Cinema | Pequena Miss Sunshine

Há tempos eu estava pensando em escrever sobre esse filme, mas o tempo é curto e minha organização não é lá essas coisas. Consegui assistir a esse longa há apenas algumas semanas e confesso que achei a trama interessante. Fazia tempo que um filme americano não me sensibilizava como ocorreu com Pequena Miss Sunshine.

Minha ideia aqui não é fazer resenha, não. Quero apenas registrar algumas impressões sobre uma das produções mais criativas e realistas do cinema americano dos últimos tempos.

Eu ri e quase chorei durante o filme. Obviamente, Abigail Breslin (Olive, a menina-protagonista) é uma figura carismática e talentosa, uma excelente escolha dos produtores. Ela é espontânea, gordinha, e porta-se como uma criança normal para sua idade. Um produto bem real da desordem que é a sua família, composta por um avô viciado em heroína, um irmão introspectivo aficionado por Nietzche, uma mãe preocupada e estressada, um pai que tenta mascarar seu fracasso profissional com uma lunática fórmula de sucesso por ele mesmo desenvolvida, e um tio com tendências suicidas.

Aliás, o tio, a meu ver, é um capítulo à parte: Steve Carell (Agente 86, A Volta do Todo-poderoso) interpreta Frank, um personagem difícil, denso, um homossexual cuja vida afetiva desmoronou de tal maneira que destruiu sua brilhante carreira acadêmica – na história, Frank é o maior especialista em Marcel Proust dentre os acadêmicos dos Estados Unidos – e facilitou o caminho para sua atitude extremada. Entretanto, acostumado a papéis cômicos, Carell surpreende e se supera na composição de Frank, que, para mim, é um dos pontos altos do filme.

A desestruturação da família vem à tona de uma das maneiras mais inocentes que se pode imaginar: pelo desejo de Olive de vencer um concurso de miss. A empreitada envolve todos os parentes viajando para levar Olive para o concurso a bordo de uma velha kombi branca e amarela. No caminho, conflitos e descobertas, inclusive a do daltonismo do irmão de Olive, que sonhava em ser piloto de avião. É incrível pensar que os pais não tenham percebido a deficiência do rapaz, que já está na adolescência. É por intermédio de Olive, em plena kombi na estrada, que isso acontece.

A crítica sagaz aos concursos de beleza não pode ser esquecida. Como que para coroar o enredo, é já no fim do filme que Olive realiza parte de seu desejo: o de desfilar como uma miss durante o concurso, sem deixar de lado toda a sua autenticidade e a sua infantilidade em um impagável número na prova do concurso de talentos. Ao lado de meninas de aparência totalmente fabricada por suas mães, a presença natural de Olive salta aos olhos dos espectadores.

E a menina não sai com a faixa e o título do concurso por ser, é claro, totalmente fora dos parâmetros de uma miss – e muito criança para ganhar um concurso “infantil”.

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2 comentários sobre “Cinema | Pequena Miss Sunshine

  1. Oi, Elisita!!!
    Sim, assisti a Juno e gostei muito. Ellen Page é danada, uma das melhores atrizes dessa nova geração, eu acho. O roteiro é bem original e a trilha sonora é muito bacana. Beijo.

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