Breves comentários – Agatha Christie: O detetive Parker Pyne

Confesso que me surpreendi muito com o Sr. Parker Pyne! Fiquei admirada com o fato de, mesmo não sendo um detetive (apesar do que diz o título do livro, Parker Pyne insiste em afirmar que sempre levou uma vida de serviços burocráticos, lidando essencialmente com estatísticas), ter um excelente poder de dedução, uma postura muito segura diante de seus clientes e ideias bastante engenhosas para resolver seus problemas.

“– Mas, minha cara senhora, é bom lembrar que eu não sou um detetive. Roubo e crime não são absolutamente a minha especialidade. Minha área é o coração humano.” (p. 106)

O Detetive Parker Pyne é um volume com 12 pequenas aventuras envolvendo este simpático personagem criado por Dame Agatha. Seus diferentes protagonistas são clientes das mais variadas naturezas e com os mais distintos tipos de problemas, mas todos com um fundo emocional, daí a aptidão do Sr. Pyne em solucioná-los.

Fiquei admirada em verificar que outros personagens do universo policial de Hercule Poirot, o mais famoso detetive criado por Agatha Christie, participarem das aventuras de Parker Pyne, como a secretária Srta. Lemon e a intrépida escritora Ariadne Oliver, por exemplo.

O ponto alto da leitura foram as sábias constatações relacionadas ao ser humano, que conduzem Parker Pyne o tempo todo. É não apenas pelo que as pessoas dizem umas sobre as outras, mas também pelo que ele (Pyne) observa sobre as pessoas que as soluções dos casos são elaboradas. Para compor esses raciocínios, Agatha Christie enche as histórias deste volume com personagens que não prestam atenção no que dizem, não têm receio de exteriorizar seus estereótipos e são ricas em problemas do coração – a matéria-prima de Parker Pyne.

“– A humanidade – murmurou Parker Pyne – é tão ingrata.

– O que é a honestidade? – perguntou o francês. – É apenas uma nuance, uma convenção. Em países diferentes, tem significados diferentes. Um árabe não se envergonha de roubar. Não se envergonha de mentir. Para ele, o que conta é quem ele rouba e para quem ele mente.

– É… é este o ponto de vista deles – concordou Carver.

– O que prova a superioridade do Ocidente sobre o Oriente – disse Blundell. – Quando estas pobres criaturas se educarem…

Sir Donald entrou indolentemente na conversa – A educação está toda errada, vocês sabem. Ensina às pessoas uma quantidade de coisas inúteis. O que eu quero dizer é que não há nada que altere o que você é.

– Como assim?

– O que eu quis dizer é que… uma vez ladrão, sempre ladrão.” (p. 146-147)

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