Expo | O Ocidente Exótico

A exposição The Exotic West foi o motivo da minha primeira visita ao Centro de Cultura Judaica, no bairro do Sumaré, na semana passada. Minha ideia inicial era ver um pouco das instalações elaboradas por diferentes artistas do Oriente Médio sobre a dinâmica que envolve os processos mundiais atualmente. Ou seja, nada é imutável e o contato Ocidente-Oriente é inevitável. Os reflexos desses fenômenos é que precisam ser cuidadosamente observados, no intuito de tentar compreender de que maneira esse choque configura uma nova realidade política e cultural.

Organizada pelo artista, pesquisador e professor de ascendência cristã palestina e judaica tunisiana Dor Guez, a mostra é relativamente pequena – ocupa apenas o primeiro andar do Centro de Cultura Judaica –, mas vale a pena ser vista. As obras expostas utilizam diferentes suportes e suas formas de expressão são bastante criativas. O aparato tecnológico também é usado de forma bem interessante – há, por exemplo, instalações com várias telas reproduzindo imagens ao mesmo tempo, unidas por um discurso comum.

Os assuntos variam. Vão de um minidocumentário sobre os samaritanos feito pela artista israelense Nurit Sharett, ao longo de 18 meses de filmagens acompanhando as festividades e os feriados religiosos de uma comunidade; dois livros encadernados juntos – e que podem ser vistos ao mesmo tempo – elaborados por Neta Shoshani, com fotografias documentais da invasão de Dir Yassin, ocorrida em 1948 (no livro 1), e imagens proibidas de Kfar Shaul, uma instituição israelense para doentes mentais construída sobre as ruínas de Dir Yassin (livro 2); o conjunto de fotografias scaneadas das páginas do diário de dois viajantes logo após a invasão do Iraque pelos norte-americanos e organizada pela artista palestina Reem Da’as; entre outras.

É interessante perceber como se dá o jogo de identidades e como o apagamento de fronteiras atua hoje nas sociedades do Oriente Médio. Os pequenos vídeos elaborados pelo iraniano Solmaz Shahbazi mostrando os estereótipos culturais dos condomínios de luxo em Istambul – quem lembram muito os de São Paulo – e o prestígio e a necessidade de segurança por eles “inspirados” são um bom exemplo disso. Os encontros interculturais questionam as estruturas de poder e evocam o necessário debate sobre as identidades culturais no mundo de hoje.

O texto de Dor Guez no livreto da exposição merece atenção à parte. Muito bem elaborado e fundamentado, nele o curador faz a esperada amarração sobre o sentido das obras expostas e a proposta do “Ocidente Exótico”, mapeando conceitos como “exótico”, “exotismo”, “identidade” e, é claro, Ocidente e Oriente.

The Exotic West
Curadoria: Dor Guez
Local: Centro de Cultura Judaica
Até 17 de dezembro
Grátis
http://culturajudaica.uol.com.br/programacao/

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