O Brasil olímpico

Gente, não aguento mais ouvir comentários fora da realidade pelo fato de, agora, o Rio ser uma futura sede olímpica. Quem dizia que o ufanismo era coisa de ditadura está completamente enganado, porque temos um dos presidentes mais bem-vistos do planeta e o clima de “Brasil, ame-o ou deixe-o” parece reinar por aqui.

Que fique claro que não sou contra as Olimpíadas no Brasil. Aliás, muito pelo contrário, gosto muito de esportes e quem me conhece sabe que eu vibro tanto com as Olimpíadas quanto com a Copa do Mundo. Mas confesso que o fato de sediarmos essas duas megacompetições é algo que me deixa ainda mais aflita – haja superfaturamento e mau uso do dinheiro público!

Artigo de hoje do Helio Scharwtsman no site da Folha de S.Paulo sobre esse assunto é simplesmente emblemático. Um texto pra fazer brasileiro botar o pé no chão e acordar, sabe? Pra mim, foi uma renovação de fôlego. Isso porque não aguento mais ser massacrada pela minha família e por vários amigos e conhecidos que estão profundamente emocionados pela “nossa conquista”. Eu também estou, mas é por outro motivo…

Post no blog do Daniel Piza também sobre esse assunto (dia 7/10) é outra prova de que, apesar de minoria, ainda existem ótimas cabeças pensantes que não se deixaram levar por essa onda ufanista que nos consome atualmente. Graças a Deus, ainda nos sobra alguma consciência!

E, se você quer saber porque me incomoda o fato de sediarmos uma Copa ou uma Olimpíada – no nosso caso, as duas coisas – acesse os links deste post e leia os textos do Piza e do Schwartsman. Eles dizem tudo.

Pra finalizar, uma citação do fabuloso Stuart Hall, do livro Da Diáspora, que vim lendo no ônibus, no caminho para o trabalho, e que parece ter bastante a ver com o nosso atual momento social:

“Entretanto, para pensar ou analisar a complexidade do real, é necessária a prática do pensar e isso requer o uso do poder de abstração e análise, a formação de conceitos com os quais se pode recortar a complexidade do real, com o propósito de revelar e trazer à luz as relações e estruturas que não podem se fazer visíveis ao olhar nu e ingênuo, e que também não podem se apresentar nem autenticar a si mesmas.” (HALL, Stuart. Da Diáspora – Identidades e Mediações Culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. Pág. 150)  

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