Projeto Hitchcock | Os 39 Degraus (1935)

Richard Hannay (Robert Donat) é um canadense de passagem pela Inglaterra. Em um teatro, ele assiste a um espetáculo protagonizado por um homem exibicionista de notável memória, quando um tumulto na plateia o põe em contato com a misteriosa Annabella Smith (Lucie Mannheim), uma agente que estava investigando o roubo de informações sigilosas e um plano para levá-las para fora da Inglaterra. O problema é que Hannay só descobre tudo isso, pouco antes de a agente ser assassinada em seu apartamento alugado. Para provar a sua inocência, o canadense é obrigado a seguir as pistas mencionadas por Annabella pouco antes de morrer e, para isso, seu primeiro passo é viajar para a Escócia.

O ritmo de mais esta produção dirigida pelo fantástico Alfred Hitchcock é tão eletrizante quanto o pequeno resumo de seu enredo. Os 39 Degraus é todo filmado em preto e branco e com figurinos muito charmosos. A estética do filme é bem trabalhada, agradável e muito cult.

Hitchcock capricha na aura de mistério da trama, com diversas tomadas privilegiando mãos, passos e muitos enquadramentos que não mostram os rostos dos personagens, o que cria uma sensação enigmática constante durante o filme. Além disso, as sequências sem diálogos entre os personagens são extremamente significativas, no melhor estilo cinema mudo.

O que mais me chamou a atenção foi a qualidade do enredo, pois não há pontas soltas, apesar de tudo caminhar para esta possibilidade. Em termos de trama, a de Os 39 Degraus é bastante coerente e impressionante, mas o fato interessante disso tudo é que Hitchcock consegue mesclar sequência engraçadas, engenhosas e repletas de ação. É importante registrar, entretanto, que os momentos nos quais o riso é inevitável não depõem absolutamente contra a ideia de filme de suspense que o diretor consegue estabelecer logo no início da história.

Uma observação especial deve ser feita para a brilhante atuação de Madeleine Carroll, na personagem de Pamela. Suas relações com o protagonista vão facilmente do ódio e da delação a um nível de companheirismo e cooperação inacreditáveis – mais uma vez, palmas para as reviravoltas constantes, porém bem sustentadas, do argumento do filme, que eliminam aquela possível impressão de previsibilidade que uma produção de ação/mistério como esta poderia causar.

Richard Hannay é um mocinho azarado, que estava no lugar errado e na hora errada, mas não a ponto de pôr tudo a perder. Mesmo não sendo um agente, ele consegue usar sua inteligência, que, aliada à simpatia de Robert Donat, cria um protagonista bastante verossímil.

Em alguns sites sobre cinema e blogs especializados, vi a informação de que este filme é o mais celebrado da fase britânica de Hitchcock, e que John Buchan, autor do livro que deu origem ao filme, recebeu de forma bastante positiva esta adaptação cinematográfica. De fato, é um filme com cara de Hitchcock e que, sem dúvida, merece um destaque positivo no conjunto de sua filmografia.

Os 39 Degraus
1935
Produção: Michael Balcon
Roteiro: Charles Bennett e Ian Hay, baseado no livro de John Buchan
86 minutos
Inglaterra

*Este post faz parte de uma série despretensiosa de publicações neste blog sobre a filmografia de Alfred Hitchcock.

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