O desafio de ler Yukio Mishima

Yukio Mishima
Yukio Mishima

Uma das coisas legais que o meu trabalho tem me proporcionado é a possibilidade necessidade de ter um contato maior com a cultura oriental. Nesta semana, adicionei “mais um capítulo” a esse processo: li, pela primeira vez, Yukio Mishima.

Em uma aula sobre arte contemporânea japonesa, anotei uma referência sobre Sol e Aço e, vendo um exemplar disponível na biblioteca da Fundação Japão, resolvi embarcar na leitura.

Mishima já é, por si só, uma personalidade ímpar no mundo da literatura. Um dos principais nomes da produção literária moderna do Japão, poucos autores foram tão engajados com as questões nacionalistas, políticas e também filosóficas como ele.

Entretanto, confesso que sofri com Sol e Aço. Isso porque só depois de avançada na leitura vim a saber que se trata de um dos textos mais difíceis e densos de Mishima. Escrito no ano do suicídio do autor (1970), Sol e Aço é cheio de temáticas conflitantes, como a dualidade dos extremos para a revelação da essência dos seres, o significado da morte, os jogos filosóficos permeados de introspecção, tudo com uma carga semântica muito forte. Mishima é um autor forte e foi, sem dúvida, também uma pessoa forte.

Narcisista, fascista, dono de extremo talento literário, por três vezes Mishima foi indicado ao Nobel de Literatura e foi rejeitado (nas três vezes) por suas tendências políticas radicais. Em 25 de novembro de 1970, ele tomou um quartel general em Tóquio e, acompanhado de mais 3 ou 4 companheiros que partilhavam de suas convicções, fez um discurso fortemente patriótico no qual convocava os soldados a restituir a unidade nacional imperial do Japão. Diante dos risos de sua audiência, ele cometeu o seppuku, o ritual de morte dos samurais e, com isso, marcou o seu nome com letras de sangue na história da literatura japonesa.

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3 comentários sobre “O desafio de ler Yukio Mishima

  1. Boa noite Erika!! Excelentes posts!! Eu vi o filme do Woody Allen e achei super engraçado, simples e inteligente. Agora quanto a esse livro, nossa!! Parece muito filosófico. Quem sabe um dia eu tome coragem e o leia. Xauzim ^_~

  2. Olha, atualização fresquinha! (Acabei de comentar no post de baixo rsrs)

    EU CONCORDO!! rsrsrsrs
    Pelo o que você comentava durante as leituras, Mishima parece ter sido mesmo alguém muito rigoroso em suas convicções.

    Hum…Acho que pra começar na literatura oriental, vou tentar com o Kawabata primeiro! (mais um item pra lista!)

    Bom fim de semana!

    Beijoss

  3. Encontrei-me com Mishima por acaso,num sebo.Adquiri O Marinheiro que perdeu a graça pelo mar,fiquei interessado para ler outras obras.Já li O Pavilhão Dourado,e estou querendo adquerir:Sol e Aço.
    seu post é muito interessante.Parabés.

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