Aquilo e… quase aquilo

 

A original
A original e a cópia…

Criatividade é uma questão subjetiva, eu sei, mas plágio não me parece se encaixar nesse critério de flexibilidade. Será que sim? Será que não?

Passeando pelo blog da revista História Viva, da editora Duetto, eis que me deparo com um post revelador no blog da redação: um caso de cópia de capa envolvendo a própria História Viva e a Leituras da História, uma revista mais nova editada pela Escala. Bem, eu, que sou uma pessoa que trabalha em redação de revista, já fiquei sobressaltada ao ver as imagens ao lado. Seria o fim do que chamamos de criatividade editorial?

Sim, sim, qualquer pessoa menos ingênua vai dizer: “Nada se cria, tudo se copia, Erika, você não sabia disso?”. Eu sei, a frase é famosa, mas isso não significa que o leitor deva ser subestimado. É ele quem dá sentido ao trabalho do jornalista e – excetuando-se os aproveitadores de plantão, que existem em qualquer área profissional – merece respeito. O jornalista que copia não é ético e, logicamente, não respeita seu leitor.

Bem, passando a interpretação básica da coisa, vem a questão do empobrecimento intelectual de quem produz a revista. O post no blog da História Viva deu o que falar, rendeu comentários surpreendentes, segundo meu humilde ponto de vista. Gente defendendo a revista plagiadora, dizendo que se trata de uma boa publicação. Nunca folheei a Leituras da História, simplesmente porque sou assinante da Aventuras na História, da Editora Abril, e o fato de a publicação da editora Escala ter surgido bem depois e com um nome tão parecido já não pegou bem, a meu ver.

Quem quer identidade editorial quer o diferencial, não procura ser confundida com outra mais velha, consolidada e pioneira em seu segmento, como é o caso da Aventuras. Ela, juntamente com a Nossa História, da Biblioteca Nacional, e com a História Viva, da Duetto, inauguraram o mercado de revistas sobre história e nisso há um grande mérito, haja vista que as três publicações têm boa consistência editorial e identidades bem definidas. Surgir depois, com um nome parecido com uma e, mais tarde, plagiar a capa de outra é sujar o título. Na minha visão de jornalista, Leituras da História não tem credibilidade editorial. Na minha visão de leitora, não vale o tempo da leitura. Que me desculpem os mais tolerantes.

Em tempo: pesquisei no site da editora Escala e vi que a Leituras da História não tem site próprio.

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2 comentários sobre “Aquilo e… quase aquilo

  1. Erika, você se lembra quando a equipe da Biblioteca Nacional se retirou da revista Nossa História e criou uma publicação com formato e projeto gráfico idênticos? Não sei o que rolou depois, mas pegou mal, dando muito o que falar. É tão fácil dar uma pesquisada antes de criar algo, né?

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