Presidência não é uma questão de gênero

Posse da nova presidente

Depois das transmissões da posse de Dilma Rousseff no cargo de presidente da República e dos comentários reinantes, chego a uma humilde conclusão: eu discordo do que está sendo dito por aí. Discordo da enxurrada de tweets chamando a atenção para o fato de ontem ter sido um dia histórico pela posse da primeira mulher no cargo mais importante do País, discordo de que a maior virtude do novo governo ser o fato de uma mulher estar no poder, e discordo de 99% das mulheres que apóiam Dilma por ela ser mulher – uma colega da USP inclusive contou que disse ao marido que não lava mais louça em casa porque agora Dilma é presidente. Oi?

Eu não gosto de pensar esse assunto dessa forma. Acho que é extremamente reducionista valorizarmos Dilma (que não era minha candidata, que fique claro) pelo simples fato de ela ser uma mulher. Creio que é importante valorizarmos nossa nova presidente por suas habilidades, por sua capacidade e, acima de tudo, pelo fato de a maioria dos votos da população ter indicado que, neste momento, ela parece ser a pessoa mais preparada para exercer o cargo.

Não me lembro de ter visto Lula ou FHC sendo exaltados na presidência pelo fato de serem homens, e sim por suas conquistas e pelas características marcantes de suas personalidades. Filmes e livros da época da conquista do sufrágio feminino mostram uma situação muito parecida com a que estamos nos defrontando no Brasil agora. Naquele momento, até os homens favoráveis ao voto feminino justificavam sua posição com o argumento de que as mulheres precisavam ter direito ao voto por serem boas de coração. Ora, quanta ingenuidade! Uma mulher não deve votar por ser boa, mas por se entender que, assim como o homem, ela é capaz de ajudar a decidir o destino de seu país.

Da mesma forma, eu espero que Dilma seja uma boa presidente não por ser uma mulher, mas por ter sido escolhida para tal em vista de sua preparação, de suas ideias, de seu plano de governo – isso tudo independentemente do fato de ela ser homem, mulher, transexual, o que seja. E ontem foi, sim, um dia histórico, mas a meu ver não por ela ser mulher, mas porque, em todo país dito democrático, a transição de um governo para outro sempre é um momento para ser celebrado e arquivado na História.

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2 comentários sobre “Presidência não é uma questão de gênero

  1. Amiga, assim como nossa querida Angela, concordo com tudo que você escreveu. Não damos mérito a alguém por ser homem ou mulher, e sim pelos seus feitos, por suas ideias e ideais, por suas atitudes de virtudes. O gênero é só um gênero. Bjs

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