Sinopse
“Não é todo dia que se quer ouvir uma crocante fuga de Bach, ou amar uma suculenta mulher, mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba – mas a fome continua.
O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Veríssimo, é uma insólita e bem-humorada celebração da gula, na série Plenos Pecados. O livro conta a história de dez homens que se entregaram a esta afinidade animal, a fome em bando – sem temer a morte. Na verdade, a perspectiva de morrer só aumentaria, para eles, o prazer na comida, e o desafio filosófico da gastronomia: a apreciação que exige a destruição do apreciado.”
Finalizada a leitura, precisei de alguns dias para meditar sobre esse livro, o que culminou inclusive na mudança da minha avaliação inicial de O Clube dos Anjos no Skoob.
Ocorre que a trama envolvendo dos “dez apóstolos” – as metáforas com a Bíblia não são mera coincidência – do Clube do Picadinho me deixou angustiada e só depois eu fui entender que, se o livro de Veríssimo conseguiu provocar essa reação em mim, significa que a leitura valeu muito a pena.
Num grupo seleto no qual o prazer gastronômico é tratado como religião, observar as mortes em série de seus membros, vítimas de um assassino declarado desde o início, foi um choque que me deixou por demais inquieta, a tal ponto que cheguei a ficar revoltada. Não se pode ignorar a genialidade de um autor que consegue causar um efeito desses em um leitor.
Por outro lado, preciso admitir que saber logo de cara o culpado em um enredo policial é algo que me decepciona um pouco. Embora essa decisão seja arriscadamente louvável por parte de um escritor, avaliar seu impacto no leitor é uma tarefa claramente subjetiva, ainda que reste o enigma muitas vezes mais interessante da motivação dos crimes para ser devidamente desvendado.
Vale ressaltar, entretanto, a instigante reflexão filosófica estimulada por Veríssimo, ao associar o prazer da alimentação com a situação-limite de existência das iguarias enquanto tais, ou seja, desfrutá-las significa destruí-las e isso implica alterar seu estado original e, portanto, sua essência artística tal como admirada pelos comensais do Clube do Picadinho.
Nota: 4
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)
Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados]
Blog do Desafio Literário 2012
O Clube dos Anjos
Luis Fernando Veríssimo
Editora Objetiva
1998
130 páginas

É minha próxima leitura! Estou louca para começar!
Adorei a resenha!
Bjs!