A dor do outro é a minha também

Ainda estou fora do ar, tentando recompor os cacos. Minha avó faleceu na madrugada da última sexta-feira, dia 24, aos 92 anos (olha que relapsa eu sou, pensei que ela já estava com 94). O motivo da morte foi velhice, ou, como eu penso, cansaço de viver. Ela já tinha vivido tudo o que tinha para viver, criado filhos, netos e conhecido vários bisnetos. Ao longo de décadas, fez o possível e o impossível em busca do melhor para sua família. Conheceu Lampião, Getúlio Vargas, Irmã Dulce, entre outras tantas pessoas importantes, o que me faz acreditar ainda mais que ela também era uma pessoa importantíssima, e não somente pelo fato de ser minha vó.

Enfim, estou tentando me recuperar de um dos dias mais tristes de minha vida e tentando entender como isso me afeta, já que ela morava próximo de Salvador e eu, aqui em São Paulo, tive poucas oportunidades de vë-la pessoalmente e de conversar com ela. Jamais imaginei que sentiria tanto a sua morte exatamente por esses motivos, mas me enganei. Possivelmente porque não calculei que o sofrimento de minha mãe me destruiria por dentro e por desconhecer o efeito de que, algumas vezes, a dor do outro machuca mais a gente do que a nossa própria dor. É uma dor em cadeia, pode-se dizer. Eu sofro por ver minha mãe sofrer.

Não ia escrever esse post. Mas resolvi registrar isso aqui por dois motivos. O primeiro é que minha mãe disse que meu amor pelos livros e as letras é uma herança de minha avó, que, mesmo após os 90 anos, ainda escrevia poemas e lia livros (sem o auxílio de óculos!). De todas as prendas de minha avó, essa foi a que me coube e fico muito feliz por isso. O segundo motivo é que penso que preciso “exorcizar” de alguma forma o que estou sentindo, porque é preciso administrar a dor, caso contrário, também não conseguirei chegar ao fim do meu trabalho da pós-graduação – algo que sei que minha avó teria muito orgulho de ver pronto.

Um beijo, vó, e fique com Deus!

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Um comentário sobre “A dor do outro é a minha também

  1. É, quando as pessoas que amamos sofre, é pior do que quando nós sofremos. Ainda mais em assuntos como a morte, quando não há nada que possamos fazer para interferir.
    Pelo post, dá pra notar que sua avó foi uma grande mulher!
    Espero que você e sua família, principalmente sua mãe, consigam superar esse acontecimento da melhor forma possível!

    Beijoss

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