escrevendo com raios os 10 Mandamentos em tábuas de pedra seguradas por Moisés no alto de uma montanha. Eu gostava muito daquele filme cheio de efeitos especiais – a hora em que Moisés abria o Mar Vermelho batendo o seu cajado era o máximo!

Bem, por tudo isso, fiquei muito empolgada para ver a versão de Ridley Scott no cinema. Nem mesmo as críticas negativas do Pedro Andrade, no Manhattan Connection, fizeram com que eu mudasse de ideia.

Menos divino, mais humano

O que mais me chamou a atenção no filme foi a postura contestadora do Moisés interpretado por Christian Bale. Na verdade, ele vem bem a calhar com a construção de um enredo fortemente calcado no homem, e não na divindade, dirigido por Ridley Scott, que, segundo eu soube, é ateu. Sinceramente, não sei se essa informação procede, mas o que eu vi a respeito do filme, antes de assisti-lo, foi que Ridley Scott fez o filme em homenagem ao seu falecido irmão, que gostava bastante da história de Moisés.

Especulações à parte, essa releitura produzida em 2014 faz uma interpretação bem interessante e até mesmo complementar àquela versão clássica sobre a qual falei no início deste texto.

O Moisés de Ridley Scott recebe as “instruções divinas” de uma criança, um menino de uns 9, 10 anos de idade – aliás um ótimo desempenho o deste garoto. Isso me fez pensar em uma analogia entre a juventude desse emissário e o então muito jovem povo hebreu, sem terra própria e sem liberdade de culto, escravizado no Egito. O povo que daria origem ao povo de Israel. Eu entendi que era como se o elo entre a fé e o homem fosse ainda muito frágil e imaturo, daí a correspondência da figura do emissário na forma de um garotinho.

Vale ressaltar que o Moisés personificado por Christian Bale deixa muito clara a inexistência da fé cega, o que torna bem coerente a discordância que ele sente em relação às pragas que Deus envia sobre o Egito. Há um sentimento de divisão, porque, mesmo ao se descobrir hebreu, Moisés não deixa de sentir afeição pelos egípcios, com os quais foi criado. Isso aumenta a consistência do personagem e combina perfeitamente com a “falta de divindade” de Moisés.

Ridley Scott elimina quase que totalmente o traço miraculoso dos feitos do protagonista. Prova disso é a sequência do Mar Vermelho. E o curioso disso tudo é que a história não perde o seu vínculo de fé, mas enfatiza a falibilidade do homem – uma coisa não anula a outra. Com isso, há certa “economia” de efeitos visuais no filme, o que é plausível em relação à proposta do diretor.

Para finalizar, é válido assistir ao filme porque, mesmo com todas as alterações/adaptações, o diretor revive o heroísmo de Moisés, questiona a fé que move os homens, mas não deixa de contar a história sem descaracterizá-la. Digamos apenas que ele muda o ângulo de análise. O que não deixa de ser muito bom.

Ficha técnica
Êxodo: deuses e reis
Direção: Ridley Scott
Ano: 2014
País: EUA / Reino Unido / Espanha
Gênero: Drama
Duração: 2h31min
Elenco: Christian Bale (Moisés); Joel Edgerton (Ramsés); John Turturro (Seti); Aaron Paul (Joshua); Sigourney Weaver (Tuya); Maria Valverde (Sefora)

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Um comentário sobre “Cinema | Êxodo: deuses e reis

  1. Muita gente reclamou da Cena do Mar…Eu gostei bastante e um recuo do mar é bem mais plausível do que o mar se abrir.
    Uma das melhores cenas pra mim, é a cena dos crocodilos no Nilo….achei aquilo lindo.

    Legal colocar Moisés como general! Que é a interpretação mais correta dos textos antigos.

    PS: Demorou o Post…rsrsrs

    Bjos

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