Projeto Hitchcock | Topázio (1969)

 Sou uma iniciante no universo do fantástico diretor inglês Alfred Hitchcock (1899-1980). Por isso, a série de posts que vou publicar aqui sobre a sua filmografia tem um teor despretensioso (assim como este blog, ok?). Coisa bem de fã mesmo, apenas textos com as minhas impressões sobre cada filme visto. Até porque, pelas minhas contas, Topázio é a sexta produção dirigida por ele à qual eu assisti. E, definitivamente, não é a minha predileta. Por outro lado, também não se trata de um filme péssimo – apenas ruim, em comparação a algumas de suas obras-primas. Como diria uma grande amiga minha: “É um Hitchcock menor”. E esta me parece uma boa definição para Topázio.

Resenhas descritivas à parte, algumas palavras podem definir as minhas ideias sobre o filme. Um adjetivo, por exemplo, é “explícito”. Há uma nítida diferença entre Topázio e as demais produções dirigidas por Hitchcock às quais assisti. Explícito é o maniqueísmo barato que rege as relações entre os países, em um enredo ambientado na época da Guerra Fria; muito mais explícitas são as cenas de amor entre o agente francês Andre Devereaux (Frederic Stafford) e a cubana ex-esposa de militante Juanita de Córdoba (Karin Dor) e esta obviedade, francamente, foi um incômodo para mim. Aliás, aí está outro adjetivo que se encaixa muito bem no filme: óbvio. Durante vários momentos, no decorrer da exibição, eu pensei que Topázio não parecia um filme assinado por Hitchcock.

A meu ver, há muito mais traços do típico cinema americano neste filme, do que do próprio estilo Hitchcock. Há cenas singularmente filmadas, como a da morte de Juanita, por exemplo, alguns enquadramentos interessantes, como aqueles proporcionados pelas fotos do “informante floricultor”, mas isso não me parece suficiente para sustentar a qualidade do filme, uma vez que seu ritmo é muito lento, quase entediante. Isso compromete muito a mecânica de Topázio, porque também não há, no enredo, um personagem suficientemente forte para segurar a atenção do espectador.

Este filme, na verdade, não parece uma legítima trama de espionagem, mas uma brincadeira de batata quente. O que poderia deixar o enredo interessante, que seria explorar mais a questão psicológica do agente russo (Per-Axel Arosenius, interpretando o militar Boris Kusenov), detentor de importantes segredos de seu país, asilado nos Estados Unidos, acaba ficando em segundo plano, em detrimento da ação de um agente francês em meio ao “fogo cruzado” Estados Unidos – União Soviética, em plena Guerra Fria. Os americanos também acabam ficando para trás, confortavelmente resguardados, enquanto um agente Devereaux, muito pouco hábil e verossímil – porque não foi capaz de descobrir que sua própria esposa passava informações sigilosas adiante –, faz trapalhadas demais. Até o espectador descobre o que sua mulher estava fazendo, menos ele.

Francamente, eu não sei se esta era a intenção de Alfred Hitchcock, mas talvez tenha sido a de seu estúdio (Universal Studios). Topázio parece ser um filme muito mais comercial e, tecnicamente falando, de transição, algo que não é uma coisa, nem é outra, o que dificulta o seu posicionamento na filmografia do cineasta.

Topázio
1969
Produção: Alfred Hitchcock, Herbert Coleman
Roteiro: Samuel A. Taylor, baseado no livro de Leon Uris
126 minutos
Estados Unidos

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