Ágora – Leitura de março

Assassinato no Expresso do Oriente, da Dama do Crime, Agatha Christie, foi o segundo livro escolhido pelo Ágora para discussão. O grupo reuniu-se no último sábado (dia 14) e o resultado foi um debate muito proveitoso sobre esse, que é um dos enredos mais criativos e interessantes estruturados por “Dame Agatha”.

O que chama a atenção logo de cara nessa leitura são suas características singulares. O assassino já inicia a história nessa condição, em virtude de um crime cometido anteriormente, cujo resultado apenas se reflete sobre a ação que norteia o livro. Ou seja, há dois tempos narrativos em questão (diegese): um fora do alcance do leitor, pois o assassinato que desencadeia a trama não é acompanhado por ele, apenas os seus desdobramentos, e outro que parte do momento narrado pelo livro, quando o assassino passa a ser vítima, perseguido por aqueles que desejam lhe aplicar a pena capital da qual a justiça o livrou em julgamento.

Assim, o assassino, no caso desse livro, é a vítima e a sua morte é o ponto de partida para a ação do detetive – o brilhante Hercule Poirot –, que se ocupa da busca da identidade do responsável pelo delito.

Trata-se, portanto, de acordo com a definição de Greimas, de uma “história de detetive”, e não “de criminoso” – uma sanção cognitiva. Diz-se uma “história de detetive” pelo fato de ela ser embasada em uma trama na qual não se conhece a identidade do assassino (nesse caso, do assassino que age durante o tempo narrativo da história, e não previamente) e cujo fazer consiste em o detetive descobrir a identidade do culpado.

Será que ficou muito confuso? Eu não gostaria de colocar spoilers aqui, por isso não entrei muito nos detalhes que se referem ao desfecho do livro, que é genial, diga-se de passagem. Mas é importante entender que a chave da singularidade da trama de Assassinato no Expresso do Oriente está justamente nessa “inversão” de papéis da relação vítima–assassino que toma conta dos personagens do livro.

Como também tenho o DVD do filme produzido durante a década de 70 com base nesse livro, aproveitei para assisti-lo novamente e confrontar algumas mudanças feitas para a adaptação no cinema. Com elenco estelar, é bom lembrar que esse longa-metragem concorreu a 5 indicações ao Oscar e ganhou vários prêmios na Europa. A atriz Ingrid Bergman, que interpreta muitíssimo bem a personagem de Greta Ohlsson, venceu como melhor coadjuvante. Vale a pena assisti-lo!

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5 comentários sobre “Ágora – Leitura de março

  1. Perdi as contas de quantos livros da Agatha eu li lá pelos meus 13, 14 anos..rs um dia destes eu vou reler uns só pra matar a saudade. O primeiro de todos foi O ASSASSINATO DE ROGER ACKROYD: muito bom!

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