Biblioteca particular

 Estou lendo um texto ótimo para a aula da próxima terça. Em um dado momento da leitura, deu um “estalo” na minha cabeça e vim parar aqui. Foi quando o autor comentou que as bibliotecas públicas continuam existindo de modo mais tradicional, mas qualquer intelectual ou estudante investe muito mais, hoje, em sua biblioteca privada, em que os livros se misturam às revistas, aos recortes, a tudo o que pode ser interessante, distribuído em estantes, mesas, etc. É isso aí.

O texto é de Nestor García Canclini, parte do livro Culturas Híbridas. Eu gosto das ideias do Canclini, já o estudei no semestre passado, mas não a obra que estou lendo agora. No texto, ele ainda cita um ensaio de Walter Benjamin que fala sobre a desordem que liga os objetos à história de seus saberes, da sensação de quem desempacota sua biblioteca após uma mudança.

Há muitas coisas interessantes no texto do Canclini. Como por exemplo a ideia de colecionismo, de sentir que se possui um determinado quadro, uma música ou um livro por conseguir estabelecer com essas obras uma relação especial de conhecimento de sua organização. Saber sobre elas é uma forma de relacionar-se com essas obras. Elas passam a fazer sentido estético, simbólico, hierarquizado em relação a outras.

Bem, eu tenho pouco espaço para as minhas muitas coisas. Gostaria de ter um amplo ambiente para a minha biblioteca. E por biblioteca não entendo apenas os meus livros, mas todas as informações interessantes que posso armazenar, seja em forma de livros, seja em forma de revistas,  CDs, ou mesmo de DVDs (filmes, documentários). Meu acervo, entende?

Mas, mesmo na humildade do meu acervo, acho que consigo estabelecer essa relação de colecionismo. Da necessidade de tê-los, por entendê-los, por cada um deles ter o seu valor dentro do meu parâmetro cultural. Tanto é que nunca comprei um livro repetido, uma revista, um CD. Eu sei exatamente tudo o que eu tenho. E por que eu tenho. Eles fazem sentido para mim.

Canclini fala que o colecionismo surgiu do folclore, da preservação de heranças que remontam a épocas passadas. Que engraçado, e meu irmão ainda disse hoje que eu adoro um cheiro de naftalina… Mas o interessante é saber que, pelas ideias de Canclini, essas coleções se renovam o tempo todo, mesclando-se o culto com o popular, permitindo a cada pessoa construir o seu repertório de forma híbrida. De novo eu me encontrei aqui. De Akutagawa a Machado de Assis, de … E o vento levou à Luluzinha, de HQs de Neil Gaiman à quinta de Beethoven, tudo isso eu tenho aqui na minha biblioteca particular. E ao mesmo tempo que se compõe uma relação fragmentária (tenho alguns livros, e não a obra completa de Machado de Assis, por exemplo) dessas obras na formação do meu repertório, configura-se também uma relação de renovado significado e valor histórico para o meu entendimento.

Bom, agora que viajei geral nessas ideias, deixa eu ir ali terminar a leitura.

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