Desafio Literário | Outubro: Graphic Novel [RESERVA]

Sinopse

“Entes Queridos”, o nono e penúltimo livro da série “Sandman”, tem na abertura de vários capítulos pedaços de linhas e fios, como se fossem pontas soltas. E são. Neste volume, Neil Gaiman prepara o desfecho de sua brilhante série costurando fatos que permaneciam em aberto. Sonho tirou a vida de alguém do seu sangue – seu filho Orpheus, que pediu ao pai que fizesse isso e foi atendido. No presente, o pequeno Daniel, o filho de Hippolyta Hall, gerado no Sonhar durante o exílio forçado de Lorde Morpheus, é misteriosamente raptado. E, quando as pontas são unidas, as temidas Fúrias (também chamadas de Bondosas – Kindly Ones no original em inglês, que pode ser traduzido como Entes Queridos) saem à caça de Sonho com um único objetivo: puni-lo com a morte. E nada as deterá. Sonho há de morrer, mas sem deixar de ser… Perpétuo.
Escrito na estrutura de uma tragédia grega, “Entes Queridos” traz um elenco que reúne personagens de todos os arcos de Sandman: o deus nórdico Loki, Hippolyta Hall, Lúcifer, Rose Walker e inclusive as Fúrias no papel de coro grego.

Apesar de ser um dos últimos arcos de histórias de Sandman, Entes Queridos pode ser lido sem problema algum por leitores não tão inteirados no universo do Sonhar, o mundo comandado por Morpheus, o Sonho, Sandman, um dos Perpétuos, que são as sete entidades acima do bem e do mal, responsáveis pela criação de tudo o que conhecemos da forma como conhecemos. São eles: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio.

A leitura de Entes Queridos me fez lembrar um debate constante sobre o questionamento da qualidade das histórias em quadrinhos enquanto literatura e, mais do que isso, enquanto expressão artística. Sinceramente, eu não acredito que as HQs não precisam ser respeitadas como literatura, mas por sua singularidade como HQs, uma forma de arte autônoma, ainda que influenciada por algumas das artes tradicionais, como a pintura, a literatura e o cinema. Isso me lembra o trabalho de Neil Gaiman, porque, como grande roteirista que é, ele sempre soube valorizar os quadrinhos com seus ótimos argumentos e Sandman é a melhor prova disso. A qualidade dos diálogos e a perfeição com a qual os acontecimentos são encadeados são dignas de nota.

 “Regras e responsabilidades. Estes são os laços que nos atam. Fazemos o que fazemos por sermos quem somos. Se fizéssemos diferente, não seríamos nós mesmos. Farei o que devo fazer. E farei o que for preciso.” (Sandman, Entes Queridos, Parte XI)

A leitura de Entes Queridos é densa e provoca uma gama de sentimentos que só o talento de muita gente boa reunida seria capaz. É algo que dá gosto de ler e reler. Trata-se de um argumento que dá algumas voltas interessantes para mostrar que, entidades ou não, humanos ou não, a essência que move as criaturas guiadas pelo sentimento é praticamente a mesma: viver pela satisfação de momentos de felicidade, mesmo sabendo que eles são raros e efêmeros. É isso o que impulsiona o Sonho em sua derrocada após a morte de Orpheus; é isso o que impulsiona todos os seres do Sonhar, mesmo sabendo que, contra as Fúrias, a morte é sua única certeza; é isso o que impulsiona a fada Nuala a lutar por migalhas do amor de Sandman; é isso o que impulsiona Lyta Hall e sua busca incessante por Daniel, seu filho desaparecido, e assim por diante.

O núcleo principal da história, comandado pela busca de Lyta por seu filho raptado e as consequências disso para o Sonhar, fragilizado por um rei que vive triste desde a morte de seu filho Orpheus, é o principal fio condutor de Entes Queridos. Entretanto, outras pequenas histórias, também guiadas por um objetivo essencialmente sentimental, vão sendo alinhavadas de maneira habilidosa por Gaiman, atribuindo ao argumento um status de complexidade admirável.

 “Ainda não consigo medir meu sucesso com Entes Queridos, se cheguei perto ou passei longe do que me propus a dizer. De qualquer modo, este é o mais pesado de todos os volumes. Pelo menos na versão em capa dura, não tenho dúvidas de que serviria, no mínimo, para nocautear um ladrão que arrombe sua casa; e esta sempre foi minha definição de arte verdadeira.” (Neil Gaiman, Entes Queridos, pág. 345)

Sem ser piegas, Neil Gaiman mostra que o amor pressupõe sofrimento e que, mesmo assim, criatura nenhuma quer viver sem passar por essa experiência. Todos precisam ter seus espíritos alimentados por suas relações com seus entes queridos.

Nota: ­­5
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados]

Blog do Desafio Literário 2012

Entes Queridos
Neil Gaiman
Editora Conrad
2008
360 páginas

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