Nunca pensei que fosse tão importante saber juntar as peças de um quebra-cabeça. Na verdade, unir as peças e obter, a partir disso, um novo sentido – muitas vezes maior e mais completo – é algo cuja importância só consegui enxergar quando voltei a estudar. É uma vergonha, eu sei, mas acho que o que acontecia comigo era fruto de uma “preguiça mental”, uma falta de preocupação consciente de estabelecer relações (preciosas relações) entre as idéias. Isso limitava (em alguns casos, ainda limita, pois a intertextualidade está intimamente relacionada à bagagem cultural) muito o meu entendimento sobre as coisas.
Recentemente, eu descobri o fofíssimo e inteligente trabalho da Clara Gomes, criadora dos Bichinhos de Jardim. E, já que o assunto é a intertextualidade, a capacidade de fazer referência a um texto em outro texto estabelecendo praticamente um diálogo entre eles (desculpem a confusão, mas acho que não sei ser muito didática!), não pude deixar de reproduzir aqui a tirinha da Joaninha bancando o personagem do famosíssimo quadro O Grito, de Edvard Munch. Simplesmente genial.
No caso, Clara usa habilmente sua personagem para montar uma releitura do quadro mais famoso de Münch, que é também uma das obras mais emblemáticas do Expressionismo.
Esse é apenas um exemplo – bem na cara, diga-se de passagem, porque há outros muito mais sutis e complexos, porém de modo algum menos valiosos – dentre uma infinidade existente por aí, é só ficar atento.




Hahahahaha!
Bem legal o trabalho da Clara Gomes!