Do que é feita a morte?

Já não tenho mais dúvidas de que o meu maior desafio em 2008 está sendo encarar a morte e seus efeitos de forma mais próxima de mim. Algo com o que nunca me preocupei, simplesmente porque nunca houve necessidade, uma vez que ainda não havia vivido nada assim.

Adam Sun
Adam Sun

Entretanto, depois de perder minha avó, soube da morte de Adam Sun, simpático e competentíssimo jornalista que encerrou sua grande carreira na Piauí e o qual tive o privilégio de entrevistar para a estréia de uma seção que eu mesma havia criado para o suplemento no qual trabalhava na época. Isso aconteceu no fim de 2006, início de 2007, quando Adam divulgava a primeira edição bilíngüe português-chinês de A Arte da Guerra, de Sun Zi. Ele, que nasceu e viveu vários anos em Taiwan e compreendia o chinês fluentemente e presenteava o mercado brasileiro com a versão pra lá de confiável de uma obra milenar feita com todo o cuidado de que seu profissionalismo era capaz.

Da minientrevista (essa era a proposta da seção) e dos vários contatos por e-mail, ficaram as boas lembranças e a simpatia pelo trabalho desse jornalista. Dessa forma, quando soube de sua partida, lendo a bela despedida que Piauí lhe preparou na edição de novembro, senti um aperto forte no coração, uma sensação triste de perda. Porém, Adam deixou o seu trabalho, o seu legado, fez escola como o primeiro a desempenhar com método a função de checador de informações (algo vital em qualquer redação) no jornalismo brasileiro, o que me faz pensar que a morte não deve ser feita só de tristeza e perda, mas também de conforto deixado pelo legado, pela marca que fica daquele que vai.

Cláudio Seto
Cláudio Seto

Hoje, esse turbilhão de pensamentos e de sensações se repete, porque soube, assim que cheguei à redação, da morte do querido Cláudio Seto, um dos mais antigos colaboradores da revista para a qual trabalho. Um homem sábio, humilde, dono de vasto conhecimento da cultura japonesa, além de talento incrível para o desenho. Seto chegou a ser homenageado em vida em várias ocasiões e tive o privilégio de manter contato com ele por cerca de dois anos, o que me rendeu valiosas lições. Ele se foi, mas o legado de seu trabalho fica para nós, admiradores da cultura japonesa.

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Um comentário sobre “Do que é feita a morte?

  1. Eu já perdi tantas pessoas, inclusive as que me criaram (meus avós, verdadeiros pais) e até hoje não sei lidar com a morte. Ainda é difícil o dia seguinte, a semana, o mês… E não passa um dia sem que eu me lembre de minha avó, penso nela várias vezes por dia.
    Guardo objetos dela. E lembranças mil.

    Quanto aos colegas de profissão, o bacana é que você pôde partilhar de sua experiência de vida com eles. E não é bacana isso? Fica o carinho que você sentiu (ele não acaba nunca, nem depois da partida), as coisas legais que aprendeu com eles, pequenos detalhes que somam em sua vida.

    Ah… os amigos que se fortam continuam meus amigos. ;o)

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