Desafio Literário | Setembro: Mitologia Universal

Sinopse

“Charles Nancy tinha uma relação nada agradável com seu pai. Na opinião dele, o sr. Nancy era simplesmente constrangedor. Mas Charlie o conhecia muito pouco. Não percebia que havia nele algo muito diferente. Não sabia que ele era Anansi, o trapaceiro deus-aranha. Não percebia que havia nele algo muito diferente. Não sabia que ele era Anansi, o trapaceiro deus-aranha. Não fazia ideia de que tinha um irmão. Nem sequer imaginava no que vida se transformaria após tomar conhecimento disso. E, principalmente, jamais poderia prever que, para colocar tudo de volta nos eixos, teria que mergulhar de cabeça no sombrio e enigmático mundo dos deuses.”

Neil Gaiman é um dos meus autores prediletos e, por causa disso, gosto de ler pelo menos um livro dele por ano. Quando vi o tema “Mitologia” no DL de 2012, achei, portanto, que seria uma ótima oportunidade de incluir na lista Os Filhos de Anansi, baseado em mitologia africana.

A leitura desse livro foi um caso estranho. Começou meio sem ritmo, um pouco chata, até, centrada em um protagonista que, efetivamente, só dava bola fora: o coitado do Fat Charlie, herdeiro direto de Anansi, a aranha dos totens antiquíssimos da época da criação do mundo. São as reviravoltas na vida de Fat Charlie – como por exemplo a descoberta de um irmão, Spider – que impulsionaram a história e o ritmo dos capítulos. Do meio pro final, foi um pulo.

A transformação que se opera na vida de Fat Charlie é como a transição da lagarta para a borboleta. Rápida, fulminante, e, no fim, o resultado é completamente diferente do plano inicial. A trajetória do cara que começa a história só fazendo bobagem e posando de bobo enquanto o irmão galã rouba a cena é contada com muito humor em 14 capítulos com nomes sugestivos e várias passagens hilárias, como o trechinho a seguir, quando Fat Charlie retorna à Flórida para reencontrar as velhocas que o ajudaram, primeiro, a encontrar o irmão desconhecido e, depois, a se livrar dele:

 “- Olá, Charles.

– Eu achava que, se fosse encontrar alguém aqui, seria a sra. Higgler. Ou a sra. Dunwiddy.

– Callyanne foi embora. A sra. Dunwiddy me mandou. Ela quer ver você.

‘Que nem a máfia’, pensou Fat Charlie. ‘Máfia no pós-menopausa.’

– Ela vai me fazer uma oferta irrecusável?

– Duvido muito. Ela não anda muito bem.

– Ah.” (pág. 268)

 

A meu ver, a grande qualidade deste livro é a de ser despretensioso. A trama, é claro, é bem-feita, mas me pareceu estranhamente mais leve que a de O Livro do Cemitério, outro título de Gaiman classificado como infanto-juvenil. Talvez o humor da narrativa seja o responsável por esse efeito na leitura, o que comprova que Os Filhos de Anansi deve ter atingido o objetivo proposto pelo autor, uma vez que, na mitologia africana, uma das qualidades de Anansi é a de ser um grande gozador, um enganador bem-humorado de tudo e de todos.

Os questionamentos sobre a permanência e a noção de eterno também são reflexões bem legais propostas por esse livro. Anansi é um deus que morre no decorrer da narrativa – desculpe o spoiler –; entretanto, o seu legado são todas histórias do mundo, ou seja, algo supostamente capaz de sobreviver muito mais do que um deus pagão, que precisa ser cultuado para se manter vivo (eu acho). As lendas se propagaram oral e verbalmente pelas eras, chegaram aos dias de hoje e muitas pessoas as conhecem mesmo sem ter a consciência do que elas são realmente. Já a maioria dos deuses antigos se perdeu na história, infelizmente. Esta obra de Gaiman é uma forma de resgatá-los. Só isso já vale a leitura.

Nota: ­­5
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados]

Blog do Desafio Literário 2012

Os Filhos de Anansi
Neil Gaiman
Editora Conrad
2006
383 páginas

Anúncios

Um comentário sobre “Desafio Literário | Setembro: Mitologia Universal

  1. Nossa, li esse livro há muito tempo. Não lembro de quase nada. Com a leitura de sua resenha, alguma centelhas de lembrança foram reavivadas em minha memória. Eu lembro de que gostei.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s