As leituras de 2009

Como já virou tradição neste espaço, o primeiro post do ano vem com a relação das leituras que fiz no ano anterior. Em 2010, insiro a novidade de um pequeno comentário em cada leitura. Vamos lá:

– “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (José Saramago) – Este foi o livro escolhido para iniciar as atividades do Ágora, clube de leitura do qual fiz parte até junho de 2009. Foi uma experiência muito bacana e ler Saramago é sempre interessante. “O Evangelho…” rendeu alguns posts aqui, com informações bem legais pois, parelelamente à leitura, fui fazendo algumas pesquisas e descobri que ler esse livro é um bom exercício de argumentação.

– “O Lobo Mau no Divã” (Laura James) – Esse livro eu resolvi ler por pura curiosidade, motivada por uma matéria que fiz para a extinta Zashi sobre um paralelo entre a Chihiro (de “A Viagem de Chihiro”) e Alice (de “Alice no País das Maravilhas”). O livro de Laura James aplica a psicologia para entender os dramas de personagens famosos do mundo dos contos de fadas, incluindo, é claro, Alice, criação máxima de Lewis Carroll.

– “Assassinato no Expresso do Oriente” (Agatha Christie) – Esta foi a leitura de março do Ágora. Fã de carteirinha de Agatha Christie como eu sou, nem preciso dizer que amei reler esse clássico da Dama do Crime, cujo grande diferencial, a meu ver, está na estrutura narrativa, que mexe com acontecimentos dentro e fora da diegese, ou seja, do tempo narrativo da obra. Muito interessante!

– “Dois Irmãos” (Milton Hatoum) – Este é um grande livro, sem dúvida. Em minha humilde opinião, Hatoum é o grande escritor do momento no Brasil e “Dois Irmãos” é uma obra de grande qualidade literária, escrita com muita precisão e talento. Na medida certa. Foi a leitura de abril do Ágora.

– “O Apanhador no Campo de Centeio” (JD Salinger) – Este é um dos meus livros prediletos! Holden Caulfield é um dos personagens mais bem construídos que já vi. Tá certo que não vi muita coisa até aqui, mas tudo bem. Esta também foi uma releitura e a obra discutida em abril pelo Ágora.

– “Noites Brancas” (Fiódor Dostoiévski) – Pelo que sei, esta foi a única obra com toques realmente românticos deixada por Dostoiévski. Uma graça, este livro. Leve, de leitura fluida, gostei bastante. No meu caso, que estou engatinhando em matéria de Dostoiévski, foi uma boa introdução.

– “Gêneros Literários” (Angélica Soares) – Eu comprei este livro enquanto ainda estava cursando a minha especialização. Achei que seria uma boa leitura complementar e não me enganei. Fiz até um fichamento dele para guardar. O livro é bem pequeno, mas cheio de conceitos importantes. Vale a leitura!

– “Jornalismo Cultural” (Daniel Piza) – Este livro eu li porque, já no início do ano, tinha resolvido que faria o curso de jornalismo cultural com o Daniel Piza na Escola São Paulo. Assim, pra não chegar totalmente por fora, fiz a leitura e não me arrependi. É um pequeno compêndio interessante sobre o histórico desse gênero jornalístico, com boas dicas para quem exerce a profissão.

– “Notas de Literatura I” (Theodor Adorno) – Essa leitura foi feita por causa do mestrado. Ler Adorno é um desafio, mas foi importante para mim conhecer mais sobre a sua obra. Também fichei essa coletânea de ensaios sobre diversos aspectos literários.

– “A Hora da Estrela” (Clarice Lispector) – Eu já tinha comprado uma edição desse livro em sebo e nunca dava tempo de fazer a leitura. Resolvi que de 2009 a coisa não passaria. Afinal, é uma vergonha uma mestranda de literatura nunca ter lido esse livro, um dos mais populares da literatura brasileira. Gostei bastante da Macabeia (a protagonista). Clarice é um gênio, por isso que, muitas vezes, é difícil para mim, pobre mortal, entendê-la.

– “Leite Derramado” (Chico Buarque) – Esse livro foi a última leitura que fiz para o Ágora. Fui com a turma do clube de leitura para a Flip, em Paraty, e, como sabíamos que o Chico era um dos participantes, resolvemos conhecer o seu livro mais recente. Confesso que não achei nada de “fora do normal”, mas a leitura foi agradável.

– “Pela Mão de Alice” (Boaventura de Sousa Santos) – Conheci esse sociológo português na lista da bibliografia para a prova de ingresso no programa de mestrado lá da USP. Esse livro é grande e cheio, cheio, de conceitos. Mas essa leitura é edificante, sem dúvida, por contextualizar a produção literária portuguesa.

– “O que Muda com o Novo Acordo Ortográfico” (Evanildo Bechara) – Bem, como revisora, esse pequeno livrinho é leitura obrigatória para mim. Nem preciso dizer mais nada, né?

– “A Ordem do Discurso” (Michel Foucault) – Ler Foucault é um desafio para mim. Esse livrinho é pequeno, mas denso como sei lá o quê. Era uma leitura que estava pendente e que, em 2009, tomei vergonha na cara, voltei para o início e fui, perseverante, até o final. Ainda estou fazendo o fichamento dele.

– “O Texto Argumentativo” (Adilson Citelli) – Esse livro eu também comprei durante o curso de especialização. É uma leitura legal para trabalhar melhor do texto e atentar mais para as mensagens implícitas, escolha de palavras, esse tipo de coisa. Já fichei esse.

– “Os Cus de Judas” (Antonio Lobo Antunes) – Esse livro foi discutido levemente pelo pessoal do Ágora pouco antes de irmos a Paraty. Quando voltamos, vi que ele havia sido inserido na lista de livros para a prova de ingresso no mestrado, então meu interesse foi redobrado e parti para a leitura. Gostei muito. Lobo Antunes é intenso, denso, e angustiante. O livro é algo fora do sério. Vale muito a pena lê-lo!

– “Sherlock Holmes Investigates” (três novelas de Arthur Conan Doyle) – Esse livro é todo em inglês e peguei firme nele para unir o útil ao agradável, já que adoro leituras de mistério e também precisava estudar para a prova de proficiência que fiz em setembro. Deu muito certo!

– “O Minotauro” (Monteiro Lobato, versão HQ, adaptada por Sil) – Comprei essa edição na Feira de Livros da USP com 50% de desconto. Eu queria mesmo era a edição convencional, mas ela está fora de catálogo no momento. Esse livro de Monteiro Lobato é uma das recordações da minha infância, de quando a minha mãe estava sem dinheiro para comprar novos livros para mim e eu sempre escolhia esse para reler, por causa do enredo, que se passa na Grécia mitológica.

– “Os Flagelados do Vento Leste” (Manoel Lopes) – Este é um clássico da literatura de Cabo Verde que peguei da lista de livros da prova da USP. Já cansaram de fazer essa analogia, mas não posso, em poucas linhas sobre o livro, falar dele sem mencionar sua semelhança (guardadas as devidas proporções) com “Vidas Secas”, de Graciliano. As duas obras, inclusive, foram publicadas na mesma época.

– “Cartas na Mesa” (Agatha Christie) – Encerrei o ano com a Dama do Crime. Ou seja, encerrei o ano com chave de ouro. Eu estava curiosíssima para ler esse livro, pois ele reúne quatro dos detetives criados por Dame Agatha: Poirot, Ariadne Oliver, Coronel Race e Superintendente Battle, debruçados sobre um mesmo crime. A leitura estava eletrizante até que… aconteceu algo digno das tramas de Conan Doyle: um detalhe surgido de última hora e que ajudou na resolução do crime. Puxa, me decepcionei. Isso não é do feitio de Dame Agatha. Mas vá lá, quem nunca erra, né?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s