Sherlock Holmes 2 – O Jogo de Sombras

A continuação da produção dirigida por Guy Ritchie sobre o famoso detetive criado por Arthur Conan Doyle não deixa de ser um desdobramento interessante de sua trama inicial.

Desta vez, Ritchie lança mão do principal vilão das histórias de SH: o professor James Moriarty (sombrio e obscuro na pele de Jared Harris) – muito mais engenhoso que Lord Blackwood, o afetado antagonista do primeiro filme.

Entretanto, parece-me que o Sherlock excessivamente caricata interpretado por Robert Downey Jr. prejudica o desenvolvimento do início do filme. O equilíbrio da trama começa a ser estabelecido a partir do casamento de Watson – mais uma vez interpretado brilhantemente por Jude Law. O Watson de Law sabe se fazer necessário ao enredo. Sua presença na trama é sempre preciosa, de modo que ele não pode ser visto meramente como o coadjuvante abobalhado, mero relator dos casos de Holmes, como ocorre na maior parte de suas produções para o cinema. O Watson de Law, de fato, faz diferença na história.

No enredo deste segundo filme, Moriarty manipula os acontecimentos pré-Primeira Guerra Mundial, numa tentativa não apenas de expandir seus domínios além da Inglaterra, como também de provar sua superioridade intelectual sobre Holmes. A única coisa que depõe contra ele nesse percurso é a sua incapacidade de tratar as coisas em termos particulares com seu opositor. O tempo todo, Moriarty busca atingir Holmes por meio de pessoas próximas ao detetive, num verdadeiro “jogo sujo” digno de um vilão, afinal de contas.

No entanto, a profusão de personagens do universo de SH – Irene Adler (Rachel McAdams), Mycroft Holmes (Stephen Fry), Mary Watson (Kelly Reilly) – “cheira” a uma avalanche de gente e de acontecimentos numa mesma história. Aliado ao ritmo frenético de perseguições, explosões, tiros, etc., isso exige um nível muito mais alto de atenção do espectador. É interessante, porém, observar que, mesmo nessa “salada”, Ritchie consegue conduzir um filme mais sério e mais consistente em relação ao primeiro da franquia. A cena do duelo de Holmes e Moriarty num jogo de xadrez é memorável pelo paradoxo de sua simplicidade de construção e elevada importância em relação ao conjunto do filme.

Apoiado por um habilidoso Watson, o Holmes de Downey Jr. consegue portar-se à altura do confronto com o seu maior inimigo, Moriarty. Contudo, volto a dizer, nessa concepção para o cinema, não consigo pensar em Holmes sem Watson – algo que já não me ocorre quando assisto aos episódios da série da BBC.

Os efeitos especiais bastante realistas – a fuga coletiva pela floresta é uma sequência notável –, as tomadas de ação retardadas em relação à velocidade do pensamento de Holmes e a bela edição de imagens são recursos que Ritchie explora muito bem e que aumentam seu valor estético como diretor.

Sherlock Holmes 2 – O Jogo de Sombras

Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Jared Harris, Stephen Fry, Paul Anderson, Kelly Reilly, Geraldine James, Eddie Marsan, William Houston, Wolf Kahler.
Gênero: Ação/Suspense
Duração: 129 min.
Distribuidora: Warner Bros.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s