Projeto Hitchcock | Marnie, confissões de uma ladra (1964)

A meu ver, está aí um filme muito mais com “cara” de Hitchcock e qualidade de Hitchcock. Marnie… é uma trama muito bem amarrada e executada, especialmente interessante pelo alto nível de elaboração dos personagens e pelo refinamento do viés psicológico de seu enredo. Já entrou para a minha lista de favoritos.

Ao contrário do que aconteceu quando assisti ao filme que resenhei em outubro, Topázio, eu me identifiquei com a personagem. Marnie (Tippi Hendren) é uma anti-heroína de primeira categoria, e a gente percebe quando a construção de uma personagem é bem-sucedida, quando passamos a torcer por ela – principalmente quando se trata de uma vilã.

Marnie é uma mulher bela, jovem e solitária, que fez dos roubos uma obsessão. Ela rouba para se sentir superior, rouba para enviar dinheiro e comprar presentes caros para sua mãe – com a qual mantém uma relação estranha e bem explicada no final –, rouba para manter o estilo de vida que quer, enfim, o roubo, para ela, é uma prática inerente à sua existência. Não existe Marnie sem roubo.

O enredo seria bastante comum, se parasse por aí. Mas não para. O caso é que o passado da personagem é misterioso e algumas características de Marnie já mostram, logo de cara, ao espectador que o passado escondido da protagonista é, no mínimo, intrigante.

Marnie tem horror a tempestades, mantém distância de todos os homens e fica traumatizada com a cor vermelha. Inexplicavelmente, a moça desmaia na primeira situação, anula a segunda e até sua frio quando exposta à terceira. Tudo começa a ganhar sentido quando ela se envolve com o psicólogo e empresário Mark (Sean Connery).

Quando se vê obrigada a se casar com Mark, Marnie ganha uma inimiga que começa a equilibrar a “balança” do filme: a bela e astuta Lil (Diane Baker), que não esconde sua paixão pelo personagem de Sean Connery.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção neste filme foram as boas expectativas devidamente sustentadas no final. Há uma explicação muito plausível para os traumas de Marnie, e Hitchcock resolve muito bem as questões cinematográficas relacionadas aos conflitos entre a protagonista e os seus maiores medos. Os planos adotados pelo diretor, a trilha sonora e a fotografia são pontos bastante positivos desta produção. Filme recomendado!

Marnie, confissões de uma ladra
1964
Produção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Jay Presson Allen, baseado no livro de Winston Graham
130 minutos
Estados Unidos

*Este post faz parte de uma série despretensiosa de publicações neste blog sobre a filmografia de Alfred Hitchcock.

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