Cinema oriental | Yojimbo, o guarda-costas

Kuwabatake Sanjuro (interpretado por Toshiro Mifune) é um samurai errante (ronin) em pleno Japão na iminência da Restauração Meiji – fim do xogunato, ou seja, do domínio dos samurais, e a volta do poder imperial. O ano é de 1860 e a desolação é um cenário frequente em várias partes do Japão. É nesse contexto que Sanjuro, sem emprego, com fome, e portando apenas sua espada, chega a um vilarejo dominado por duas gangues que disputam o poder à custa de muitas brigas.

Decidido a se aproveitar da situação para ganhar dinheiro e prestígio, o samurai começa a fazer um inteligente jogo duplo com as gangues, oferecendo seus serviços como guarda-costas. A ele, pouco importa quem sairá vitorioso no fim, contanto que consiga algum conforto e dinheiro.

O rumo das coisas muda drasticamente quando Sanjuro decide ajudar um aldeão que perdeu sua esposa no jogo para o chefe de uma das gangues. Seu senso de justiça – aparentemente adormecido – aparece quando ele consegue recuperar a mulher e unir a família do pobre homem novamente. Entretanto, nem tudo é perfeito.

As dores de cabeça de Sanjuro começam com a chegada de Unosuke (Tatsuya Nakadai) ao vilarejo. Irmão do chefe de uma das gangues, o rapaz é conhecido por sua astúcia e também por sua maldade. Ah, é claro, faltou mencionar o detalhe de que ele porta uma arma de fogo, o que altera bastante o curso dos acontecimentos dali em diante.

Unosuke sai matando e chantageando as pessoas a torto e a direito para aumentar o poder da gangue de seu irmão. Sua atenção só é desviada de suas “atividades” quando ele descobre que Sanjuro libertou a mulher “adquirida” por seu irmão e que, na verdade, o samurai está enganando a todos.

A sorte do personagem de Toshiro Mifune muda radicalmente a partir daí, mas engana-se quem pensa que esse deslize selaria o destino de Sanjuro. A trama dirigida por Akira Kurosawa é inteligente e, do meio para o final, eletrizante.

Ao som de uma trilha sonora (elaborada por Masaru Satou) que contribui positivamente para o desenrolar da trama e de tomadas que inspirariam o spaghetti western do cinema italiano, Yojimbo é um filme de samurais com alma não muito convencional, o que combina com o clima histórico nele retratado. A irreverência de Sanjuro é sem dúvida um ponto interessante do filme, apesar de já não combinar muito com o perfil dos lendários guerreiros da história japonesa. O protagonista usa suas habilidades acima de tudo para conseguir status, dinheiro e conforto, mas, lá no fundo, conserva uma pitada de nobreza e de vontade de fazer justiça. A bela atuação de Toshiro Mifune rendeu-lhe o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza e também uma continuação um ano depois, chamada Sanjuro, na qual o samurai tenta treinar um grupo de jovens, em um filme com menos cenas de luta e mais humor.

Ficha técnica
Yojimbo, o guarda-costas
Direção: Akira Kurosawa
Ano: 1961
País: Japão
Gênero: Ação, Drama, Policial, Thriller
Duração: 110 minutos / P&B
Elenco: Takashi Shimura, Toshirô Mifune, Daisuke Katô, Tatsuya Nakadai, Isuzu Yamada, Hiroshi Tachikawa, Yôko Tsukasa, Seizaburô Kawazu, Yosuke Natsuki, Eijirô Tono

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