O achismo e a crítica no Brasil

Eu nunca levei muito em conta as resenhas/críticas que leio por aí. A maioria delas não é bem fundamentada, muito pelo contrário, sua palavra de ordem é sempre o “achismo” disfarçado por palavras rebuscadas por trás das quais não há absolutamente nada.

Como a crítica é uma parte muito importante do jornalismo cultural, pelo qual sou apaixonada, comecei a fazer, neste mês, um curso específico de crítica cultural com o grande Daniel Piza. Já que eu quero aprender, que seja logo com quem sabe, né? Pois bem.

Estou gostando muito das aulas. Daniel é equilibrado, não é afetado, é calmo e cordial. Ouve e responde tudo o que lhe é perguntado, inclusive no intervalo das aulas, período em que passa na sala, esclarecendo as dúvidas dos alunos sobre livros, revistas brasileiras, resenhas, etc.

A principal lição já foi dada logo de cara e, de alguma forma, eu já “desconfiava” de qual seria ela: é preciso estudar. E, nessa área (a do jornalismo cultural), isso se resume a duas coisas muito simples: ler e escrever. Sair por aí opinando e escrevendo críticas na base do achismo, além de ser fora de propósito, não é uma postura profissional. E, no Brasil, infelizmente, isso é o que mais se vê.

Prof. Daniel Piza (Ha! Que engraçado escrever isso!) confirma. De acordo com ele, nosso país está muito mal servido de críticos, principalmente da nova geração – casos como Barbara Heliodora, por exemplo, ficam fora dessa estatística, obviamente.

Assim, esse povo que sai por aí assinando resenhas disfarçadas de críticas de filmes baseados em livros os quais nem leram e essa massa de “especialistas” em cinema, pintura, música, etc., que escrevem sem embasamento algum, fazendo simplesmente um resumo do que viram, estão difamando o verdadeiro trabalho do crítico: o de fazer o espectador pensar sobre a obra, acrescentando uma nova visão sobre ela, o que implica, muitas vezes, uma eficiente contextualização, informações biográficas, paralelos, entre outros recursos.

Amanhã, a aula será especificamente sobre cinema (na sexta, foi sobre pintura). E aguardo sugestões para o tema do trabalho que preciso entregar ao prof. Piza até o dia 15: uma crítica sobre algum produto cultural recente, de até um ano atrás no máximo.

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