Leituras | As melhores de 2013

Não li muito no último ano, infelizmente. Espero melhorar isso em 2014. Mesmo assim, posso dizer que li coisas muito boas, as quais eu recomendo veementemente. A seguir, minhas singelas sugestões.

Em Louvor da Sombra (Junichiro Tanizaki) – Este ensaio foi a primeira coisa de Tanizaki que eu li. E gostei muito! Fiz várias conexões entre as ideias dele e as de Wenceslau de Moraes e as de Kakuzo Okakura. Depois, quero analisá-las com mais calma, pondo os três textos em contato. A parte chata é que este livro foi emprestado por um amigo meu e ele está esgotado. Caso eu faça um doutorado, esta será uma bibliografia a ser consultada, com toda a certeza. Tanizaki também faz referências a um conservadorismo em relação às modernidades do Ocidente e é interessante como isso dialoga com a maneira como Wenceslau, sendo um ocidental, também lamenta isso no Japão. Entretanto, eu ainda preciso refletir bastante sobre esse essencialismo japonês.

Cemitério de Pianos (José Luiz Peixoto) – Esta foi a primeira leitura da série de “Cafés Literários” com a minha amiga Elis Marchioni! Trata-se de um romance contemporâneo português de alta qualidade literária. Fiz várias observações sobre este livro no meu caderno, mas, em síntese, o que posso destacar é que, para mim, soa até de forma “revolucionária” a forma como o autor desenvolve a narrativa do enredo, tornando a compreensão desafiadora e, mais interessante ainda, deixando vários sentidos em aberto para a construção do leitor. Gosto bastante da maneira como a história é conduzida e de como os discursos se misturam, com altas doses de intertextualidade e sentimento.

A queda – As memórias de um pai em 424 passos (Diogo Mainardi) – Este livro do Diogo Mainardi é algo de espetacular, em minha humilde opinião. Inova na forma, inova na maneira como um pai entende a deficiência do filho, é diferente de tudo o que eu tinha visto até o momento. A leitura vale muito a pena, porque, com ela, vem junto uma aula de arte, de história e até mesmo de política. O autor constrói círculos sem deixar a ideia propriamente repetitiva, pois, a cada círculo, ele adiciona novas ideias, acumula informações e arranja formas de retomá-las a todo o momento. O amor de Diogo Mainardi por seu filho é realmente lindo, mas creio que o ponto forte do livro seja a sua linguagem criativa, a sua narrativa dinâmica, que, por meio de pílulas de informação, consegue construir um enredo cheio de sentimento – tudo, é claro, com muita técnica literária.

Festa no Covil (Juan Pablo Villalobos) – Este livro chegou às minhas mãos por meio da gentileza da Editora Companhia das Letras, que enviou para mim um exemplar para leitura e avaliação. Eu não conhecia o autor, o mexicano Juan Pablo Villalobos, e também não tinha expectativa alguma em relação a este título. Contudo, fico muito feliz em registrar, aqui, que a leitura de Festa no Covil foi uma grata surpresa. Com uma narrativa dinâmica e de alta qualidade, Villalobos constrói um enredo contado pela ótica de um menino filho de um poderoso chefe do narcotráfico, chamado por ele de Yolcaut. A questão dos nomes, aliás, é um ponto muito interessante da história, pois, em vários momentos, eles são trocados pelo narrador, o que me fez pensar sobre a importância da identidade de cada um, versus o papel que cada pessoa representa na vida do protagonista. A vulnerabilidade dos nomes traz consigo a vulnerabilidade dos referenciais também. Para ler mais sobre este livro, é só clicar na imagem da capa, no menu lateral.

Aya de Yopougon vol. 1 (Marguerite Abouet / Clément Oubrerie)  Esta HQ africana, mais precisamente da Costa do Marfim, entrou na minha lista de leituras assim que eu soube de seu lançamento. A curiosidade para ter acesso a uma HQ da África foi o que me moveu desde o início. Juntou-se a isso o fato de ela ter sido argumentada por uma mulher e por ter como protagonista outra mulher. Aya de Youpougon é um trabalho de alta qualidade e que confere um caráter de seriedade bem interessante a uma HQ. Seu enredo valoriza muitos aspectos sociais e reflete preocupações próprias do universo de uma moça africana na década de 1970. Muitíssimo recomendada! Estou ansiosa para ler o volume 2!

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